Arquivos Brasileiros de Cardiologia

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Volume 110, Nº 6, Junho 2018

   

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/abc.20180079

ARTIGO ORIGINAL

Há Alguma Relação entre os Parâmetros de Repolarização do Miocárdio e a Frequência de Contrações Ventriculares Prematuras?

Kayihan Karaman

Metin Karayakali

Arif Arisoy

Ilker Akar

Mustafa Ozturk

Ahmet Yanik

Samet Yilmaz

Atac Celik





Resumo

Fundamento: As contrações ventriculares prematuras (CVPs) podem provocar arritmias ventriculares letais em pacientes com doença cardíaca estrutural, no entanto o papel das CVPs em indivíduos saudáveis permanece controverso, já que não há muitos estudos clínicos disponíveis. Recentemente, alguns marcadores de repolarização do miocárdio, tais como o intervalo Tp-e e as relações Tp-e/QT e Tp-e/QTc, foram relatados como úteis para prognosticar arritmias ventriculares letais em diversos transtornos clínicos sem doença cardíaca estrutural.

Objetivo: Neste estudo, o objetivo foi investigar a relação entre os marcadores de repolarização do miocárdio e as CVPs frequentes em indivíduos sem doença cardíaca estrutural.

Métodos: Este estudo incluiu 100 pacientes com queixas de tonturas e palpitações. Eletrocardiografia de 12 derivações e registros de Holter ambulatorial de 24 horas foram obtidos de todos os pacientes. A carga de CVP foi calculada como o número total de CVPs dividido pelo número de todos os complexos de QRS no tempo de registro total. Foram considerados significativos valores p < 0,05.

Resultados: O intervalo Tp-e e a relação Tp-e/QTc foram significativamente mais altos em pacientes com carga de CVP mais alta do que nos pacientes com carga de CVP inferior, e encontrou-se correlação positiva entre esses marcadores e a carga de CVP. Tp-e (β = 1,318, p = 0,043) e Tp-e/QTc (β = -405,136, p = 0,024) na derivação V5 foram identificados como preditores independentes da carga de CVP aumentada.

Conclusões: O intervalo Tp-e e a razão Tp-e/QTc foram mais altos em pacientes com um valor mais alto de CVP. Nosso estudo mostrou que CVPs podem ter um efeito negativo na repolarização do miocárdio. Essa interação pode resultar em risco aumentado de arritmias malignas. (Arq Bras Cardiol. 2018; 110(6):534-541)

Palavras-chave: Complexos Ventriculares Prematuros; Arritmias Cardíacas; Eletrocardiografia / métodos; Doenças Cardiovasculares; Obesidade; Disfunção Ventricular Esquerda.