Arquivos Brasileiros de Cardiologia

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Volume 110, Nº 2, Fevereiro 2018

   

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/abc.20180023

ARTIGO ORIGINAL

Práticas Atuais na Cintilografia de Perfusão Miocárdica no Brasil e Adesão às Recomendações da AIEA: Resultado de Estudo Transversal

Carlos Vitor Braga Rodrigues

Anderson Oliveira

Christiane Cigagna Wiefels

Maurício de Souza Leão

Cláudio Tinoco Mesquita



Figura 1 – Distribuição da pontuação do índice de qualidade (0 a 8) de boas práticas de 63 serviços de exame de cardiologia nuclear no Brasil, 2016.





Resumo

Fundamento: A situação atual das práticas da medicina nuclear em cardiologia no Brasil ainda é pouco conhecida. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) recomendou oito “boas práticas” para minimizar a exposição dos pacientes à radiação ionizante durante a Cintilografia de Perfusão Miocárdica (CPM).

Objetivo: Analisar a adoção das oito boas práticas na CPM no Brasil. Métodos: Estudo transversal com dados obtidos através de questionário. Todos os testes de hipóteses desenvolvidos consideraram uma significância de 5%.

Resultados: Observamos que 100% dos Serviços de Medicina Nuclear (SMN) não utilizam Tálio-201 como protocolo preferencial. Sobre a utilização do Tecnécio-99m, notamos que 57% administram atividades acima do limiar recomendado pela AIEA (36 mCi) ou resultam em uma dose efetiva maior que 15 milisievert (mSv). A fase única de estresse não é praticada por 94% dos SMN; portanto, somente 19% contam com estratégias de redução das doses radioativas. Cerca de 52% dos SMN afirmam que sempre realizam o ajuste da dose por peso e 35% administram doses mal calculadas no protocolo de um dia.

Conclusão: Observamos que um número considerável de SMN no Brasil ainda não seguem seis ou mais das práticas recomendadas pela AIEA. Apesar das dificuldades enfrentadas na prática nuclear em algumas regiões do Brasil, quase todos os déficits observados podem ser resolvidos sem aumento de custos, ressaltando a importância do desenvolvimento de estratégias para aderência às “boas práticas” na realização da CPM. (Arq Bras Cardiol. 2018; 110(2):175-180)

Palavras-chave: Medicina Nuclear / métodos; Imagem de Perfusão Miocárdica; Isquemia Miocárdica / diagnóstico por imagem.