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Volume 110, Nº 2, Fevereiro 2018

   

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/abc.20180016

ARTIGO ORIGINAL

Presença e Extensão da Fibrose Miocárdica na Forma Indeterminada da Doença de Chagas: Estudo de Ressonância Magnética

Marcia Maria Noya-Rabelo

Carolina The Macedo

Ticiana Larocca

Admilson Machado

Thais Pacheco

Jorge Torreão

Bruno Solano de Freitas Souza

Milena B. P. Soares

Ricardo Ribeiro-dos-Santos

Luis Claudio Lemos Correia

Dra. Márcia Noya







Figura 1 – Escore de Rassi nas diferentes formas clínicas da doença de Chagas. VE: ventrículo esquerdo.





Resumo

Fundamento: Dados prévios têm demonstrado que pacientes na forma indeterminada podem apresentar fibrose miocárdica à ressonância magnética (RM). No entanto, são poucas as informações disponíveis quanto ao grau de fibrose miocárdica apresentada por esses indivíduos, o que guardaria relação com o potencial dessa variável na predição de evolução para a forma cardíaca da doença de Chagas.

Objetivos: Descrever a frequência e extensão da fibrose miocárdica avaliada por RM em pacientes da forma indeterminada, comparando com as outras formas da doença.

Métodos: Pacientes consecutivamente admitidos tiveram história clínica colhida e foram submetidos à realização de exames laboratoriais e RM.

Resultados: Foram estudados 61 pacientes portadores da doença de Chagas, com média de idade de 58 ± 9 anos, sendo 17 pacientes na forma indeterminada, 16 na forma cardíaca sem disfunção do ventrículo esquerdo (VE) e 28 na forma com disfunção do VE. Foi considerado estatisticamente significante p < 0,05. Realce tardio foi detectado em 37 pacientes (64%). Foi identificada fibrose miocárdica em 6 indivíduos na forma indeterminada (41%; IC95% 23 – 66), proporção semelhante à observada na forma cardíaca sem disfunção do VE (44%); p = 1,0. Entre os indivíduos com fibrose, a área total do miocárdio acometida foi de 4,1% (IIQ: 2,1 – 10,7) na forma indeterminada versus 2,3% (IIQ: 1 – 5) na forma cardíaca sem disfunção do VE (p = 0,18). A fração de ejeção do ventrículo esquerdo nos indivíduos na forma indeterminada foi semelhante aos portadores da forma cardíaca sem disfunção ventricular (p = 0,09).

Conclusão: A presença de fibrose na forma indeterminada da doença de Chagas tem frequência e extensão semelhante à forma cardíaca sem disfunção, o que sugere que a primeira faz parte de um espectro de doença subclínica, em vez da ausência de acometimento cardíaco. (Arq Bras Cardiol. 2018; 110(2):124-131)

Palavras-chave: Doença de Chagas; Cardiomiopatia Chagásica; Fibrose; Imagem por Ressonância Magnética. Doença de Chagas; Cardiomiopatia Chagásica; Fibrose; Imagem por Ressonância Magnética.