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Volume 110, Nº 2, Fevereiro 2018

   

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/abc.20180021

ARTIGO ORIGINAL

Acurácia do Strain Longitudinal Global na Predição de Cardiotoxicidade em uma Coorte de Pacientes com Câncer de Mama em Tratamento com Antracíclicos e/ou Trastuzumab

Eliza de Almeida Gripp

Gabriela Escudini de Oliveira

Luiz Augusto Feijó

Marcelo Iorio Garcia

Sergio Salles Xavier

Andréa Silvestre de Sousa



Figura 2 – Boxplot ilustrando a diferença entre os grupos com e sem cardiotoxicidade. Em A) redução percentual da variação do strain longitudinal global (SLG) do ventrículo esquerdo; e, em B) redução percentual da variação da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE).





Resumo

Fundamentos: A elevada morbimortalidade da cardiotoxicidade associada à terapia antineoplásica para o câncer de mama poderia ser reduzida com uso precoce de drogas cardioprotetoras. No entanto, a baixa sensibilidade da fração de ejeção limita sua utilização nessa estratégia preventiva. Novos parâmetros, como o strain longitudinal global, estão sendo utilizados na detecção precoce das alterações da função contrátil.

Objetivos: Avaliar a incidência de cardiotoxicidade entre pacientes tratados para câncer de mama, os fatores independentes associados a esse evento e a capacidade do strain em identificá-la precocemente.

Métodos: Estudo prospectivo observacional de pacientes ambulatoriais consecutivos com diagnóstico de câncer de mama, sem tratamento antineoplásico prévio, sem disfunção ventricular, submetidos ao uso de antracíclicos e/ou trastuzumab, avaliados trimestralmente de forma cega em relação à terapia, seguidos por 6 a 12 meses. Regressão de Cox foi utilizada para avaliar a associação de variáveis clínicas, terapêuticas e ecocardiográficas com cardiotoxicidade. Curva ROC foi construída para identificar o ponto de corte do strain capaz de prever redução da fração de ejeção. Para todos os testes, o nível de significância estatística foi definido com p ≤ 0,05.

Resultados: Dentre 49 mulheres com idade média de 49,7 ± 12,2 anos, identificamos 5 casos de cardiotoxicidade (10%), aos 3 (n = 2) e 6 (n = 3) meses de seguimento. Strain foi associado de forma independente ao evento (p = 0,004; HR = 2,77; IC95%: 1,39-5,54), tendo como ponto de corte o valor absoluto de -16,6 (ASC = 0,95; IC95%: 0,87-1,0) ou redução de 14% (ASC = 0,97; IC95%: 0,9-1,0).

Conclusão: A redução de 14% do strain (ou valor absoluto de -16,6) foi capaz de identificar precocemente pacientes que podem evoluir com cardiotoxicidade associada ao antracíclico e/ou trastuzumab. (Arq Bras Cardiol. 2018; 110(2):140-150)

Palavras-chave: Neoplasias da Mama/tratamento farmacológico; Cardiotoxicidade; Volume Sistólico; Trastuzumab, Indicadores de Morbimortalidade.