ABC | Volume 115, Nº2, Agosto 2020

Artigo Original Cadore et al. Angioplastia Preventiva no Infarto do Miocárdio Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):229-237 Discussão Em registro real da prática clínica, evidenciamos que a estratégia de RC está associada à redução significativa de desfechos duros no seguimento de 1 ano quando comparada à estratégia de RI e que o tratamento das ANCIs durante a intervenção coronária primária é incomum, sendo que a maioria dos pacientes com DAC multiarterial e IAMCSST receberam tratamento estadiado dentro de 40 dias do evento índice. A presença de DAC multiarterial ocorre em aproximadamente 40-50% dos pacientes com IAMCSST 3-4 e é considerada um poderoso preditor independente de mortalidade. 5 Na nossa população em estudo, a prevalência foi de cerca de 35%. A história natural do IAMCSST demonstra que ocorrem distúrbios fisiopatológicos mais generalizados, com potencial de comprometer a perfusão coronariana além da distribuição da ACI, desestabilizando a placa ao longo do leito vascular coronariano. 13 O processo patológico do IAMCSST envolve toda a árvore coronariana, sendo que a Tabela 2 – Intervenção coronariana e terapia medicamentosa (n = 85) Estratégia de revascularização Global Completa Incompleta p Trombolítico prévio 3 (3,5%) 3 (5,2%) 0 0,57* Tipo de stent 0,30* Convencional 76 (89,4%) 50 (86,2%) 26 (96,3%) Farmacológico 9 (10,6%) 8 (13,8%) 1 (3,7%) Inibidores da Glicoproteína IIb/IIIa 23 (27,1%) 14 (24,1%) 9 (33,3%) 0,53 Terapia clínica em 24h AAS 85 (100%) 58 (100%) 27 (100%) - Clopidogrel 85 (100%) 58 (100%) 27 (100%) - Estatina 85 (100%) 58 (100%) 27 (100%) - Betabloqueador 43 (50,6%) 26 (44,8%) 17 (63,0%) 0,19 IECA/BRA 40 (47,1%) 27 (46,6%) 13 (48,1%) 0,99 Nitrato 30 (35,3%) 20 (34,5%) 10 (37,0%) 0,99 Escore SYNTAX 0,34* Baixo 41 (48,2%) 30 (51,7%) 11 (40,7%) Moderado 44 (51,8%) 28 (48,3%) 16 (59,3%) Alto — — — Valores expressam média ± desvio padrão ou frequência absoluta e relativa. p: valor de probabilidade; para idade, análise de variância; demais, qui-quadrado de Pearson ou *teste exato de Fischer. HAS: hipertensão arterial sistêmica; DM: diabetes mellitus; DAC: doença arterial coronariana; IAM: infarto agudo do miocárdio; BRE: bloqueio de ramo esquerdo; ADA: artéria descendente anterior; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo. Tabela 3 – Desfechos clínicos e estratégia de revascularização (n = 85) Estratégia de revascularização Completa n (%) Incompleta n (%) OR (IC95%) p Desfecho primário (composto) 6 (10,3%) 10 (37,0%) 5,10 (1,6-16,1) 0,005 Óbito Cardiovascular 2 (3,4%) 5 (18,5%) Reinfarto — — Angina 4 (6,9%) 5 (18,5%) Desfecho secundário (composto) 3 (5,17%) 6 (22,2%) 5,24 (1,2-22,9) 0,022 AVE — — PCR não fatal 2 (3,4%) — Sangramento maior 1 (1,7%) — Reintervenção — 6 (22,2%) OR: razão de chances; IC: intervalo de confiança; AVE: acidente vascular encefálico; PCR: parada cardiorrespiratória. 233

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