ABC | Volume 115, Nº2, Agosto 2020
Posicionamento Grossman et al. Posicionamento do Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular (DERC/SBC) sobre a Atuação Médica em suas Áreas Durante a Pandemia por COVID-19 Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):284-291 Os exercícios domiciliares devem seguir as recomendações habituais da RCPM convencional, com prescrições individualizadas, sempre que possível baseadas em avaliações prévias. 17,21 Por segurança, orienta-se que, durante os exercícios físicos, seja considerada a escala de percepção de esforço, com recomendação de intensidade leve e/ou moderada. No momento atual, sugerimos que sejam evitados exercícios de alta intensidade, muito desgastantes, com percepção de esforço muito elevado (muito forte). Ressalta-se que, diante da heterogeneidade nacional da curva epidemiológica dos casos de COVID-19, peculiaridades regionais, incidências de novos casos e necessidades de internações, além de aspectos relacionados com infraestrutura e taxa de ocupação dos serviços de saúde públicos e privados, diferentes recomendações podem ser pertinentes nas localidades, sempre de acordo com as orientações das organizações e autoridades sanitárias. 22 Assim que sinais de controle da pandemia forem evidentes, havendo maior flexibilização do isolamento social pelas autoridades sanitárias, os serviços convencionais de RCPM com atividades presenciais poderão retomar suas atividades de forma gradual e com a rigorosa observância aos cuidados pertinentes de proteção dos pacientes e profissionais de saúde. Na ocasião do reinício paulatino das atividades, recomendamos: • Pacientes, profissionais da equipe assistencial e acompanhantes com sintomas gripais ou contato com casos confirmados/suspeitos nos últimos 14 dias devem se manter afastados pelo prazo recomendado pelas organizações e autoridades sanitárias. 23 • Na triagem dos pacientes que chegam ao serviço, é recomendada a medida de temperatura na região frontal por infravermelho (sem contato cutâneo). • Uso de máscara facial, álcool em gel e lavagem das mãos com água e sabão são recomendados como obrigatório pelos pacientes e demais frequentadores do ambiente de exercícios, sendo que os profissionais da equipe assistencial devem seguir as determinações dos órgãos de saúde, sindicatos e conselhos profissionais em relação ao uso de EPI. • Disponibilização de álcool a 70% em spray e papéis descartáveis para higienização dos equipamentos de exercícios, antes e após o uso individual, devendo ser evitado o uso compartilhado de equipamentos em circuitos de treinamento (aparelhos de musculação, pesos livres, espaldares e outros). • Promoção de maior circulação de ar nas salas de exercícios, mantendo, sempre que possível, portas e janelas abertas. • Redução da quantidade de pacientes atendidos simultaneamente, possibilitando maior distanciamento entre eles. • Adoção de horários predefinidos de atendimentos, com duração rigorosamente controlada, com intervalos entre as sessões, a fim de evitar a sobreposição de grupos e permitir higienização do ambiente e equipamentos. Observação: visando à proteção jurídica dos serviços, recomenda-se a solicitação de carta de encaminhamento ao programa de reabilitação do médico assistente, bem como a exigência da assinatura de termo de consentimento após esclarecimento pelos pacientes. 4. Cardiologia Nuclear A orientação para os serviços de cardiologia nuclear durante a pandemia é de que se realizem apenas os estudos urgentes e em pacientes sintomáticos, quando o resultado do exame tiver o potencial de alterar o manejo evolutivo imediato ou que possa impactar o prognóstico do paciente a curto prazo. Também se faz urgente a avaliação de pacientes internados e de pronto atendimento, objetivando direcionar a conduta, reduzir o tempo de internação e expandir a capacidade hospitalar, 3,24 4.1. Adaptação da Prática da Cardiologia Nuclear Durante a Pandemia 4.1.1. Considerações Gerais no Agendamento do Exame 24,25 • Aumentar o intervalo entre os exames para evitar aglomerações. • No ato do agendamento, perguntar se o paciente apresenta sinais ou sintomas sugestivos de possível infecção por COVID-19 (febre, tosse, dispneia, fadiga incomum, mialgia, diarreia, anosmia, hiposmia, disgeusia ou ageusia). Em caso afirmativo, de preferência, adiar o agendamento. • Perguntar se o paciente foi exposto a algum caso confirmado ou suspeito nas 2 semanas anteriores. Em caso afirmativo, de preferência, postergar a marcação do exame. • Torna-se importante entrar em contato com os pacientes no dia anterior ao exame para garantir que não estejam apresentando sinais ou sintomas suspeitos. Em caso afirmativo, reagendar o exame se possível. • Os pacientes devem ser instruídos a comparecer ao exame sozinhos. Caso seja necessário o acompanhante, vir com apenas uma pessoa, idealmente sem fatores de risco de relevância como diabetes, cardiopatias não estáveis, arritmias, idosos > 65 anos de idade, entre outros. • Solicitar para que os pacientes e acompanhantes venham usando EPIs (máscaras faciais como requisito mínimo) ou considerar fornecê-las para serem usadas durante todo o tempo que estiverem no serviço de medicina nuclear. 4.1.2. Considerações no Momento da Chegada do Paciente ao Serviço 24-26 • Na chegada ao laboratório nuclear, deve-se questionar novamente o paciente quanto à presença de sintomas e exposição à COVID-19 (por meio do preenchimento de questionário epidemiológico específico e/ou entrevista). • Dado o risco de transmissão por portadores assintomáticos, a equipe de atendimento ao paciente na sala de espera e demais funcionários não médicos no laboratório devem usar máscara o tempo todo. • Solicitar para que os pacientes e acompanhantes permaneçam com as máscaras faciais enquanto estiverem no serviço de medicina nuclear. 288
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