ABC | Volume 115, Nº2, Agosto 2020
Artigo Original Gatti et al. Solução Custodiol®-HTK e tempo de pinçamento da aorta prolongado Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):241-250 Results: While expected operative risk was higher in the HTK than in the MCB cohort (European System for Cardiac Operative Risk Evaluation II, p=0.005), there was no significant intergroup difference regarding in-hospital mortality (p=0.573). Overall (positive) postoperative fluid balance (p=0.003), number of blood transfusions (p=0.017), rates of acute kidney injury (p=0.002) and any major complication (p=0.019) were increased in HTK patients. These results were all confirmed even after propensity matching, though the difference was significant only for fluid balance (p=0.013) and quite significant for blood transfusions (p=0.054). In the HTK cohort, intensive care unit and hospital stay were longer both for overall (p=0.016 and 0.008) and matched patients (p=0.142 and 0.198). In matched patients, peak serum levels of cardiac troponin I were lower in the HTK cohort (p=0.122); serum levels of creatinine were lower in the MCB cohort (p=0.023). Conclusion: For the patients of this study who required prolonged XCT, there was a trend towards poorer outcomes when HTK, rather than MCB cardioplegia, was used. (Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):241-250) Keywords: Myocardial Revascularization/complications; Heart Arrest Induced; Cardioplegic Solutions/thertapeutic use; Myocardial Reperfusion; Postoperative complications; Myocardial Infarction, Stroke; Mortality. Full texts in English - http://www.arquivosonline.com.br Introdução A Solução Custodiol®-HTK (histidina-triptofano- cetoglutarato) (Pharma, Newtown, PA, USA) é classificada como uma solução cardioplégica cristaloide intracelular devido à sua baixa concentração de sódio e cálcio. 1 A depleção de sódio do espaço extracelular causa a hiperpolarização da membrana plasmática do miócito, induzindo parada cardíaca na diástole. A alta concentração de histidina atenua a acidose causada pela acumulação de metabolitos anaeróbicos durante o período de isquemia; o cetoglutarato melhora a produção de adenosina trifosfato durante a reperfusão; o triptofano estabiliza a membrana celular. 2 Alega-se que uma única dose de cardioplegia oferece proteção por um período de até 3 horas. 2,3 Consequentemente, ela é geralmente utilizada para a proteção do miocárdio durante cirurgias cardíacas complexas, seja em adultos 4,5 ou crianças, 6 e para a preservação nas cirurgias de transplante. 7,8 De fato, o tempo de pinçamento da aorta (TPA) seguro, utilizando-se a cardioplegia com solução Custodiol®-HTK, ainda não foi determinado. Além disso, há preocupações em relação à hiponatremia que sucede a rápida administração do grande volume necessário desta solução cardioplégica com baixa concentração de sódio, 9,10 bem como à eficácia da proteção miocárdica promovida pela técnica de cardioplegia de dose única. 7,8,11 Ademais, apesar de ser amplamente utilizada, poucos estudos clínicos compararam a solução Custodiol®-HTK com a cardioplegia tradicional, sanguínea ou cristaloide, na cirurgia de revascularização da artéria coronária. 12 . O objetivo deste estudo retrospectivo foi comparar a cardioplegia utilizando solução Custodiol®-HTK e a cardioplegia sanguínea gelada (MCB) de múltiplas doses em pacientes submetidos à cirurgia coronária isolada, quando o TPA prolongado se faz necessário. Tanto a proteção miocárdica quanto o desfecho precoce pós-operatório foram examinados. Métodos Entre julho de 2009 e outubro de 2016, a cardioplegia com Custodiol®-HTK foi utilizada em 106 pacientes consecutivos submetidos à revascularização coronária isolada, no Departamento de Cirurgia Cardíaca do Hospital Universitário de Trieste, Italy; para 38 (35,8%) deles, o TPA foi ≥120 minutos. Os desfechos pós-operatórios precoces desses 38 pacientes (grupo HTK) foram comparados com aqueles de 110 pacientes consecutivos, submetidos à cirurgia coronária na cidade de Trieste, durante o mesmo período, cujo TPA foi ≥120 minutos, e que receberam cardioplegia sanguínea gelada (grupo MCB). Uma vez que os dois grupos apresentaram resultados significativamente diferentes no que diz respeito ao perfil de risco e aos dados cirúrgicos, também foi realizada uma análise de propensão pareada. Salvo disposto em contrário, as definições e os valores de corte das variáveis pré-operatórias foram aqueles utilizados no Sistema Europeu para Avaliação de Risco em Cirurgia Cardíaca (EuroSCORE II). 13 O perfil de risco de cada paciente foi estabelecido antes da cirurgia, conforme o EuroSCORE II. As definições de complicações pós-operatórias estavam em consonância com as definições internacionalmente acordadas sobre complicações pós cirurgia cardíaca. 14 As disfunções neurológicas permanentes (AVC com lesões focais detectadas através de tomografia computadorizada), ventilação invasiva prolongada (>48 h), infarto do miocárdio, baixo débito cardíaco (requerendo altas doses de agentes inotrópicos, uso de balão intra-aórtico ou de oxigenador de membrana extracorpórea), lesão renal aguda (com ou sem terapia renal substitutiva), falência de múltiplos órgãos, múltiplas transfusões de sangue (três ou mais unidades de concentrado de hemácias), reexploração mediastinal para sangramento ou tamponamento, infecção profunda da ferida esternal (infecção incisional profunda ou mediastinite) e sepse foram definidas como complicações maiores. Mortalidade hospitalar e complicações maiores foram incluídas no desfecho combinado. Protocolos de Administração de Cardioplegia A via de administração da solução Custodiol®-HTK e da cardioplegia sanguínea foram sempre a anterógrada e retrógrada, à temperatura de ~4°C. Cada paciente recebeu 20-25 ml de solução HTK por kg de peso corporal. A pressão de perfusão na raiz da aorta foi mantida constante em 100 mmHg até a parada cardíaca e, em seguida, entre 40–50 mmHg. Durante a perfusão retrógrada, a pressão do seio coronário manteve-se entre 20 mmHg e 25 mmHg. O tempo acumulado de perfusão variou entre 6-8 minutos. Na presença de hiponatremia, foi utilizada solução de cloreto de sódio (3 mEq/ml) para correção; a hipotensão sistêmica foi tratada com infusão de norepinefrina. A hemodiluição foi mitigada pela remoção de parte da solução HTK da raiz da aorta durante a perfusão retrógrada. 5,7,8 A cardioplegia sanguínea 242
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