ABC | Volume 114, Nº4, Abril 2020
Artigo Original Souza et al. NT-proBNP em síndromes coronarianas agudas Arq Bras Cardiol. 2020; 114(4):666-672 Tabela 3 – Análise da reclassificação líquida pelo escore numérico GRACE-BNP em relação ao escore GRACE na definição de alto risco N Reclassificação para alto risco Reclassificação para baixo risco NRI Valor de p Desfecho 17 3 0 +0,18% Sem desfecho 335 9 0 –0,02% Total 352 12 0 –0,15% 0,14 esteja nos níveis iniciais, limitando-se a graus mais avançados e clinicamente manifestados. Por fim, a precisão prognóstica do escore GRACE tradicional já é satisfatória, representada pela estatística C acima de 0,8, dificultando a melhoria de um marcador que funcione com boa capacidade preditiva. Alguns estudos anteriores testaram o valor prognóstico dos peptídeos natriuréticos cerebrais na SCA. Embora exista um desacordo entre os estudos, uma análise cuidadosa dos resultados mostra que todos apontam para a mesma direção. Três estudos têm conclusões positivas em relação ao valor prognóstico desse tipo de marcador; entretanto, esses estudos avaliaram o valor preditivo independente, mas não testaram o valor incremental (discriminação ou reclassificação). 18-22 Nesse contexto, nossos resultados não são discordantes. No entanto, nossa conclusão negativa reside emuma análisemais abrangente que não foi feita anteriormente. Em concordância, os dois estudos que avaliaram o valor incremental de modelos multivariados apresentaram a mesma conclusão que a nossa. 7,8 Figura 2 – Comparação das curvas ROC entre o GRACE original (0,82; IC95% = 0,68–0,97) e o GRACE-BNP logístico (0,83; IC95% = 0,69–0,97) e categórico (0,82; IC95% = 0,68–0,96 ) mostra estatística C semelhante entre as três pontuações. GRACE-BNP categórico (0,82) GRACE-BNP logístico (0,83) GRACE original (0,82) Linha de referência 1,0 1,0 0,8 0,8 0,6 0,6 0,4 0,4 0,2 0,2 0,0 0,0 Sensibilidade 1 – Especificidade O presente trabalho apresenta dois aspectos originais: foi o primeiro estudo a agregar a análise de reclassificação proposta por Pencina e o único a ajustar o escore GRACE após a remoção de Killip, evitando uma eventual colinearidade entre Killip e NT‑proBNP, que poderia induzir erro do tipo II. Essas abordagens trazem mais veracidade ao nosso resultado negativo. As limitações metodológicas devem ser reconhecidas aqui, podendo ter promovido um resultado falso negativo. Primeiramente, sabe-se que, idealmente, um marcador de risco deve ser testado em um ambiente em que a equipe de atendimento não esteja ciente de seu resultado. Como esse marcador já está disponível em nossa prática clínica, a equipe tomou conhecimento do resultado do NT-proBNP, predispondo ao viés de desempenho, o que poderia melhorar o prognóstico de pacientes com alto NT-proBNP. Em segundo lugar, embora este estudo possuísse o tamanho planejado da amostra, faltava poder adicional para análises exploratórias. Por exemplo, não foi possível testar o valor incremental 670
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