ABC | Volume 114, Nº4, Abril 2020
Artigo Original Souza et al. NT-proBNP em síndromes coronarianas agudas Arq Bras Cardiol. 2020; 114(4):666-672 Tabela 2 – Modelo de regressão logística contendo GRACE sem Killip e NT-proBNP numérico na previsão de óbitos Variáveis Coeficiente Beta Odds ratio (IC 95%) Valor de p GRACE sem Killip 0,043 1,04 (1,02 – 1,06) < 0,001 NT-proBNP / 500 pg/ml 0,000 1,03 (1,006 – 1,05) 0,015 negativa (-0,02%). Na análise final, considerando todos os pacientes, o índice líquido de reclassificação (NRI) total foi de 0,15% (p = 0,14) (Tabela 03). A reclassificação baseada no GRACE‑BNP categórico mostrou resultados semelhantes (NRI = 0,08; p = 0,44). (Tabela 3) Discussão O presente estudo demonstra o valor prognóstico independente do NT-proBNP numérico após o ajuste no escore GRACE. No entanto, o NT-proBNP não melhorou a discriminação do GRACE Score, nem sua capacidade de reclassificação. Suas descobertas estão alinhadas com as noções de que nem todo preditor independente oferece valor incremental aos modelos tradicionais. 17 Do ponto de vista explicativo, nossos achados reforçam que o status de descompensação cardíaca aumenta o risco de pacientes com SCA. Por outro lado, do ponto de vista preditivo, refinar a avaliação prognóstica com um biomarcador de insuficiência cardíaca mais preciso que a avaliação clínica não foi suficiente para aumentar a precisão dos modelos multivariados. Esta discussão tem como objetivo debater as possíveis explicações para a ausência de valor incremental, confrontar os resultados deste artigo com evidências externas, reconhecer limitações metodológicas e abordar a relevância dos presentes resultados. Hipóteses diferentes podem explicar a ausência do valor incremental de NT-proBNP. Serão apontadas três possibilidades, que compreendem as propriedades genéricas dos preditores e as especificidades do contexto clínico em questão. Primeiro, modelos probabilísticos são criados com variáveis que contribuem simultaneamente para a previsão de risco, cada uma com um peso preditivo proporcional à sua força de associação independente. A melhora de um único preditor (detecção de disfunção ventricular) entre muitos pode não representar uma mudança relevante. No presente caso, não foi proposta a incorporação de um marcador relacionado a um novo fenômeno, mas apenas a substituição da avaliação do fenômeno da insuficiência cardíaca por um marcador teoricamente melhor. Em segundo lugar, a capacidade preditiva do NT-proBNP reside teoricamente em sua característica contínua (variável numérica) e em sua capacidade de identificar a disfunção ventricular subclínica. É possível que o valor prognóstico da insuficiência cardíaca não Figura 1 – A precisão do NT-pro-BNP na predição de morte tem um valor de 0,78 (IC 95% 0,65 – 0,9) na estatística C e na classificação Killip 0,69 (IC 95% 0,54 – 0,84). p = 0,29 1,0 1,0 0,8 0,8 0,6 0,6 0,4 0,4 0,2 0,2 0,0 0,0 Sensibilidade 1 – Especificidade NT-proBNP (0,78) Killip (0,69) Linha de referência 669
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