ABC | Volume 114, Nº3, Março 2020
Artigo Original Pivatto Júnior et al. Escores de risco em cirurgia por endocardite Arq Bras Cardiol. 2020; 114(3):518-524 muitas vezes, fatal, 21 foi o microrganismo causador em apenas 8,4% dos casos, ao passo que, nas coortes de validação, esse percentual variou de 17,5 a 19,9%. 11,12 Esses dois fatores provavelmente explicam, ao menos em parte, a baixa precisão dos escores específicos para EI na nossa coorte. O mesmo ocorreu com outros itens incluídos nos escores específicos, tais como a classe funcional IV da NYHA no escore AEPEI 10 (37,7 vs. 20,6%), FEVE ≤ 50% no EndoSCORE 7 (35,9 vs. 15,9%), choque cardiogênico e trombocitopenia no RISK-E 12 (17,9 e 29,2% no estudo original vs. 11,2 e 18,7% neste estudo, respectivamente); embora fortemente associados com a mortalidade, esses fatores não foram significativamente predominantes na nossa coorte. Tabela 3 – Razão de mortalidade observada/esperada e análise da curva ROC para os escores estudados ESCORE MORTALIDADE O/E * IC95% p ASC IC95% p ESCORES NÃO ESPECÍFICOS PARA EI EuroSCORE logístico 1,33 0,92-1,87 0,123 0,77 0,66-0,87 < 0,001 EuroSCORE II 2,46 1,70-3,45 < 0,001 0,69 0,58-0,80 0,002 ESCORES ESPECÍFICOS PARA EI STS-IE 2,50 1,73-3,50 < 0,001 0,67 0,56-0,79 0,005 PALSUSE 1,01 0,70-1,42 0,919 0,68 0,57-0,79 0,003 RISK-E 1,53 1,05-2,18 0,029 0,71 0,60-0,81 0,001 AEPEI 1,71 1,18-2,40 0,006 0,65 0,53-0,77 0,017 EndoSCORE 2,90 2,00-4,06 < 0,001 0,76 0,66-0,86 < 0,001 *A mortalidade observada foi de 29,0%, exceto para o RISK-E, que foi de 28,4% (5 casos de endocardite infecciosa pulmonar/tricúspide foram excluídos, uma vez que eles não estão incluídos na análise desse escore). O/E: observada/esperada; ASC: área sob a curva; IC: intervalo de confiança; EI: endocardite infecciosa. Figura 1 – Mortalidade hospitalar observada e esperada de acordo com os escores. *A mortalidade observada foi de 29,0%, exceto para o RISK-E, que foi de 28,4% (5 casos de endocardite infecciosa pulmonar/tricúspide foram excluídos, uma vez que eles não estão incluídos na análise desse escore). As barras de erro indicam intervalo de confiança de 95%. O EuroSCORE II, o mais comumente utilizado para avaliação do risco pré-operatório na prática clínica atual, subestimou em 2,5 vezes a mortalidade observada e teve baixo poder discriminatório (ASC: 0,69). A coorte original do estudo EuroSCORE II tinha uma porcentagemmuito baixa de pacientes com com EI ativa (2,2%); 9 consequentemente, é difícil generalizar os resultados do EuroSCORE II para as populações com EI. Em uma análise de 149 pacientes submetidos à cirurgia cardíaca em razão de EI ativa em dois centros de referência franceses, Patrat-Delon et al., 6 observaram que, apesar de o EuroSCORE II ter bom poder discriminatório (ASC: 0,78; IC95%: 0,70-0,84), seus resultados deveriam ser interpretados com cautela durante a 522
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