ABC | Volume 114, Nº3, Março 2020

Artigo Original Silva et al. Terapia com varfarina em pacientes com FANV no Brasil Arq Bras Cardiol. 2020; 114(3):457-466 Um modelo existente, criado para capturar dados dos pacientesmonitorados, foi utilizadopara garantir que os resultados dos testes e os eventos e padrões experimentados fossem relatados de forma consistente para atender às necessidades do programa. Foi feita uma chamada inicial para coletar dados clínicos e demográficos (se não estivessemdisponíveis), incluindo a presença de condições crônicas emedicamentos emuso. Cada paciente então recebia chamadas mensais, mas também tinha a opção de ligar sempre que necessário. Caso o paciente não possuísse um resultado atual ou recente de RNI, um(a) enfermeiro(a) forneceria o suporte solicitando o teste e lembrando-o de ligar e relatar os resultados. Quando os resultados de RNI relatados pelo paciente estavam fora da faixa alvo (RNI 2-3), o(a) enfermeiro(a) discutia os ajustes da dose com o paciente e o aconselhava a procurar um médico. Seleção de Pacientes Os pacientes com 18 anos ou mais foram incluídos caso apresentassem diagnóstico de FA (CID-10-CM código I48) ou fossem avaliados para FA em um formulário específico do sistema no prontuário eletrônico, se tivessem recebido pelo menos uma prescrição de AVK durante o estudo, tivessem cobertura contínua do plano de saúde e se fossem acompanhados pelo programa de monitoramento por telefone por pelo menos 4 meses, com um registro das ligações em pelo menos 50% dos meses durante o período do estudo. Foram excluídos pacientes com evidência de estenose mitral moderada/grave, tromboembolismo venoso (TEV) ou válvula protética mecânica. O protocolo de pesquisa foi aprovado pelo Conselho de Ética Institucional local. Variáveis e medidas de desfechos As principais características dos pacientes que receberam varfarina foram analisadas a partir de solicitações, registros médicos eletrônicos e autorrelatos: dados demográficos e histórico clínico (escore CHA 2 DS 2 -VASc, comorbidades, AVC ou sangramento prévio, RNI e TTR). Especificamente, os pacientes foram classificados como tendo insuficiência renal crônica quando havia pelo menos um dos códigos selecionados da CID-10 (Apêndice A) vinculados a eles no conjunto de dados durante todo o período do estudo, ou se houvesse insuficiência renal crônica no formulário de coleta de dados manejado pelo(a) enfermeiro(a). A utilização concomitante de medicamentos e os padrões de frequência da RNI também foram avaliados. Consistente com as diretrizes e estudos anteriores, 2,6 a qualidade do controle da RNI foi baseada na porcentagem de tempo durante o qual um paciente que recebeu warfarina esteve dentro da faixa terapêutica (2,0-3,0) durante todo o período de seguimento. Um controle bom foi definido como TTR ≥ 65%. O número de testes de RNI para cada paciente foi obtido através do conjunto de dados de solicitações, o qual não registrou os valores de RNI. Durante as chamadas de monitoramento telefônico, o(a) enfermeiro(a) com treinamento solicitava ao paciente que informasse os valores dos testes RNI realizados desde a última chamada. A frequência do teste de RNI foi utilizada para calcular o número das RNI total e média por paciente. Como a RNI é um procedimento de baixa complexidade e baixo custo, o teste poderia ter sido pago diretamente pelo paciente e, portanto, não ter sido relatado nas solicitações. Para reduzir o impacto dos testes RNI não relatados, durante as chamadas de monitoramento telefônico o(a) enfermeiro(a) solicitava ao paciente que informasse também a data do teste de RNI, juntamente com os valores de RNI. Nos casos em que uma solicitação correspondente estava ausente, as informações de frequência do teste no prontuário eletrônico eramadicionadasmanualmente pelo(a) enfermeiro(a). A TTR foi calculada pelo método de Rosendaal, calculado com os valores de RNI registrados nos prontuários eletrônicos. 13 Os desfechos clínicos avaliados foram eventos hemorrágicos maiores e menores, identificados utilizando os códigos da CID‑10 de solicitações de pacientes internados, listados no Apêndice A. 14 Também foram consideradas situações autorreferidas. Os códigos de diagnóstico utilizados para sangramentos maiores foram baseados em um algoritmo administrativo validado baseado em solicitações, bem como na definição da International Society on Thrombosis andHemostasis de sangramentos maiores. 15,16 As taxas de sangramento foram calculadas como o número de pacientes com pelo menos um autorrelato de episódio de sangramento durante o período de monitoramento dividido pelo número total de pacientes. Para avaliar os desfechos, os pacientes foram acompanhados até 30 de abril de 2016, a menos que a interrupção do plano de saúde ou a morte ocorresse primeiro. Os custos médicos diretos por todas as causas foram avaliados a partir das solicitações de cada paciente para consultas eletivas em consultório, atendimentos de emergência, testes/procedimentos ambulatoriais, internações e transição para tratamento/assistência domiciliar. Os custos representaram os custos reais pagos pelo provedor de seguros (AMIL). Os custos desembolsados pelos pacientes não foram incluídos. Os custos estavam disponíveis na base de dados durante o período do estudo e foram anualizados dividindo‑os pelos meses do período do estudo e multiplicando-os por 12. Após esse cálculo, os custos foram expressos por membro por ano (PMPY, per member per year ), em reais (R$) e convertido para dólares americanos. Foi obtido um fator de conversão de 0,33 USD/BRL pela média das taxas de câmbio diárias em cada ano do período do estudo (1º de maio de 2014 a 30 de abril de 2016). As taxas de câmbio diárias foram obtidas dos registros históricos de uma calculadora pública de conversão de moeda. 17 Os custos bancados pelos pacientes não foram incluídos. Finalmente, as características-chave, resultados clínicos e econômicos foram observados e comparados entre os quartis de TTR. Métodos estatísticos Devido à natureza exploratória do estudo, as principais características e desfechos foram analisados descritivamente. As estatísticas descritivas foram relatadas como contagens, porcentagens, médias, medianas, desvios-padrão e quartis. As variáveis contínuas foram descritas como média e desvio padrão ou mediana e respectivo intervalo interquartil, dependendo se uma distribuição normal foi ou não encontrada. As variáveis categóricas foram descritas como frequências e 459

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