ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020
Artigo Original Inanır et al. Preditores de arritmia em diabetes mellitus tipo 1 Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):275-280 Tabela 1 – Características gerais dos grupos estudados Características de linha de base DM1 (n = 46) Grupo controle (n = 46) Valor de p Idade (anos) 33,8 ± 8,8 33,8 ± 6,2 1,000 Masculino/feminino 28/18 28/18 1,000 PA sistólica (mmHg) 124,4 ± 8,7 121,4 ± 6,7 0,069 PA diastólica (mmHg) 81,0 ± 4,1 78,4 ± 3,3 0,581 Tabagismo 7 (15,2%) 9 (19,6%) 0,587 Hiperlipidemia 3 (6,5%) 3 (6,5%) 1,000 IMC 24,2 ± 4,7 24,1 ± 4,8 0,955 DM1: diabetes mellitus tipo 1; IMC: índice de massa corporal; PA: pressão arterial. Tabela 2 – Achados eletrocardiográficos da população do estudo DM1 (n = 46) Grupo controle (n = 46) Valor de p Frequência cardíaca (bpm) 84,0 ± 16,9 68,3 ± 11,3 < 0,001 QT ms 352,6 ± 27,4 362,4 ± 22,9 0,068 QTc ms 412,9 ± 36,0 384,2 ± 24,6 < 0,001 QTd ms 29,7 ± 13,8 15,2 ± 6,0 < 0,001 QTdc ms 34,5 ± 15,0 16,1 ± 6,6 < 0,001 Tp-e ms 90,3 ± 8,1 74,8 ± 9,9 < 0,001 JT ms 275,1 ± 23,7 278,8 ± 24,7 0,456 JTc ms 321,6 ± 26,0 295,5 ± 24,7 < 0,001 Tp-e/QT 0,26 ± 0,03 0,21 ± 0,03 < 0,001 Tp-e/QTc 0,22 ± 0,03 0,20 ± 0,03 0,007 Bpm: batimentos por minuto; JT: intervalo do fim do complexo QRS (ponto J) até o fim da onda T; JTc: intervalo JT corrigido; ms: milissegundos; QT: intervalo do começo do complexo QRS até o fim da onda T; QTc: intervalo QT corrigido; QTd: dispersão do intervalo QT, a diferença entre o intervalo QT máximo e o intervalo QT mínimo; QTdc: dispersão do intervalo QT corrigido; Tp-e: intervalo pico-fim da onda T. A duração de DM1 e os níveis de HbA1c foram significativamente correlacionados com QTc, QTd, QTdc, os intervalos Tp-e e JTc e as relações Tp-e/QT e Tp-e/QTc (Tabela 3). Não houve correlações significativos entre sexo, idade, IMC, frequência cardíaca e os parâmetros de ECG medidos. Discussão Neste estudo, verificamos que, em correlação com a duração da doença e os níveis de HbA1c, os intervalos QTc, QTd, QTdc, Tp-e e JTc e as relações Tp-e/QT e Tp-e/QTc no ECG de superfície, os quais parâmetros podem ser associados com arritmias ventriculares e morte súbita, foram significativamente aumentados em pacientes com DM1. Até onde nós sabemos, não há estudos na literatura que investiguem os intervalos Tp-e e JT ou as relações Tp-e/QT e Tp-e/QTc em pacientes com DM1. Pacientes com DM1 estão em maior risco de arritmias ventriculares e morte súbita. 9 A presença de circuitos de reentrada, atividade desencadeada e maior autonomia estão entre os possíveis mecanismos de arritmias ventriculares. Os mecanismos patológicos subjacentes às arritmias não têm sido plenamente estabelecidos em pacientes com diabetes. Abnormalidades estruturais causadas por hiperglicemia prolongada e o aumento de fibrose no miocárdio foram especulados. 10,11 Fibrose miocárdica, perda de células no tecido miocárdico vivo e vias de conduçãomiocárdica podem criar um ambiente favorável para a formação de circuitos de reentrada. Arritmias ventriculares também podem ser desencadeadas pela contribuição do equilíbrio elétrico prejudicado e pelo aumento da atividade simpática. 12,13 Demonstrou-se que QT, QTc e QTd predizem eventos arrítmicos ventriculares e morte súbita em várias situações clínicas. 14,15 O intervalo QT é um preditor importante de mortalidade cardiovascular e de todas as causas em indivíduos com diabetes mellitus tipo 2. 16 O intervalo QT representa o tempo a partir do começo de despolarização ventricular até a conclusão da repolarização. Devido ao fato que o QT é afetado pela frequência cardíaca, o intervaloQT corrigido pela frequência cardíaca (QTc) foi proposto comoumamedidamais apropriadado QT. 17 Emmuitas doenças cardiovasculares e não cardiovasculares, o QTc mostrou-se aumentado. 18 O prolongamento do QTc foi sugerido como um marcador independente de arritmias ventriculares, morte súbita e aumento da mortalidade, também em pacientes com DM1. 17,19‑22 Demonstrou-se que pacientes com DM1 apresentam uma associação positiva do prolongamento do QTc com idade, duração de diabetes e controle metabólico deficiente. 23 Nesse sentido, nós também encontramos uma correlação positiva entre o QTc e a duração de DM1 e os níveis de HbA1c. 277
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