ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020
Artigo Original Inanır et al. Preditores de arritmia em diabetes mellitus tipo 1 Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):275-280 O QTd, o qual é definido como a diferença entre o intervalo QT máximo e o intervalo QT mínimo no ECG de superfície de 12 derivações, 24 representa heterogeneidade da repolarização ventricular e foi relatado como um preditor de arritmias ventriculares. 24,25 O aumento do QTd também foi associado com morte súbita cardíaca. 26,27 Tokatli et al. relataram que o QTd foi prolongado em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 em comparação com controles. 28 Neste estudo, verificamos que o QTd foi significativamente mais alto em pacientes com DM1 também em correlação com a duração da doença e o controle glicêmico medido pelo HbA1c. Uysal et al. acharam que o QTc e o QTdc foram prolongados em crianças e adolescentes com DM1. 29 Esta prolongação, porém, não foi associada com a duração da doença e o controle glicêmico. Isto pode ser explicado pela idade relativamente jovem e a curta duração da doença. OintervaloQTécompostodecomponentes dedespolarização e repolarização. É tambémafetado pelo períodoQRS, 30 porémo intervalo JT é o componente do intervalo QT que reflete apenas a repolarização ventricular. 31 Foi sugerido que o intervalo JT possa ser um marcador mais específico de repolarização que o intervalo QT. 32 O intervalo JT pode ser afetado pela frequência cardíaca também. Portanto, o JTc pode ser mais apropriado. Nesse sentido, Alizade et al. 33 relataram que o JTc prolongado estava associado com arritmias ventriculares. O intervalo Tp-e também é um parâmetro de ECG relativamente novo para mostrar repolarização ventricular; foi associado a arritmias ventriculares e morte súbita, mesmo em pacientes com QTc normal. 34,35 A relação Tp-e/QT também foi utilizada recentemente como um novo marcador eletrocardiográfico para repolarização ventricular, 36 e foi relatado que está associado com arritmias ventriculares malignas. 37 A maioria dos estudos que avaliaram abnormalidades de despolarização ou repolarização ventricular em pacientes com DM1 utilizou a duração do QTc e o QTdc, mas os intervalos Tp-e, JT e JTc e as relações Tp-e/QT e Tp-e/QTc não foram estudados. Nós encontramos que, em adição aos intervalos QTc e QTdc, os intervalos Tp-e e JTc e as relações Tp-e/QT e Tp-e/QTc aumentam em sujeitos com DM1, em associação com a duração da doença e os níveis de HbA1c. Limitações Os cálculos manuais das medições, em vez de cálculos assistidos por computador, podem constituir uma limitação. Sistemas de medição automatizados têm sido desenvolvidos para medição de QT, porém atualmente existem alguns problemas com esses sistemas. 38 A identificação manual de T-end também é problemática, cardiologista-dependente e pouco reproduzível. Por estemotivo, os métodos automatizados podem ser preferíveis. 39 Os métodos de monitorização de ECG ambulatorial a longo prazo podem ser valiosos para documentar a associação entre os parâmetros de ECG de superfície estudados e as arritmias. O número de pacientes no nosso estudo foi relativamente pequeno. Uma população maior de pacientes forneceria resultados mais precisos. A associação entre os parâmetros de ECG poderia ser avaliada em conjunção com outros mecanismos potenciais de morte súbita, tais como disfunção autonômica e fibrose detectada por ressonância magnética. A ausência de acompanhamento clínico dos pacientes quanto a arritmias e morte súbita constitui outra limitação importante. Conclusões Estudos prévios demonstraram que o prolongamento de QTc e QTdc é importante em termos de arritmias ventriculares malignas em pacientes com DM1. 40 No entanto, os intervalos Tp-e e JTc e as relações Tp-e/QT e Tp-e/QTc não haviam sido previamente medidos em pacientes com DM1. Este estudo mostra que estes relativamente novos índices de repolarização e possíveis preditores de arritmias ventriculares aumentam significativamente em pacientes com DM1. Mais estudos são necessários para confirmar os nossos resultados. Nós esperamos que a significância clínica destes achados para a predição de arritmias malignas será avaliada em estudos futuros com acompanhamento a longo prazo e estudos prospectivos de grande escala. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa, Análise e interpretação dos dados, Análise estatística e Redação do manuscrito: Inanır M, Gunes Y, Sincer I, Erdal E; Obtenção de dados: Inanır M, Gunes Y; Obtenção de financiamento: Inanır M, Gunes Y, Erdal E; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Inanır M, Gunes Y. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Tabela 3 – Correlação da duração de doença e dos níveis de HbA1c com os parâmetros eletrocardiográficos Duração de DM1 (anos) HbA1c (%) QTc ms r = 0,417; p < 0,001 r = 0,414; p < 0,001 QTd ms r = 0,600; p < 0,001 r = 0,353; p < 0,001 QTdc ms r = 0,669; p < 0,001 r = 0,608; p < 0,001 Tp-e ms r = 0,606; p < 0,001 r = 0,602; p < 0,001 JTc r = 0,443; p < 0,001 r = 0,525; p < 0,001 Tp-e/QT r = 0,615; p < 0,001 r = 0,608; p < 0,001 Tp-e/QTc r = 0,357; p < 0,001 r = 0,352; p = 0,001 278
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