ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020

Artigo Original Fernandes et al. Tendência da insuficiência cardíaca no Brasil subdesenvolvido Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):222-231 Figura 6 – Tendência do período médio de internação (dias) por insuficiência cardíaca na Paraíba (verde) e Brasil (azul) de 2008 a 2017. 2008 8 7 6 5 4 3 2 1 0 8 7 6 5 4 3 2 1 0 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Ano Duração (dias) Duração (dias) Período médio de internação (dias) por insuficiência cardíaca na Paraíba (2008-2017) Período médio de internação (dias) por insuficiência cardíaca no Brasil (2008-2017) 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Ano 185% no número absoluto de internações por IC (de 409 000 para 1 166 000), e as taxas de internações por IC (por 100 000) aumentou de 219 para 390 nomesmo período. Outros autores, no entanto, relataramque o número de internações por IC como diagnóstico primário temdiminuído nos EUA entre 1,0% a 4,3% por ano desde 2001. 11,13 Na América Latina e Caribe, Godoy et al., 14 mostraram um decréscimo de 32% nas internações por IC entre 1992-1993 e 2008-2009, o que é consistente com os nossos resultados de uma diminuição de 34% no número absoluto de internações por IC no Brasil, e 62% na Paraíba. Essa redução pode ser um sinal de melhora no manejo dos fatores de risco para IC, 4 de diminuição na incidência de doença cardíaca isquêmica, 15 e melhoria no manejo da IC. 16 As internações por IC na Paraíba e no Brasil foram mais frequentes em indivíduos com idade entre 70 e 79 anos. Indivíduos com idade superior a 60 anos representaram 71% e 73% das internações por IC na Paraíba e no Brasil, respectivamente. Tais frequências foram similares à observada (70%) em estudos prévios conduzidos na América Latina e Caribe, e nos EUA. 2,4 Na Paraíba e no Brasil, a proporção de mulheres hospitalizadas por IC foi 48% e 49%, similar a de estudos realizados nos EUA, com 40% a 50% de mulheres. 3,17 Um pequeno estudo realizado em uma comunidade no Brasil relatou que 58% dos pacientes internados com IC eram mulheres. 18 Ainda, o I Registro Brasileiro de Insuficiência Cardíaca (estudo BREATHE) 8 descreveu que 60%de um total de 1263 internações por IC em51 centros no Brasil erammulheres. Em nosso estudo, a taxa de mortalidade por IC encontrada no período entre 2008 e 2015 foi 19,2/100 000 (±1,09) casos na Paraíba e 14,0/100 000 (±0,53) casos no Brasil, com uma redução de 10,7% e 7,7%, respectivamente. Um decréscimo na taxa de mortalidade por IC também foi descrita no Brasil e na Argentina: em São Paulo, maior cidade do Brasil, ocorreu uma diminuição em 29%, de 19,1/100 000 (1992-1993) para 13,6/100 000 (2008-2009); 14 na Argentina, um estudo de abrangência nacional mostrou uma redução de 23% na Tabela 4 – Custo total das internações por IC (US $) e tempo de internação por IC (dias) na Paraíba e no Brasil, de 2008 a 2017 PARAÍBA BRASIL Ano Custo total com hospitalizações (US$) Duração da admissão (dias) Custo total com hospitalizações (US$) Duração da admissão (dias) 2008 1.762.825,91 5 77.940.473,93 6,5 2009 2.286.531,90 5,2 89.837.575,25 6,4 2010 2.541.429,71 5,3 92.835.802,31 6,5 2011 2.378.139,40 5,5 93.939.042,90 6,6 2012 1.939.284,53 5,6 91.509.632,22 6,7 2013 1.694.005,09 5,6 93.561.446,18 6,9 2014 1.578.506,24 6,1 96.199.113,56 7,1 2015 1.233.302,85 6,5 99.069.494,68 7,3 2016 1.249.580,27 7,2 102.181.019,88 7,4 2017 1.103.600,05 7,2 85.390.241,41 7,3 Total 17.767.205,95 5,9 ± 0,8 (média ± DP) 922.463.842,32 6,9 ± 0,4 (média ± DP) DP: desvio padrão; Fonte dos dados: Sistema de Informação do SUS (DATASUS) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (contagem de 2010). 229

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