ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020
Artigo Original Gonçalves et al. Previsão do TECP em pacientes com IC e FA Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):209-218 Figura 1 – VPP e VPN de pVO 2 e da inclinação VE/VCO 2 . VE/VCO 2 sãoanalisadosjuntos,opVO 2 perdeseupoderpreditivo (p = 0,280) enquanto a inclinação VE/VCO 2 permanece preditiva do desfecho primário (p = 0,001) no grupo RS. No grupo FA, a inclinação VE/VCO 2 perdeu seu poder preditivo (p = 0,398), enquanto o pVO 2 mostrou uma tendência preditiva do desfecho primário (p = 0,091). Tem sido demonstrado que o pVO 2 previsto (%) é um marcador prognóstico útil em estudos anteriores de IC. 39 Na análise multivariada de Cox do pVO 2 previsto (%) e da inclinação VE/VCO 2 , o pVO 2 previsto (%) manteve seu poder preditivo no grupo RS (p = 0,006), em contraste com o pVO 2 , enquanto no grupo FA, ele mostrou uma tendência à previsão do desfecho primário (p = 0,094) e apresentou o maior valor preditivo da AUC (0,878). A OUES é derivada da plotagem do VO 2 em função do log10VE, que é uma relação aproximadamente linear, indicando a eficácia com que o O 2 é extraído e levado para o corpo. 40 Nos pacientes com IC, a OUES está reduzida em proporção à gravidade da doença e associada ao desfecho. 41,42 Em nossa população, a OUES teve a AUC numericamente mais baixa para previsão do desfecho primário nos grupos FA e RS, e perdeu seu poder preditivo na análise multivariada de Cox quando comparada ao pVO 2 e quando comparada à inclinação VE/VCO 2 , o que está de acordo com outro estudo anterior. 43 Limitações do estudo Existem limitações em nosso estudo que devem ser mencionadas, Embora os dados tenham sido obtidos nas consultas ambulatoriais, os prontuários médicos foram revisados e complementados com uma entrevista telefônica padronizada realizada com todos os pacientes aos 12 meses de seguimento para coletar dados para os desfechos primários e secundários, As informações referentes à seleção ou não do controle do ritmo para o tratamento da FA não foram coletadas, Apesar disso, o objetivo do estudo foi definir, durante a avaliação inicial, quais pacientes necessitavam de indicação precoce para TC ou suporte circulatório mecânico, reduzindo a importância das informações mencionadas acima, Apesar dos sete anos de seguimento de pacientes avaliados para TC em um centro avançado de insuficiência cardíaca, a coorte analisada não foi maior que em outros estudos sobre a relação entre IC e FA. 2,36,38 No entanto, o tamanho da amostra é semelhante a outros estudos que destacaram o valor dos parâmetros do TECP, inclusive na seleção de pacientes para TC. 8,32,35,44,45 Como os pacientes foram encaminhados para um hospital terciário para fins de avaliação com a equipe de insuficiência cardíaca e possível indicação para transplante cardíaco ou suporte circulatório mecânico, esses pacientes podem não ser representativos da comunidade com IC mais velha ou com mais comorbidades, que não são candidatos a tratamento avançado da IC. Conclusões Apesar da FA resultar em um prognóstico pior para os pacientes com IC, o atual ponto de corte de pVO 2 para a seleção do TC pode estratificar com precisão esse grupo de pacientes de alto risco. Os achados do presente estudo sugerem que pacientes com IC e FA e um TECP abaixo do atual ponto corte de pVO 2 para a seleção do TC devem ser rapidamente encaminhados para TC ou suporte circulatório mecânico, uma vez que o tratamento médico está associado a resultados negativos em 1 ano, com um VPP maior do que os pacientes em RS. Além disso, o ponto de corte do pVO 2 parece ter maior VPP do que o ponto de corte da inclinação VE/VCO 2 para a previsão do desfecho primário em pacientes com IC e FA. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa: Gonçalves AV, Pereira- da-Silva T, Soares R; Obtenção de dados: Pereira-da-Silva T, Soares R, Feliciano J, Moreira RI, Rio P; Análise e interpretação 216
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=