ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020
Artigo Original Gonçalves et al. Previsão do TECP em pacientes com IC e FA Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):209-218 FA e RS, respectivamente), com VPN semelhante ao pVO 2 (92,3% e 98,3% para os grupos FA e RS, respectivamente). Discussão A presença de FA está associada a um efeito prognóstico negativo na IC, com aumento de mortalidade de 50 a 90% e progressão da IC no Framingham Heart Study , 12 Nossa população revelou algumas diferenças basais entre os grupos RS e FA, com alguns dos marcadores prognósticos descritos anteriormente da IC, pois os pacientes com FA eram mais velhos, 13,14 apresentavam menor TFG, 15-17 com pior função do ventrículo direito 18 e menor FEVE. 19,20 Em relação aos parâmetros do TECP, nossos pacientes com FA revelaram uma capacidade de exercício menor do que os pacientes com RS, pois apresentavam uma inclinação VE/VCO 2 mais alta e menor duração do TECP, pVO 2 , OUES, tempo para LA e pVO 2 em LA, Como esperado, essas diferenças se converteram em pior prognóstico no grupo FA, com um aumento de 2 vezes nos eventos de endpoint primário (17,6% vs, 8,1%, p = 0,038) e aumento de 3 vezes na mortalidade por todas as causas (17,6% vs. 6,3%, p = 0,008) no seguimento de 1 ano. A maioria dos preditores do endpoint primário foram preditores para ambos os grupos RS e FA. Foram incluídos neste grupo o HFSS, 21 Sódio, 22 NTproBNP, 23-25 disfunção do ventrículo direito, 18 menor FEVE, 19,20 duração do TECP, RFC1 26 e PAS inicial e máxima durante o TECP, 27 sendo todos descritos anteriormente como marcadores prognósticos em pacientes com IC. Foram encontradas diferenças em relação à FC máxima e variação da FC durante o exercício, com valores mais baixos nos pacientes com FA, prevendo o desfecho primário apenas nesse grupo. Pacientes que não recebiam BB foram preditivos do desfecho primário somente no grupo RS, mas não no grupo FA. Se isso está de acordo com outros estudos que não revelaram benefício prognóstico do BB no grupo com FA de pacientes com IC 28-30 ou devido a uma análise de baixa potência, uma vez que apenas 11 pacientes do grupo com FA não estavam recebendo BB não pode ser garantido, Valor de corte para a seleção do TC: VPP e VPN para o desfecho primário Ainda não foi estudado especificamente se os pacientes com IC e FA podem ser estratificados com precisão com os atuais pontos de corte do TECP para a seleção de TC, O valor de corte para pVO 2 mostrou um VPP para o desfecho primário de 100% no grupo FA e 38,5% no grupo RS, com um VPN de 95,5% e 94,3% nos grupos FA e RS, respectivamente, Portanto, apesar da FA apresentar um prognóstico pior em pacientes com IC, o atual ponto de corte do pVO 2 para a seleção de TC pode estratificar com precisão esses pacientes de alto risco, sem nenhum paciente sob o ponto de corte sendo diagnosticado erroneamente como paciente de alto risco e menos de 5% pacientes acima do ponto de corte com desfecho primário no seguimento de 1 ano (Figura 1). Esses resultados sugerem que os pacientes sob o ponto de corte de pVO 2 devem ser tratados adequadamente, considerando-se encaminhar rapidamente para TC ou suporte circulatório mecânico, uma vez que o tratamento médico está associado a resultados negativos em um período de 1 ano, e que podemos estar relativamente seguros em relação aos desfechos de 1 ano dos pacientes acima do ponto de corte. Em relação aos pacientes com RS, os menores riscos associados são responsáveis por um menor VPP acima do ponto de corte do pVO 2 , O VPP aumentou de 38,5% para 75%, quando a análise excluiu pacientes que não recebiam BB, O VPN permanece alto nesse grupo (94,3%). Durante o exercício, tanto a produção de CO 2 quanto a ventilação aumentam de maneira constante, mas em pacientes com IC, a inclinação da proporção aumenta. 31 Estudos anteriores confirmaramo impacto prognóstico de VE/ VCO 2 em pacientes com IC, com valores mais altos associados a piores desfechos. 32-35 Entretanto, o valor de VE/VCO 2 em pacientes com FA e com IC não está tão bem estabelecido, com diferenças nos resultados em alguns estudos. 36,37 Em nosso estudo, com uma inclinação VE/VCO 2 > 35, foram relatados valores mais baixos de VPP (33,3% e 29,8% para os grupos FA e RS, respectivamente), com VPN semelhante em comparação aos resultados de pVO 2 (92,3% e 98,3% para os Grupos FA e RS, respectivamente, figura 1). O poder de predizer o desfecho primário pela inclinação VE/VCO 2 revelou uma AUC de 0,906 para o grupo RS (o mais alto de todos os parâmetros TECP analisados) e 0,844 no grupo FA, sem diferença estatisticamente significante ao comparar os diferentes valores de AUC dos parâmetros TECP. Essas diferenças no VPP podem sugerir que, apesar da inclinação VE/VCO 2 ser pelo menos tão boa para a avaliação prognóstica em pacientes com IC quanto o pVO 2 , o ponto de corte a ser utilizado com a inclinação VE/VCO 2 não está tão bem estabelecido como o ponto de corte para pVO 2 em pacientes com FA. Um estudo anterior mostrou que, em uma análise multivariada de Cox, o pVO 2 foi identificado como único preditor significativo de eventos cardíacos em pacientes com IC em RS e a inclinação VE/ VCO 2 em pacientes com FA. 38 Nossos resultados, no entanto, não coincidem com os resultados anteriores. De fato, nossa análise multivariada de Cox (Tabela 5) mostrou que quando o pVO 2 e a inclinação Tabela 7 – Proporção de pacientes classificados corretamente aos 12 meses de seguimento FA RS pVO 2 ≤ 12 mL/kg/min ou ≤ 14 mL/kg/min sem BB 7/7 - 100% 5/13 - 38,5% pVO 2 > 12 mL/kg/min ou > 14 mL/kg/min sem BB 42/44 - 95,5% 198/210 - 94,3% pVO 2 ≤ 12 mL/kg/min apenas em pacientes recebendo BB 5/5 - 100% 6/8 - 75% pVO 2 > 12 mL/kg/min apenas em pacientes recebendo BB 34/35 - 97,1% 161/169 - 95,3% Inclinação VE/VCO 2 > 35 7/21 - 33,3% 14/47 - 29,8% Inclinação VE/VCO 2 ≤ 35 28/30 - 92,3% 173/176 - 98,3% FA: fibrilação atrial; RS: ritmo sinusal; pVO 2 : pico de consumo de O 2 ; BB: betabloqueadores. 215
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