ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020

Atualização Atualização da Diretriz Brasileira de Cardiologia Nuclear – 2020 Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):325-429 Tabela 30 – Indicações já estabelecidas e potenciais indicações da cintilografia cardíaca com MIBG- 123 I Cenários clínicos Estabelecidos Potenciais ICFEr • Estratificação de risco, independentemente de outros parâmetros, avaliação de progressão de IC, eventos arrítmicos e mortalidade cardíaca total até 2 anos • Identificação de um subgrupo de baixo risco para eventos cardíacos e mortalidade • Seguimento clínico de terapias médicas indicadas nas diretrizes • Identificar os pacientes mais prováveis a se beneficiarem da TRC ou DAVE • Guiar o tratamento de pacientes com DAVE: ponte para transplante, possível explante • Marcador substituto para avaliar benefício de novas terapias médicas e dispositivos ICFEp • Subanálises de estudos maiores mostram capacidade de estratificação de risco similar àquela vista em pacientes com ICFEr • Identificar pacientes que podem ser de maior risco do que aquele aparentado clinicamente Arritmias associadas à IC • Estratificação de risco para arritmias ventriculares letais ou potencialmente letais até 2 anos • Identificação de pacientes de muito baixo risco de eventos arrítmicos letais até 2 anos. • Refinar critérios de indicação para pacientes que se beneficiarão de CDI • Ajudar a identificar pacientes que não mais necessitarão de CDI, em fim de vida da bateria ou com quadro de infecção do dispositivo Condições arrítmicas primárias • Identificação de pacientes de risco a desfechos piores, incluindo eventos arrítmicos e mortalidade total • Melhorar entendimento da fisiopatologia das condições arrítmicas primárias • Guiar conduta de pacientes com condições arrítmicas primárias Transplante cardíaco • Acompanhar reinervação cardíaca após transplante • Identificar pacientes mais prováveis de terem complicações após transplante, incluindo rejeição e transplante por DAC Doença cardíaca isquêmica • Avaliação da área de risco em pacientes com síndromes coronárias agudas • Estratificação de risco de pacientes com miocárdio hibernante • Guiar conduta de pacientes com síndromes coronárias agudas • Guiar conduta de pacientes após evento isquêmico • Memória isquêmica Diabetes mellitus • Identificação de anormalidades autonômicas cardíacas, incluindo pacientes sem manifestações extracardíacas • Identificar pacientes de maior risco clínico do que o aparente, auxiliando o diagnóstico e orientando tratamentos apropriados Cardiotoxicidade por quimioterápico • Identificar e quantificar lesão cardíaca em pacientes sob estes tratamentos • Guiar conduta quimioterápica • Melhorar entendimento da fisiopatologia de toxicidade por fármacos CDI: cardioversor-desfibrilador implantável; DAC: doença arterial coronária; DAVE: dispositivo de assistência ventricular esquerda; IC: insuficiência cardíaca; ICFEp: IC com fração de ejeção preservada; ICFEr: IC com fração de ejeção reduzida; MIBG- 123 I: metaiodobenzilguanidina marcada com iodo-123; TRC: terapia de ressincronização cardíaca. Adaptada de JCS Joint Working Group. 339 Tabela 31 – Recomendações para cintilografia cardíaca com MIBG-123I de acordo com as diretrizes da Sociedade de Circulação Japonesa 339 Indicação Classificação da recomendação Nível de evidência Avaliação da gravidade e prognóstico de pacientes com insuficiência cardíaca (IC) I B Avaliação dos efeitos do tratamento da IC IIa C Doença arritmogênica IIb C média de 17 meses. Cerca de 25% dos pacientes (n = 237) apresentaram eventos cardíacos, com aproximadamente 70% dos primeiros eventos sendo progressão da IC crônica; 20% eventos arrítmicos potencialmente letais (TV sustentada > 30 segundos, parada cardíaca com reanimação e disparo apropriado do cardioversor-desfibrilador implantável - CDI); e cerca de 10% morte cardíaca, com 22% dos pacientes apresentando múltiplos eventos. Risco menor do desfecho composto foi observado em pacientes com RC/M ≥ 1,60 versus RC/M < 1,60 (38%; razão de chance de 0,40; p < 0,001) com uma relação de risco altamente significante para cada componente individual do desfecho composto primário avaliado no estudo. Ressalta-se que a mortalidade total em dois anos foi cerca de cinco vezes maior (16,1% versus 3,0%) em pacientes comRC/M tardia< 1,60 comparada àqueles com RC/M ≥ 1,6, respectivamente. 337 Considerando-se tais informações, a FDA aprovou o MIBG- 123 I ( AdreView R ) em 2013 na avaliação da inervação simpática cardíaca de pacientes com IC classe II-III da New York Heart Association (NYHA) e FEVE < 35%. 326 Adicionalmente à avaliação prognóstica na IC 333-339 outras aplicações podem ser destacadas como: avaliação da resposta terapêutica a medicamentos; 340,341 indicação e avaliação de resposta à terapia de ressincronização cardíaca (TRC), 342 indicação de implante e explante de dispositivos de assistência mecânica ventricular esquerda 343,344 e CDI; avaliação da reinervação após transplante cardíaco. 345 A RC/M tardia do MIBG- 123 I em pacientes com IC crônica grave, de acordo com os critérios tradicionais de classificação (FEVE, BNP, classe funcional), pode ajudar a reclassificar os pacientes em categoria de menor risco de eventos. Aqueles com RC/M tardia ≥ 1,6 (mesmo com FEVE muito baixa e BNP elevado) apresentam baixa probabilidade de evento cardíaco grave em um prazo de até 2 anos, informação que pode levar a mudanças de tratamento. 331 Esse marcador pode, também, ajudar a refinar critérios de indicação para terapias invasivas e de alto custo na IC, como TRC 342,346 e implante de CDI. 347,348 Estudo brasileiro realizado por Nishioka et al., 342 mostrou que a RC/M tardia foi o único fator preditivo independente de resposta à terapia. Os pacientes com RC/M < 1,36 tiveram menor chance de se beneficiar da TRC, sugerindo, 404

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