ABC | Volume 114, Nº1, Janeiro 2020
Artigo Original Brianezi et al. Efeitos do treinamento físico sobre o miocárdio Arq Bras Cardiol. 2020; 114(1):100-105 direito e esquerdo foram seccionados. Amostras do ventrículo esquerdo foram fixadas em formalina tamponada a 10% durante 24 horas. Em seguida, o tecido foi transferido para uma solução de álcool etílico 70%, desidratado em sequência crescente de etanol, diafanizados em xilóis e embebidos em parafina. Foram realizados cortes não seriados de 5μm de espessura, onde cada lâmina recebeu um total de 6 cortes. As lâminas foram coradas pela técnica de Picrosirius, para a análise das fibras colágenas I e III no ventrículo esquerdo e visualizadas através de microscopia de luz polarizada. A densidade de volume das fibras colágenas I e III (Vv[fc]) expressa a fração do volume ocupado pelas fibras colágenas em relação ao volume total da imagem avaliada. Para essa análise, foi utilizado o sistema teste com um total de 475 pontos, que corresponde a 100% da imagem, usando o programa Image J. (versão 1.47 - National Intitutes of Health; COLLINS, 2007). Imunohistoquímica Para as técnicas de imunohistoquímica, foram feitos cortes com espessura de 3 a 4 micrômetros, que foram montados em lâminas previamente silanizadas a 4%. Depois, as lâminas foram desparafinizadas, utilizando estufa a 57ºC pernoite, sendo então imersas em banhos de xilol com duração de 30 minutos. Em seguida, elas foram hidratadas em álcool etílico nas concentrações decrescentes de 100%, 80% e 70%, cada qual com uma duração de 5 minutos e, depois, lavadas em água corrente. Na etapa seguinte, a recuperação antigênica foi realizada em banho-maria a 90°C. As lâminas foram colocadas em tampão citrato durante 30 minutos e, então, lavadas em água corrente. Foi realizado o bloqueio da peroxidase endógena com H 2 O 2 por 15 minutos, seguindo-se as lavagens em água corrente e destilada e em PBS pH= 7,4. Para cada lâmina, foi utilizado um anticorpo específico (Tabela 1), após o que foram incubadas, em câmara úmida (overnight, a 4ºC). O material foi então lavado com tampão PBS e incubado com anticorpo secundário biotinilado por 30 minutos, lavado de novo com PBS e incubado com um anticorpo streptoavidina‑peroxidase por outros 30 minutos. Um substrato cromogênico, solução DAB (33-Diaminobenzidina) na proporção de 1:1, foi utilizado, durante cinco minutos, em temperatura ambiente, para lavar o material com solução PBS e revelar a reação. Ao observar-se a formação de um precipitado castanho escuro, as lâminas foram colocadas em água corrente e, em seguida, contra-coradas com hematoxilina de Harris por 2 minutos. Depois disso, foram submetidas a 3 banhos de xilol para diafinizar e 2 banhos de álcool. As lâminas forammontadas com lamínulas e Entellan®. Em todas as técnicas, observando-se a presença de um precipitado castanho escuro, a amostra foi visualizada utilizando-se microscópio de luz. A análise quantitativa das imagens foi realizada através do programa ImageLab 2000, por meio do qual foram selecionadas as marcações em marrom e contabilizadas a intensidade da imunoexpressão, como demonstrado na figura 1. Análise estatística Valores absolutos e relativos foram utilizados para descrever as variáveis qualitativas. Para as análises quantitativas com distribuição normal (Shapiro-Wilk > 0,05), utilizou-se média, desvio padrão, mínimo e máximo e, para as variáveis sem distribuição normal (Shapiro-Wil < 0,05), mediana e percentis. Para estudar as diferenças entre variáveis clínicas com os grupos, os testes de Kruskal-Wallis e Anova foram utilizados, complementados pelo teste de Dunn ou Bonferroni. Para todas as análises, um nível de confiança de 95% foi usado. Para a análise estatística, o programa STATA (versão 11.0) foi utilizado. Resultados Nossos dados mostraram redução significativa da densidade de volume de fibras colágenas do tipo I no grupo dislipidêmico ovariectomizados (LDLr-OS) (-51%). O grupo LDLr-OT apresentou uma diminuição de 100% quando comparado com o grupo COS e uma diferença significativa em relação aos grupos COT e LDLr-S. A tabela 2 mostra a associação das variáveis expressão de COX-2 e MMP 9 e densidade de volume de fibras colágenas tipo I, em relação aos grupos de animais estudados. Em relação à expressão da metaloproteinase tipo 2, no grupo controle (CS), houve aumento significativo de 24% no grupo ovariectomizado (COS). Quando realizado o treinamento físico (COT), houve um aumento de 72% e, na presença de dislipidemia (LDL-S), o aumento foi de 92%. No grupo dislipidêmico (LDL-OS), com a ovariectomia, os valores caíram 27% em relação do grupo LDLr-S e 18% em relação ao grupo COT, mas os valores ainda permaneceram acima daqueles observados nos grupos controle (42% em relação ao grupo CS e 14% em relação ao grupo COS). Quando realizado o treinamento no grupo dislipidêmico ovariectomizado LDLr‑OT, os resultados obtidos demonstraram um aumento de 15% na comparação com o grupo ovariectomizado sedentário LDLr-OS e uma diminuição de 15% em relação ao grupo LDLr-S. Quando comparados com o grupo controle, houve um aumento de 64% em relação ao grupo CS, de 32% em relação ao grupo COS e uma diminuição de 5% em relação ao grupo COT. Quando os dados do estresse oxidativo foram analisados, em relação à expressão de 8OHDG, houve uma diminuição dos índices para o grupo controle (CS); diminuição de 33% no grupo submetido à ovariectomia (COT) e diminuição de 39% no grupo submetido ao treinamento. Com a presença de dislipidemia (LDLr-S), houve uma diminuição de 51% em relação ao grupo CS, e no grupo dislipidêmico ovariectomizado (LDLrOS), houve diminuição de 85% em relação ao grupo CS, 78% no grupo COS, 76% em relação ao grupo COT e 70% em relação ao grupo LDLr-S. Quando realizado o treinamento no grupo dislipidêmico ovariectomizado (LDLr-OT), os dados apresentaram um aumento de 152% em relação ao grupo LDLr-OS e uma diminuição nos grupos controle, com 63% para o grupo CS, 45% para o grupo COS e 40% para o grupo COT. Para os parâmetros relacionados à densidade de volume de fibras colágenas do tipo III, metaloproteinase 9 e inflamação (COX2), os valores obtidos para os grupos controles e dislipidêmicos não mostraram diferenças significativas em nenhum parâmetro (Tabela 3). 102
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