ABC | Volume 113, Nº4, Outubro 2019

Ponto de Vista Godoy et al. Residência em cardiologia no Brasil Arq Bras Cardiol. 2019; 113(4):768-774 Figura 1 – Comparação na distribuição dos programas de residência em cardiologia entre o Brasil e os Estados Unidos (sem Porto Rico). b27,28,30,35 Norte Área: 1,487,976 sq mi (45%) Programas de Residência em cardiologia: 3 (2%) População: 17,707,783 Habitantes (8,6%) Centro-Oeste e Distrito Federal Área: 620,171 sq mi (19%) Programas de Residência em cardiologia: 18 (11%) População: 15,660,988 Habitantes (7,6%) Sudeste Área: 356,993 sq mi (11%) Programas de Residência em cardiologia: 88 (53%) População: 86,356,952 Habitantes (42%) Sul Área: 222,697 sq mi (7%) Programas de Residência em cardiologia: 29 (17%) População: 29,439,773 Habitantes (14,2%) Nordeste Área: 600,115 sq mi (18%) Programas de Residência em cardiologia: 29 (17%) População: 56,915,936 Habitantes (27,6%) Centro-oeste Área: 821,724 sq mi (21,6%) Programas de Residência em cardiologia: 48 (25%) População: 67,941,429 Habitantes (21%) Nordeste Área: 181,320 sq mi (4,8%) Programas de Residência em cardiologia: 58 (30,2%) População: 56,209,510 Habitantes (17,4%) Sul Área: 920,446 sq mi (20,2%) Programas de Residência em cardiologia: 56 (29,2%) População: 122,319,574 Habitantes (37,9%) Oeste Área: 1,873,252 sq mi (49,4%) Programas de Residência em cardiologia: 30 (15,6%) População: 76,657,000 Habitantes (23,7%) cardíaca congênita e transplante cardíaco e/ou passar mais tempo em pesquisa e estágios eletivos. 25 Em comparação a residentes da América do Norte e alguns países europeus, os médicos residentes do Brasil passam menos tempo em testes não invasivos e no laboratório de cateterismo, uma vez que essas habilidades são treinadas com mais profundidade por aqueles que escolhem essas subespecialidades. O treinamento na América do Norte e na Europa geralmente inclui o preenchimento de documentação e descrição de procedimentos. 10,15,18 Ainda, no Brasil, pouca ênfase é dada à pesquisa, ao contrário do que se observa em países em que os programas de residência são mais longos. Os programas de residência no Brasil têm como foco aspectos práticos da cardiologia (cerca de 80% do tempo); enquanto atividades didáticas, tais como palestras, seminários, e outros, são realizadas nos 20% restante do tempo. A proposta sob discussão de modificar o tempo de residência de dois para três anos certamente contribuiria para ummelhor treinamento em áreas importantes, como pesquisa. Disponibilidade e distribuição de centros de treinamento No Brasil, em 2017, 502 novos residentes a iniciaram a residência em cardiologia em 167 programas, distribuídos de forma irregular pelas regiões do país (média de 0,24 médico residente/100 000 habitantes); 26 os números respectivos para os EUA para o período de 2016/2017 foram 855 novos residentes em cardiologia em 193 programas (0,26 médico residente/100 000 habitantes). 27 Contudo, a proporção de cardiologistas/100 000 habitantes em ambos os países é de 7,47 para o Brasil e 6,83 para os EUA 26, 28-30, b (Figura 1). No Canadá, existem 15 programas de residência em cardiologia. Um total de 58 novos residentes (PGY-4 – quarto ano de pós-graduação em medicina de acordo com sistema Canadense) iniciaram o programa de residência em cardiologia em 2016/2017 (0,16 novos médicos residentes/100 000 habitantes), a maioria deles (50 residentes) recebendo auxílio financeiro do governo (Figura 2). A maioria dos programas são desenvolvidos nas províncias de Ontário (21 novos residentes em cardiologia em cinco programas), e de Quebec (16 novos residentes em cardiologia em quatro programas), especialmente nas cidades de Toronto e Montreal, respectivamente. Apesar de o Canadá ser um vasto país em termos territoriais, a maioria de seus 35 milhões de habitantes vive a 100 milhas (160km) da fronteira com os EUA. 31,32 O Brasil também apresenta uma variabilidade significativa na densidade populacional e recursos financeiros pelo país e, consequentemente, a distribuição dos programas de residência é bastante desigual, e a maioria dos programas são conduzidos em instituições das regiões sul e sudeste (Figura 1). De fato, um único estado de um total de 26, o estado de São Paulo, concentra mais de um terço das vagas disponíveis de todo o país. Esse fato reflete a distribuição das escolas médicas nessas áreas; a região sudeste concentra a maioria das escolas médicas, enquanto a região norte, ocupada principalmente pela floresta Amazônica e com a menor densidade populacional do país, apresenta o menor número de escolas médicas e programas de residência em cardiologia. Nos EUA, a distribuição dos programas de residência em cardiologia também é desigual, mas não como no Brasil. Apesar de apresentar a menor área geográfica, é 771

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