ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019

Artigo Original Villela et al. Preferência ao sal e hipertensão Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):392-399 vendido nessa comunidade contém, em média, 2% de sal na sua composição. Consequentemente, nós oferecemos uma amostra de pão com menos sal (1,5% de sal; 30% menos sal do que o pão comum), uma amostra com a quantidade normal de sal (2,0%), e uma amostra de pão com uma quantidade maior de sal (2,7% de sal; 30% mais sal do que o pão normal). As três amostras de pão foram preparadas no dia do teste e oferecidas para os voluntários aleatoriamente em sacos de papel descartáveis, codificados com números aleatórios de três dígitos, de modo que o investigador envolvido no teste não tivesse conhecimento da quantidade de sal de cada amostra. No teste de degustação, as amostras foram provadas da esquerda para a direita, com um tamanho padronizado de 10 a 15 g cada, para proporcionar uniformidade. Os pacientes beberam água mineral em temperatura ambiente entre as amostras para ajudar a remover o sabor. No final do teste, foi solicitado aos voluntários, que não sabiam que as amostras de pão continham quantidades diferentes de sal, que indicassem qual amostra eles haviam preferido. Foi pedido aos voluntários que evitassem comer e beber 2 horas antes do experimento. No segundo experimento, duas semanas mais tarde, foi proposto aos participantes que provassem novamente as 3 amostras de pão francês, contendo as mesmas quantidades diferentes de sal do primeiro experimento (1,5%, 2,0% e 2,7%), mas dessa vez acrescido de orégano (0,23 g/100 g de pão), e que eles indicassem sua preferência. Não houve alterações na medicação entre o primeiro e segundo testes. Análise dos dados Primeiramente, foi realizada uma análise exploratória dos dados. As variáveis contínuas com distribuição normal foram expressas emmédia e desvio padrão e as variáveis categóricas foram expressas em números absolutos e porcentagens. O teste exato de Fisher foi usado para comparar as variáveis categóricas, o teste de McNemar foi usado para avaliar o efeito da intervenção e o teste ANCOVA foi proposto para comparar os grupos e verificar o efeito das covariantes. 22 Esta análise pressupõe que a distribuição dos resíduos siga a distribuição normal commédia 0 e variância σ 2 constante. As variáveis que não apresentaram distribuição normal foram transformadas. As diferenças foram consideradas estatisticamente significantes quando p <0,05. Todos os dados foram submetidos ao pacote estatístico SAS, versão 9.0 (SAS Institute, Cary, NC). Resultados A distribuição das variáveis sexo e consumo de álcool foi semelhante em todos os grupos (p = 0,63; p = 0,26). Houve ummaior percentual de tabagistas nos pacientes jovens em relação aos idosos (p < 0,001) (Tabela 1). A excreção urinária de sódio foi maior nos grupos hipertensos (indivíduos jovens e idosos) em comparação com os grupos normotensos (voluntários jovens e idosos) (p < 0,05) (Tabela 1), e foi maior nos homens do que nas mulheres (homens: 170,9 ± 73,6 mEq/24h vs. mulheres: 142,6 ± 46,0 mEq/24 h, p = 0,01). Os voluntários que consumiam álcool tiveram maior excreção de sódio do que aqueles que não consumiam (p = 0,02). A excreção urinária média de potássio foi menor nos idosos normotensos do que nos outros grupos (p < 0,05) (Tabela 1). A PAS foi maior nos grupos hipertensos (indivíduos jovens e idosos) em relação aos grupos de não hipertensos (indivíduos jovens e idosos), com p < 0,05. A PAD média foi significativamente maior no grupo dos sujeitos JH em relação a todos os outros grupos de voluntários (p < 0,05) (Tabela 1). Tabela 1 – Características e Distribuição dos dados clínicos dos voluntários incluídos no estudo Jovem hipertenso (JH); n = 25 Jovem normotenso (JN); n = 33 Idoso hipertenso (IH); n = 32 Idoso normotenso (IN); n = 28 Valor de p Sexo p = 0.63 Masculino 11 (44,0%) 13 (30,3%) 9 (28,1%) 10 (35,7%) Feminino 14 (56,0%) 20 (60,7%) 23 (71,9%) 18 (64,3%) Uso de Álcool p = 0,26 Sim 9 (36,0%) 15 (45,5%) 8 (25,0%) 7 (25,0%) Não 26 (64,0%) 18 (54,5%) 24 (75,0%) 21 (75,0%) Hábito de fumar p < 0,001 Sim 6 (24,0%) 4 (12,2%) 0(0%) 1(3,5%) Não 19 (76,0%) 29 (87,8%) 32 (100%) 27 (96,5%) Idade, anos 40,8 ± 6,2 35,6 ± 4,4 73,6 ± 6,3 71,4 ± 7,8 PAS, mmHg 137 ± 15 116 ± 11 134 ± 16 125 ± 12 p < 0,05* PAD, mmHg 86 ± 9 75 ± 9 79 ± 9 75 ± 7 p < 0,05** UNaV, mEq/L 181,0 ± 74,2 127,6 ± 36 177,3 ± 62,3 129,6 ± 3 6,6 p < 0,05* UKV, mEq/L 46,2 ± 13,4 40,3 ± 12,8 45,2 ± 14,5 35,2 ± 10,1 p < 0,05*** IMC, kg/m 2 29,1 ± 5,0 25,9 ± 4,0 29,1 ± 5,1 27,0 ± 4,0 p = 0,02* PAS: pressão arterial sistólica; PAD: pressão arterial diastólica; IMC: índice de massa corporal; UNaV: excreção urinária de sódio de 24 horas; UKV: excreção urinária de potássio de 24 horas; p*: hypertensive groups vs. normotensive groups; p**: young hypertensive group vs. other groups. 394

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