ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019
Artigo Original Villela et al. Preferência ao sal e hipertensão Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):392-399 100 80 60 40 20 0 0 1 2 3 Voluntários, % Idosos hipertensos Jovens hipertensos Figura 1 – Distribuição da preferência pelas amostras de pão entre os voluntários hipertensos no primeiro experimento, sem a adição de orégano. 0: não percebeu a diferença; 1: preferiu a amostra com 1,5% de sal; 2: preferiram a amostra com 2,0% de sal; 3: preferiram a amostra com 2,7% de sal. O IMC foi maior nos grupos hipertensos do que nos grupos de normotensos (p = 0,02) (Tabela 1). Nos dois dias de experimento, os homens preferiram as amostras mais salgadas quando comparados com as mulheres (p < 0,01 no primeiro experimento e p = 0,01, no segundo). Entre os voluntários que consumiam álcool foi observada maior preferência pelas amostras mais salgadas, no primeiro experimento, do que nos outros grupos de voluntários (p = 0,04), mas essa diferença deixou de existir quando foi acrescentado orégano às amostras (segundo experimento) (p = 0,10). Nenhuma diferença foi observada na comparação entre fumantes e não fumantes. Nos dois dias de experimentos, o sexo, o consumo de álcool e o tabagismo não apontaram nenhuma diferença nos grupos de idosos (hipertensos e normotensos), ao passo que foram observadas diferenças entre os grupos de jovens. No primeiro experimento, entre as mulheres do grupo JN predominou a preferência pelas amostras com menor quantidade de sal, enquanto que entre os homens predominou a preferência pelas amostras mais salgadas (p < 0,01). No segundo experimento (adição de orégano), a distribuição foi semelhante entre os sexos, com uma tendência não significativa à mudança na preferência por amostras menos salgadas entre os homens (p = 0,06). No grupo JH, entre aqueles indivíduos que consumiam mais álcool, predominou, no primeiro experimento, a preferência pelas amostras mais salgadas e, no segundo experimento (adição de orégano), eles passaram a preferir amostras de pão menos salgadas (p = 0,04). No primeiro dia do experimento, houve diferença na preferência entre os grupos de idosos hipertensos e normotensos (p < 0,01), com uma predominância na preferência por amostras mais salgadas entre o grupo de idosos hipertensos, que persistiu no segundo experimento (p = 0,02). No grupo JH, foi observada maior preferência por amostras com concentrações mais elevadas de sal, quando comparado com os indivíduos do grupo JN (p = 0,02), e essa diferença persistiu no segundo experimento (p < 0,01). Os grupos de idosos e JH tiveram uma distribuição semelhante no primeiro e no segundo experimentos (p = 0,27 e p = 0,25), e os grupos de idosos e JN não mostraram diferenças na preferência (p = 0,11 e p = 0,34). Ao compararmos o primeiro e o segundo experimentos, observamos alterações significativas em todos os grupos. Nos grupos de hipertensos (indivíduos jovens e idosos), predominou a preferência por amostras mais salgadas no primeiro experimento (Figura 1), ao passo que foi observada, no segundo experimento (Figura 2), uma mudança de preferência para as amostras do pão padrão e amostras com menor concentração de sal (p < 0,01para o grupo de idosos hipertensos e 0,04 para o grupo JH). No grupo de voluntários IN, no primeiro experimento, a preferência mais comum foi pelas amostras de pão padrão (Figura 3), ao passo que foi observada uma preferência pela amostra com menor concentração de sal no segundo experimento (com a adição de orégano) (p < 0,01) (Figura 4). No primeiro experimento, os indivíduos do grupo JN preferiram as amostras com menor concentração de sal (Figura 3), sendo observado um aumento dessa preferência no segundo experimento (p = 0,03) (Figura 4). O orégano parece influir na capacidade de distinção de sabores, pois o número total de voluntários que não percebeu diferenças entre as amostras subiu de 3 (3,13%) para 18 (15,25%), com p < 0,001. Discussão Nós encontramos uma evidente predominância de preferência ao sal nos participantes hipertensos em comparação com os grupos de não hipertensos. Neste estudo, foi realizada uma análise sensorial para investigar a preferência ao sal através de um método semelhante àquele empregado por Shepherd et al., 23 que compararam a preferência de indivíduos hipertensos por 395
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