ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019
Atualização Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663 sinusal, um marca-passo de emergência pode salvar vidas. O marca-passo transcutâneo não invasivo tem sido usado para tratar adultos com bradicardia, mas a experiência em crianças é limitada. Formas alternativas de estimulação de marca-passo não invasivo (transesofágico) ou invasivo (transtorácico ou transvenoso), usualmente requerem supervisão especializada. Fase 10 Se ocorrerem outros ritmos ou PCR, deve-se recorrer à RCP. 12.7.2. Taquiarritmias As taquicardias são definidas como FC acima do normal para a idade. Podem ser divididas, de acordo com a duração do complexo QRS, em taquicardias de complexo QRS largo ou estreito. As taquiarritmias 967,968 podem causar sinais e sintomas inespecíficos, que diferem conforme a idade do paciente, e os achados clínicos podem incluir palpitações, sensação de cabeça vazia, tontura, fadiga e síncope. Em lactentes, a taquiarritmia pode passar sem ser detectada por longos períodos (por exemplo: por horas, em casa) até que o DC seja significativamente comprometido, e o lactente desenvolva sinais de IC congestiva, como alimentação inadequada, respiração rápida e irritabilidade. Episódios de FC extremamente rápida são potencialmente fatais, caso comprometam significativamente o DC. Solicite exames laboratoriais adequados (como determinação dos níveis de potássio, glicemia, cálcio ionizado, magnésio, gasometria para determinação do pH e causas de variação do pH), conforme indicado (não adie as intervenções de emergência para realizar esses exames). Avalie a condição neurológica. Trate a hipotermia. Verifique a necessidade de medicações adequadas, dependendo do tipo de distúrbio do ritmo (por exemplo: supraventricular vs. ventricular). Diante de uma taquicardia, deveremos avaliar se a perfusão sistêmica encontra-se adequada ou inadequada, antes de iniciarmos o tratamento. Seguem os organogramas de tratamento das taquicardias. 966 A) Taquicardias com Perfusão Adequada As TSV são originadas e mantidas por estruturas localizadas acima da bifurcação do feixe de Hiss. Os complexos QRS apresentam duração de 0,09 segundo ou menos, na maioria dos casos. As TSV podem se originar: no nó sinusal (taquicardia sinusal, por hiperautomatismo ou reentrada); nos átrios (TA ectópica, TA multifocal, flutter ou FA); no nó atrioventricular (TSV paroxística por reentrada nodal); e no tronco do feixe de Hiss (taquicardia juncional). Podem ainda envolver uma via acessória (síndrome de Wolff-Parkinson-White). Durante a avaliação, é fundamental identificar alguma causa alternativa para a FC elevada, como a hipertermia. A seguir, apresentamos o algoritmo de orientação frente a taquicardias com perfusão adequada. Fase 1 Manter as vias aéreas pérvias, e adequadas ventilação e oxigenação, além de um acesso vascular (intravenosa ou intraóssea). De acordo com a necessidade, utilizar máscara de oxigênio ou IOT. Monitor e desfibrilador devem ser instalados. O ECG deve ser realizado em 12 derivações. Fase 2 Deve-se determinar se a taquicardia está associada ou não à perfusão adequada. A taquicardia é definida como FC acima do normal para a idade e condição clínica. Fase 3 É importante determinar a duração do QRS em relação à idade e à FC. O QRS estreito remete à fase 4, e o QRS alargado para a idade, à fase 9. Fase 4 Nesta fase, a alteração do ritmo deve ser analisada. Fase 5 Manobras vagais devem ser realizadas. Deve ser obtido um ECG de 12 derivações antes e depois da manobra, registrando-se os batimentos continuamente, durante todo o procedimento. Em lactentes e crianças, a FC diminui com a estimulação do nervo vago. Nos pacientes com TSV, a estimulação vagal intensa pode interromper as taquicardias que utilizam o nó atrioventricular em seu circuito. Várias manobras estimulam a atividade vagal, e as taxas de sucesso destas manobras variam, dependendo das condições da criança, do nível de cooperação e da idade. Em crianças pequenas, neonatos e lactentes, a manobra vagal mais efetiva é a aplicação de gelo na face. Um método é a colocação de gelo triturado (misturado ou não com água) em uma bolsa ou luva de plástico, e aplicar na face e região submandibular da criança por período de 5 a 20 segundos, sem que haja obstrução da ventilação (cobrindo somente a testa, os olhos e a ponte nasal). Se houver sucesso com este método, a TSV termina em segundos. Se não houve reversão e o paciente estiver estável, pode-se repetir a tentativa. Caso a segunda tentativa falhe, deve ser selecionado outro método ou terapia farmacológica. As crianças podem realizar manobra de Valsalva soprando através de um canudo obstruído. Pode-se, ainda, provocar estímulo vagal por reflexo do vômito, mediante estimulação da orofaringe. Outros métodos para induzir a atividade vagal, como a massagem carotídea, podem ser efetivos, segundo dados obtidos em crianças maiores, adolescentes e adultos, mas podem causar complicações, não devendo ser usadas indiscriminadamente. Fase 6 Não havendo resolução da taquiarritmia com as medidas descritas, os passos seguintes requerem via vascular para a administração de drogas. O acesso vascular é de suma 565
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