ABC | Volume 113, Nº1, Julho 2019

Artigo Original Chaves-Markman et al Nova mutação na doença de Fabry Arq Bras Cardiol. 2019; 113(1):77-84 Ensaios moleculares e enzimáticos Todos os pacientes incluídos foram submetidos a dígito punção de sangue capilar e amostras coletadas em papel de filtro e colocadas para secar por 3-4 horas à temperatura ambiente, armazenadas em envelope plástico a 4°C e enviadas ao Centogene Laboratory (Rostock, Alemanha). A análise molecular para determinar as mutações do gene GLA foi realizada nas amostras dos indivíduos do sexo feminino, enquanto a análise de mutação foi realizada após evidência de baixa atividade de α -Gal A em indivíduos do sexo masculino. O nível de expressão e a atividade enzimática do biomarcador liso-Gb3 foram identificados através de cromatografia líquida de alta performance e espectrometria de massa em tandem. O gene GLA foi analisado utilizando reação em cadeia da polimerase (PCR) e sequenciamento de todas as regiões codificadoras e limites exon-intron altamente conservados através de sequenciamento de próxima geração com Illumina HiSeq (Illumina, Califórnia, EUA). A análise do gene GLA foi realizada em todos os pacientes com CMH. Análises estatísticas Os dados foram analisados de forma descritiva utilizando o software Statistical Package for Social Sciences , versão 20.0 (IBM Company, Armonk, NY, EUA). Antes de analisar as variáveis contínuas, os conjuntos de dados foram testados quanto à normalidade através do teste de Shapiro‑Wilk. Variáveis contínuas com distribuição normal foram apresentadas com medidas de tendência central e dispersão (média e desvio‑padrão), e as variáveis categóricas foram descritas como frequências absolutas (n) e relativas (%). A análise comparativa foi realizada pelo teste de qui‑quadrado de Pearson para variáveis categóricas. As variáveis numéricas foram analisadas usando o teste t de Student pareado. O nível de significância foi definido como 5% através de toda a análise estatística (p < 0,05). O teste t de Student pareado foi utilizado para comparar as características basais de ambos os grupos, HCMe commutações no gene GLA , e o teste qui-quadrado de Pearson foi utilizado para identificar quaisquer associações entre as variáveis clínicas. Padrões éticos O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Institucional e foi realizado de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que trata das diretrizes e normas para pesquisas envolvendo seres humanos. A investigação também foi conduzida de acordo com a Declaração de Helsinque. O consentimento livre e informado foi obtido de todos os pacientes antes da inclusão neste estudo. Resultados Foram incluídos 60 pacientes com diagnóstico ecocardiográfico de CMH submetidos a testes moleculares para DF. Sua idade variou de 12 a 85 anos (média de 42,3 ± 17) e 60% (n = 36) erammulheres. Quatro pacientes, sendo três mulheres, apresentaram mutações no gene GLA , correspondendo a 6,7% da nossa amostra. Síncope e dispneia foram os sintomas cardíacos mais frequentes em todos os pacientes. A cardiomiopatia hipertrófica septal assimétrica foi o tipo mais frequente em pacientes sem mutações no gene GLA (61,5%) e no grupo com mutação no GLA (50%). A FE foi semelhante em ambos os grupos. Os padrões eletrocardiográficos mais comuns de todos os pacientes foram hipertrofia ventricular esquerda (37,9%), bloqueio atrioventricular (13,8%) e bloqueio de ramo esquerdo (10,3%). As características clínicas e epidemiológicas da nossa amostra são mostradas na Tabela 1. Três mutações com variantes heterozigotas foram encontradas: c.967C>A (p.Pro323Thr), a qual é uma nova mutação ainda não descrita na literatura (Figura 1); c.937G>T (p.Asp313Tyr); e c.352C>T (p.Arg118Cys). Uma variante homozigota também foi encontrada: c.352C>T (p.Arg118Cys). Cinco pacientes do sexo masculino foram submetidos à análise molecular devido à baixa atividade da enzima α -Gal A; no entanto, nenhum deles apresentava mutações no gene GLA . As características clínicas e epidemiológicas dos pacientes com mutações no GLA estão descritas na Tabela 2. Discussão Emnossa amostra de 60 pacientes comCMH, determinamos através de testes moleculares que a prevalência de mutações no GLA foi de 6,7%. Além disso, encontramos uma nova mutação no gene GLA . A reposição de enzimas foi iniciada em um paciente com mutação no GLA. A DF tem herança ligada ao X. O distúrbio clássico ligado ao cromossomo X geralmente mostra uma transmissão vertical, na qual as mulheres heterozigotas transmitem o alelo para sua descendência. A maioria das mutações nos genes ligados ao X resulta em doenças que só ocorrerão em homens. No entanto, algumas doenças ligadas ao cromossomo X apresentam diferentes taxas de penetrância e expressividade em ambos os sexos. Na DF, os indivíduos heterozigotos (mulheres) geralmente são afetados, mas tendem a ter um fenótipo mais leve e mais variável do que os homozigotos (homens). 20 Estima-se que a prevalência de DF seja de 0,02-0,09: 10.000 na população geral, embora a triagem molecular em recém-nascidos tenha sugerido uma prevalência maior. 21,22 Em relação à variante cardíaca, a prevalência pode ser de até 12%, dependendo do método utilizado. 23-26 A média da HVM em pacientes com mutação do GLA em nossa amostra foi maior do que a encontrada em estudos anteriores. A média da HVM foi de 11,6 ± 3,3 mm no estudo de Koskenvuo et al., 27 e, apenas, oito pacientes tinham HVE. A média da HVM foi de 16,7 ± 1,9 mm no estudo de Takenaka et al., 28 mais próximo do encontrado neste estudo. Pacientes com mutação no gene GLA foram selecionados de uma amostra de CMH, o que pode explicar a tendência para os valores médios mais elevados da HVM. Em nosso estudo, pacientes com mutações no GLA tinham média de idade maior. Esse achado talvez possa ser atribuído ao fato de que a variante cardíaca da DF apresentar início mais tardio. 79

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