ABC | Volume 112, Nº5, Maio 2019

Artigo Original Oliveira et al Stents para pacientes diabéticos- REGISTRO VICTIM Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):564-570 Tabela 2 – Antecedentes patológicos dos pacientes com IAMCSST atendidos nos Hospitais do Estado de Sergipe com capacidade de realizar angioplastia primária (SUS X Privado) Antecedentes patológicos SUS (n = 589) Privado (n = 118) Valor de p Fatores de risco cardiovascular, n (%) Hipertensão 358 (39,2) 84 (71,2) 0,033 Diabetes 199 (33,8) 42 (35,6) 0,705 Dislipidemia 214 (36,3) 66 (55,9) < 0,001 Tabagismo 200 (34,0) 11 (9,3) < 0,001 Número de fatores de risco, n (%) 0 75 (12,7) 14 (11,9) 0,534 1 191 (32,5) 31 (26,2) 2 207 (35,1) 48 (40,7) ≥ 3 116 (19,7) 25 (21,2) Doença coronariana prévia, n (%) IAM 42 (7,1) 19 (16,1) 0,002 Angina de peito 94 (84,0) 22 (18,6) 0,472 Angioplastia prévia 29 (4,9) 12 (10,2) 0,026 Revascularização Prévia 5 (0,8) 6 (5,1) 0,001 História familiar de DAC precoce, n (%) 173 (29,4) 52 (44,1) 0,002 AVC prévio, n (%) 41 (7,0) 7 (5,9) 0,685 Doença vascular periférica, n (%) 31 (5,3) 18 (15,3) < 0,001 SUS: Sistema Único de Saúde; IAM: infarto agudo do miocárdio; DAC: doença arterial coronariana; AVC: acidente vascular cerebral. privado, sendo eles história prévia de IAM (7,1% vs 16,1%; p = 0,002) e consequentemente de angioplastia prévia (4,9% vs 10,2%; p = 0,026) e cirurgia de revascularização do miocárdio prévia (0,8% vs 5,1%; p < 0,001). Observa‑se ainda para os pacientes do serviço privado uma prevalência de história familiar de doença arterial coronariana prévia (29,4% vs 44,1%; p = 0,002) e doença vascular periférica (5,3% vs 15,3%; p < 0,001) (Tabela 2). Reperfusão coronariana Na vigência do quadro de IAMCSST, observou-se importante disparidade entre os resultados obtidos por todos os pacientes atendidos pelo SUS e todos os que buscaram o atendimento privado no que tange ao uso da AP. Para os primeiros, a taxa de reperfusão foi de 45,3% enquanto que para os últimos, a taxa foi de 79,7% (p < 0,001). Em ambos os serviços foi analisado o uso dos stents convencionais e farmacológicos e também neste aspecto foi constatada importante discrepância, uma vez que houve predomínio da utilização de stent convencional no SUS (89,5%, p < 0,001) e SF na rede privada (82,4%, p < 0,001) (Tabela 3). Reperfusão coronariana nos pacientes diabéticos Tendo em vista a recomendação das diretrizes 1,3 para utilização do SF em diabéticos, com nível de evidência A e classe de indicação II, esses pacientes formaram um subgrupo especial a fim de avaliar se durante a angioplastia coronariana as recomendações para a colocação de stents estão sendo seguidas. Foram atendidos 199 pacientes diabéticos no serviço público; destes, 47,7% tiverem acesso à AP e na grande maioria das intervenções (91,3%) utilizou-se SC, ao passo que apenas 8,7% utilizaram SF (p < 0,001). No serviço privado, foram atendidos 42 diabéticos; destes, 78,6% tiveram acesso à ICP primária, com colocação de SF em 90,6% deste subgrupo de pacientes (p < 0,001) (Tabela 4). A média e desvio-padrão do tempo porta-balão de diabéticos atendidos no SUS versus sistema privado foi 114 (± 91) e 133 (± 67), respectivamente (p = 0,26). Discussão Observa-se uma disparidade entre os serviços público e privado quanto à realização de AP e utilização de stents farmacológicos (SF) para os pacientes com IAMCSST, e em especial para os diabéticos. Vale salientar ainda um notável uso excessivo dos stents convencionais com taxas de uso maiores para o serviço público em desacordo com as recomendações das diretrizes. 1,3 O valor encontrado para a realização da AP no SUS permaneceu abaixo da média esperada em relação aos procedimentos realizados no Norte-Nordeste (52,5%), segundo estudo realizado por Nicolau e colaboradores em 2012. 8 A ICP primária com utilização de stent ainda é 567

RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=