ABC | Volume 112, Nº5, Maio 2019
Artigo Original Oliveira et al Stents para pacientes diabéticos- REGISTRO VICTIM Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):564-570 Tabela 3 – Angioplastia coronariana percutânea e utilização de stents em pacientes com IAMCSST atendidos em Hospitais terciários no Estado de Sergipe (SUS x Privado) Angioplastia coronariana SUS (n = 589) Privado (n = 118) Valor de p Tempo porta-balão, min 121,2 ± 107,1 129,8 ± 90,2 0,48 Angioplastia Primária, n (%) 267 (45,3) 94 (79,7) < 0,001 Tipo de stent utilizado, n (%) Convencional 229 (89,5) 16 (17,6) < 0,001 Farmacológico 27 (10,5) 75 (82,4) Angioplastia Não Primária, n (%) 193 (32,8) 21 (17,8) 0,001 Tipo de stent utilizado, n (%) Convencional 166 (90,7) 3 (14,3) < 0,001 Farmacológico 17 (9,3) 18 (85,7) Tabela 4 – Angioplastia coronariana percutânea e utilização de stents em pacientes diabéticos com IAMCSST atendidos em Hospitais terciários no Estado de Sergipe (SUS x Privado) Angioplastia coronariana Em pacientes diabéticos SUS (n = 199) Privado (n = 42) Valor de p Angioplastia Primária, n (%) 95 (47,7) 33 (78,6) < 0,001 Tipo de stent utilizado, n (%) Convencional 84 (91,3) 3 (9,4) < 0,001 Farmacológico 8 (8,7) 29 (90,6) Angioplastia Não Primária, n (%) 63 (31,7) 10 (23,8) 0,314 Tipo de stent utilizado, n (%) Convencional 52 (88,1) 0 (0) < 0,001 Farmacológico 7 (11,9) 10 (100) considerada o padrão ouro no tratamento do IAMCSST, 1,2 e tais achados refletem o subuso dessa terapia no SUS, que pode contribuir diretamente para o prognóstico desses pacientes. Embora a parcela de doentes submetidos à AP seja maior na rede privada (79,7%; p < 0,001), esse resultado ainda pode estar aquém do idealmente desejável, uma vez que Sergipe apresenta pequena dimensão, o que deveria facilitar o acesso à AP. Nota-se, portanto, a necessidade de melhoria da qualidade do serviço prestado, com capacitação de equipes multiprofissionais para o diagnóstico rápido e adequado do IAM tanto no ambiente intra como no pré‑hospitalar, para que cada vez mais o acesso às terapias de reperfusão miocárdica seja agilizado. Observa-se ainda que 82,4% dos pacientes atendidos pela rede privada receberam SF na AP, ao passo que rede pública foram apenas 10,5% (p < 0,001). Esse resultado em Sergipe no SUS encontra-se abaixo da taxa de uso de stents farmacológicos na rede pública em todo o Brasil (14%) entre os anos de 2004 a 2005, quando esses dispositivos ainda nem eram liberados para uso no SUS, segundo dados do Registro CENIC. 9 A indicação para uso de SF segue critérios específicos determinados pela SBHCI, como estenose em vaso derradeiro, reestenose intrastent e diabéticos com estenoses passíveis para a AP. 3 A baixa utilização do SF de maneira ampla na rede pública, entretanto, justifica-se em possíveis gastos adicionais inerentes ao procedimento. Esses dispositivos apresentam custo muito mais elevado que os convencionais, além de necessitarem de dupla antiagregação plaquetária prolongada, o que aumenta ainda mais o seu custo efetivo. 10 Em contrapartida, a grande utilização desses stents na rede privada (em aproximadamente 80% do total analisado) pode sugerir ausência de um protocolo adequado de orientação na sua utilização, extrapolando as indicações clássicas e baseadas em evidências. O elevado gasto financeiro que essa conduta acarreta é expressivo, e assim, a custo-efetividade dos SF é potencialmente questionável em tais situações. 11,12 Um estudo americano realizado em2007 por Beohar et al. 12 demonstrou que a utilização de SF empacientes sem indicações formais e não testadas por ensaios clínicos foi relacionada a desfechos mais severos, quando comparados àqueles pacientes que tinham indicação padrão. Outro estudo americano mais recente, realizado em 2017, 13 defende que a superioridade do SF não deve automaticamente traduzir-se no fim do uso dos SC, pois estes últimos ainda apresentam vantagem potencial em situações específicas pela curta necessidade de antiagregação plaquetária. Pacientes que serão submetidos a outro procedimento cirúrgico, seja cardíaco ou não, ou aqueles que apresentam elevado risco de sangramento beneficiam-se fortemente do uso das próteses metálicas. Assim, os SF não devem ser utilizados de maneira indiscriminada e aleatória. 13 568
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