ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019

Artigo Original Ciuffo et al Remodelação e dessincronia AE Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):441-450 e a dessincronia intra-atrial no AE (termos de interação para DP‑TPS: 0,008, p=0,258 e para DP-TPS preA : 0,003, p=0,158). A análise do RTG-AE foi realizada de forma consistente em todos os casos e levou 60 ± 20 minutos por caso, dependendo da qualidade da imagem. Dessincronia: reprodutibilidade interleitor e intraleitor A variabilidade interobservador e intraobservador da análise do AE para o método de MTT foi avaliada em 15 indivíduos selecionados aleatoriamente (Tabela 4, Figura 5). Todos os parâmetros apresentaram excelente reprodutibilidade intraobservador (CCI 0,86 e 0,85 para DP-TPS e DP-TPS preA , respectivamente, p < 0,001) (Figura 5), sem viés sistemático significativo. Alémdisso, ambos os parâmetros apresentaramboa a excelente reprodutibilidade interobservador (CCI 0,86 e 0,74 paraDP-TPS eDP-TPS preA , respectivamente, p<0,001) (Figura 5). Discussão Os principais resultados estão resumidos a seguir: 1) A dessincronia intra-atrial no AE esteve independentemente associada ao RTG-AE, 2) a dessincronia intra-atrial no AE foi significativamente maior nos pacientes com FA persistente do que naqueles com FA paroxística, 3) a dessincronia intra-atrial no AE é um índice reprodutível e 4) a análise da dessincronia intra-atrial no AE é menos demorada do que o RTG-AE. RTG-AE e dessincronia Nossa análise multivariada mostrou que a dessincronia intra‑atrial no AE está associada ao RTG-AE após ajuste para fatores de risco clínicos, incluindo o tipo de FA. Este achado serve como evidência para o uso potencial da dessincronia intra‑atrial no AE como um substituto para o RTG-AE. Além disso, nossa análise mostrou que pacientes com FA persistente apresentavam dessincronia intra-atrial no AE significativamente maior do que aqueles com FA paroxística. Por outro lado, não houve diferença significativa no RTG‑AE entre pacientes com FA persistente e FA paroxística, embora tenha ocorrido uma tendência para uma extensão maior de RTG-AE com FA persistente. Uma explicação possível para estes resultados é que a dessincronia intra-atrial provavelmente reflete mudanças sutis na arquitetura atrial que podem gerar FA, mas que não são captadas pelo RTG ou por outros índices de função do AE. De fato, a dessincronia mecânica foi um marcador mais específico de recorrência de FA após ablação de FA quando comparada à cicatriz e função atrial esquerda (8). Dificuldades técnicas associadas à aquisição e processamento do RTG-AE também podem explicar o achado. Por exemplo, a parede fina do AE (~3 mm) representa um desafio para a resolução espacial da RMC. Além disso, apenas uma pequena fração do contraste administrado por via endovenosa perfunde a parede do AE, pois a grande maioria perfunde os ventrículos através das artérias coronárias. Nosso resultado também mostrou que a análise da dessincronia intra-atrial do AE foi menos demorada (5 ± 9 minutos) do que o RTG-AE (60 ± 20 minutos). Este achado sugere que a implementação da análise de dessincronia intra-atrial no AE na prática clínica diária não impediria significativamente o fluxo de trabalho clínico na avaliação pré-procedimento. A possibilidade de que o atordoamento atrial induzido por cardioversão possa ter Tabela 1 – Características basais Geral (n = 146) FA paroxística (n =102) FA persistente (n = 44) p Clínico Idade, anos 60,0 ± 10,0 60,0 ±10,1 59,7 ± 9,8 0,906 Índice de massa corporal, kg/m 2 28,4 ± 5,5 28,0 ± 5,4 29,9 ± 5,3 0,073 Homens, n (%) 102 (70,0) 74 (72,5) 28 (63,3) 0,134 Insuficiência cardíaca, n (%) 14 (9,6) 8 (7,8) 6 (13,6) 0,082 Doença arterial coronariana/doença vascular, n (%) 12 (8,2) 10 (9,8) 2 (4,5) 0,536 Diabetes, n (%) 15 (15,4) 12 (11,8) 3 (6,8) 0,704 Hipertensão, n (%) 60 (41,1) 42 (41,2) 18 (40,9) 0,154 História de AVC/AIT, n (%) 9 (6,2) 8 (7,8) 1 (2,3) 0,351 CHA 2 DS 2 -VAS C 1,60 ± 1,5 1,5 ± 1,6 1,6 ± 1,2 0,942 Apneia obstrutiva do sono, n (%) 23 (15,8) 17 (16,7) 6 (13,6) 0,796 Estratégia de ablação (crioablação), n (%) 34 (23,3) 28 (27,5) 6 (13,6) 0,324 Medicamento IECA/BRA, n (%) 37 (25,3) 24 (23,5) 13 (29,5) 0,389 Betabloqueadores, n (%) 81 (56,3) 62 (60,8) 19 (43,2) 0,788 Bloqueadores dos canais de cálcio, n (%) 33 (22,9) 26 (25,5) 7 (15,9) 0,637 Número de drogas antiarrítmicas 1,2 ± 0,8 1,2 ± 0,8 1,4 ± 0,7 0,108 Os valores estão apresentados como média ± desvio-padrão, n (%) ou mediana. FA: fibrilação atrial; AVC: acidente vascular cerebral; AIT: ataque isquêmico transitório; IECA/BRA: inibidor da enzima conversora de angiotensina e bloqueador do receptor da angiotensina; CHA 2 DS 2 -VAS C : escore de avaliação do risco de acidente vascular cerebral na fibrilação atrial. 445

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