ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019

Artigo Original Ciuffo et al Remodelação e dessincronia AE Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):441-450 Figura 2 – Curvas de strain de todos os 12 segmentos. Pontos verdes, desvio padrão do tempo até o pico do strain longitudinal (DP-TPS) de cada segmento; pontos azuis, desvio padrão do tempo até o pico do strain antes da contração atrial (DP-TPS preA ) de cada segmento. 60 50 40 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 Tempo (mseg) (%) DP–TPS DP–TPS predA distribuição não normal e como porcentagens para variáveis categóricas. Comparação entre os grupos foi realizada por meio do teste t de Student, teste do qui-quadrado e teste exato de Fisher, conforme apropriado. Análises de regressão linear multivariada e correlação de Pearson também foram utilizadas para examinar a relação entre a dessincronia intra-atrial no AE e o RTG-AE. Quatro modelos de regressão linear são apresentados: Modelo 1 (não ajustado), Modelo 2 (ajustado para as seguintes características clínicas: idade, sexo, tipo de FA, índice de massa corporal [IMC], história de insuficiência cardíaca, hipertensão e apneia obstrutiva do sono) e Modelo 3 (Modelo 2+ V min e S max ). Índices de dessincronia intra-atrial no AE e RTG-AE foram transformados em log por terem distribuição não normal. Também avaliamos a possibilidade de interação entre a dessincronia intra-atrial no AE e o tipo de FA. O coeficiente de correlação de Pearson foi categorizado com as seguintes correlações: fraca, 0; leve, 0,01-0,20; baixa, 0,21-0,40; moderada, 0,41-0,60; boa, 0,61-0,80 e excelente, 0,81-1,00. Em um subgrupo de participantes selecionados aleatoriamente (n = 15), foi realizada análise de Bland‑Altman para quantificar a reprodutibilidade intraobservador e interobservador e a reprodutibilidade interestudo. Além disso, foi avaliado o coeficiente de correlação intraclasse (CCI) com um modelo aleatório de duas vias, no qual a concordância foi categorizada da seguinte maneira: CCI < 0,40, pobre; CCI 0,40-0,75, regular a boa; e CCI > 0,75, excelente. A análise estatística foi realizada com o programa Stata, versão 12.0 (StataCorp LP, College Station, Texas, EUA). Resultados Clínico Foram incluídos na análise final 146 pacientes, cujas características clínicas estão resumidas na Tabela 1. Havia 61 (29,3%) pacientes do sexo feminino e a média de idade foi de 60,0 ± 10,0 anos. Um total de 102 pacientes (69,8%) apresentava FA paroxística no período do procedimento. As características clínicas basais e o uso de medicamentos foram semelhantes nos pacientes com FA paroxística e naqueles com FA persistente, conforme demonstrado na Tabela 1; 4 de 44 pacientes (9,1%) no grupo persistente e 2 de 102 pacientes (2,0%) no grupo paroxístico haviam sido submetidos à cardioversão 3-4 semanas antes da RMC (p = 0,158). Função atrial esquerda, dessincronia intra-atrial e tipo de fibrilação atrial Pacientes com FA persistente apresentaram menor fração de esvaziamento do AE (FEAE) total, FEAE ativa, SR, SRe, SRa e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) em relação aos pacientes com FA paroxística (Tabela 2). Além disso, o DP-TPS foi significativamente maior em pacientes com FA persistente do que naqueles com FA paroxística (medianas 3,6% e 2,9%, respectivamente, p = 0,036). O DP-TPS preA não foi significativamente diferente entre os tipos de FA (4,6% versus 3,7%, respectivamente, p = 0,227) (Tabela 2). A análise da dessincronia foi realizada de forma consistente em todos os casos e levou 5 ± 9 minutos por caso. Não houve diferença na quantidade de tempo necessária para a análise da dessincronia entre os tipos de FA (p = 0,35). Dessincronia do AE e RTG-AE Não houve diferença significativa na extensão da fibrose do AE quantificada por RTG entre os tipos de FA (11,6 [6-17,6]% da superfície do AE versus 13,8 [7,6-28,4] % da superfície do AE; p = 0,061). No Modelo 1, o DP-TPS e o DP-TPS preA transformados em log foram associados como grau de realce do RTG-AE do AE transformado em log (Tabela 3). Após ajuste para a idade, sexo, IMC, tipo de FA, história de insuficiência cardíaca, apneia obstrutiva do sono, hipertensão, V min, e S max , ambos os índices DP-TPS e DP-TPS preA permaneceram significativamente associados ao RTG-AE (DP-TPS, β : 0,60, p = 0,001; DP-TPS preA , β : 0,18, p = 0,045) (Tabela 3). A Figura 4 mostra a relação entre o RTG-AE e a dessincronia intra-atrial do AE. Não houve uma interação multiplicativa significativa entre o tipo de FA 444

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