ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019
Artigo Original Philbois et al Estimulação isolada do VE em bradiarritmias Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):410-421 da Tabela 2 mostra que duas punções da veia subclávia foi a técnica preferida para os pacientes do Grupo VD (p = 0,002). Desfechos primários do estudo Sucesso do procedimento cirúrgico proposto O implante de MP foi realizado com sucesso e sem nenhuma intercorrência em todos os pacientes do Grupo VD. No Grupo VE, entretanto, dos 55 pacientes inicialmente alocados, o implante do cabo-eletrodo em veias coronárias não foi possível em 20 (36,4%) pacientes. A causa mais frequente de insucesso do implante do cabo‑eletrodo ventricular esquerdo foi a estimulação indesejada do nervo frênico, nas regiões passíveis à estimulação da parede livre do VE. Este problema ocorreu em 12 pacientes, o que representou 60% das causas de insucesso para o implante em VE. Dificuldade para a canulação do seio coronário (n = 3), impossibilidade de acessar as veias coronárias (n = 5), e posicionamento considerado instável (n = 2) impediram o uso da estimulação ventricular esquerda nos demais casos de falha do uso do seio coronário. Segurança do procedimento cirúrgico Complicações pós-operatórias foram detectadas apenas no Grupo VE. A complicação mais frequente foi a estimulação frênica, observada em 9 (25,7%) pacientes. Tabela 1 – Características demográficas e clínicas dos participantes da pesquisa Características Todos (n= 71) Grupo VE (n= 35) Grupo VD (n= 36) p Gênero feminino, n (%) 37 (52,1) 19 (54,3) 18 (50,0) 0,717 (1) Idade (anos), média ± DP 66,5 ± 11,2 68,4 ± 9,2 64,8 ± 12,8 0,179 (2) Raça branca, n (%) 49 (69,0) 24 (68,6) 25 (69,4) 0,936 (1) Classe Funcional (NYHA), n (%) I 22 (31,0) 12 (34,3) 10 (27,8) II 33 (46,5) 15 (42,9) 18 (50,0) 0,544 (1) III 14 (19,7) 8 (22,9) 6 (16,7) IV 2 (2,8) - 2 (5,6) Doença cardíaca estrutural, n (%) Nenhuma 52 (73,2) 25 (71,4) 27 (75,0) Doença de Chagásica 12 (16,9) 9 (25,7) 3 (8,3) 0,063 (3) Cardiopatia isquêmica 6 (8,5) 1 (2,9) 5 (13,9) Cardiopatia hipertrófica 1 (1,4) - 1 (2,8) Comorbidades associadas Nenhuma 2 (2,8) 1 (2,9) 1 (2,8) 1,000 (3) Hipertensão arterial sistêmica 59 (83,1) 28 (80,0) 31 (86,2) 0,492 (1) Doença de Chagas 8 (11,3) 5 (14,3) 3 (8,3) 0,710 (3) Diabetes 19 (26,8) 10 (28,6) 9 (25,0) 0,734 (1) Dislipidemia 23 (32,4) 10 (28,6) 13 (36,1) 0,497 (1) Medicamentos de ação cardiovascular, n (%) Não utilizados 4 (5,6) 2 (5,7) 2 (5,6) 1,000 (3) IECA/BRA 52 (73,2) 28 (80,0) 24 (66,7) 0,204 (1) Diuréticos 29 (40,8) 12 (34,3) 17 (47,2) 0,267 (1) Betabloqueador 8 (11,3) 6 (17,1) 2 (8,3) 0,151 (3) Duração do QRS antes do implante > 120 ms, n (%) 53 (74,6) 26 (74,3) 27 (75,0) 0,944 (1) Fração de ejeção do VE, média ± DP 59,9 ± 6,8 61,1 ± 4,4 58,1 ± 8,4 0,069 (2) Volume sistólico final VE, média ± DP 42,1 ± 16,1 39,5 ± 15,4 44,8 ± 16,5 0,168 (2) Volume diastólico final VE, média ± DP 100,7 ± 24,7 97,1 ± 27,2 104,3 ±21,7 0,223 (2) BNP, média ± DP 83,2 ± 111,8 72,3 ± 77,6 93,8 ±137,6 0,482 (2) TNF alfa, média ± DP 50,7 ± 186,6 74,9 ± 265,1 27,2 ± 13,5 0,388 (2) IL6, média ± DP 11,3 ± 16,0 9,1 ± 12,4 13,4 ± 18,8 0,092 (2) BRA: bloqueadores dos receptores da angiotensina; DP: desvio padrão; IECA: inibidores da enzima de conversão da angiotensina; HAS: Hipertensão arterial sistêmica; NYHA: New York Heart Association; VE: ventrículo esquerdo; VD: ventrículo direito. (1) Teste qui-quadrado. (2) Teste t de Student não pareado. (3) Teste exato de Fisher 415
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