ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019
Artigo Original Philbois et al Estimulação isolada do VE em bradiarritmias Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):410-421 Tabela 2 – Dados operatórios dos participantes da pesquisa Características Todos (n = 71) Grupo VE (n = 35) Grupo VD (n = 36) p Tipo de marca-passo, n (%) Unicameral 3 (4,2) 2 (5,7) 1 (2,8) 0,614 (3) Dupla câmara 68 (95,8) 33 (94,3) 35 (97,2) Via de acesso para implante dos eletrodos Punção de veia subclávia 44 (62,0) 16 (45,7) 28 (77,8) Dissecção de veia cefálica 6 (8,5) 2 (5,7) 4 (11,1) 0,002 (3) Ambas 21 (29,6) 17 (48,6) 4 (11,1) Tempo de posicionamento do eletrodo ventricular Média ± DP (minutos) 22,2 ± 21,4 38,5 ± 19,8 6,4 ± 3,6 < 0,001 (2) Variação (minutos) 2 - 119 8 - 119 2 - 15 Duração total do procedimento Média ± DP (minutos) 84,8 ± 29,9 103,3 ± 27,9 66,9 ± 19,0 < 0,001 (2) Variação (minutos) 34 - 167 45 - 167 34 - 113 Sítio de estimulação no VD, n (%) Ponta - - 4 (11,1) Septo - - 32 (88,9) NA Sítio de estimulação no VE, n (%) Anterolateral - 6 (17,1) - Lateral - 26 (74,3) - NA Póstero lateral - 3 (8,6) - DP: desvio-padrão; NA: não aplicável; VD: ventrículo direito; VE: ventrículo esquerdo. (2) Teste t de Student não pareado. (3) Teste exato de Fisher. Durante o período de seguimento clínico, 4 (11,4%) pacientes do grupo VE foram reoperados, sendo: um caso de fratura do cabo-eletrodo ventricular esquerdo (358 dias após o implante inicial) e 3 (8,6%) casos por estimulação frênica não passível de correção por reprogramação (42, 55 e 70 dias do procedimento inicial). Em todos os quatro casos o procedimento cirúrgico foi realizado com sucesso e sem complicações. Houve, entretanto, a decisão da equipe cirúrgica de realizar o implante dos novos cabos-eletrodos no VD, motivando o cruzamento ( crossover ) dos pacientes do grupo VE para o grupo VD. Eficácia do procedimento cirúrgico proposto Uma vez corrigidas as complicações já relatadas, as condições de estimulação e de sensibilidade foram consideradas adequadas em todas as fases do estudo para 100% dos pacientes do Grupo VD e para 31 (88,6%), do Grupo VE (Tabela 3). Dentre os quatro pacientes que apresentaram limiares de estimulação ventricular acima dos valores considerados adequados no estudo, dois casos ocorreram no momento intraoperatório (fase aguda); um paciente apresentou alteração do limiar de estimulação no 6º, 12º, 18º e 24º meses de seguimento clínico e o último, apresentou alteração no 18º e no 24º mês de seguimento clínico. Desfechos secundários do estudo Desfechos clínicos Houve dois óbitos no estudo, ambos de pacientes do grupo VD. As causas declaradas foram infarto agudo do miocárdio, 13,2 meses após o implante e choque séptico por pneumonia, 20,9 meses após o implante. Durante o período de seguimento do estudo, não houve hospitalizações por insuficiência cardíaca. Ao final do primeiro mês de observação, 100% dos pacientes do Grupo VD e 97,1% dos do Grupo VE estavam oligossintomáticos, em classe funcional (CF) I ou II. A análise da Figura 4 mostra que não houve diferença de comportamento entre os grupos em todo o período de seguimento. Poucos pacientes apresentaram sintomas aos pequenos esforços e foram classificados em CF III. Não houve casos classificados como CF IV. Desfechos ecocardiográficos Oestudo ecocardiográfico realizado nosmomentos basal e aos 24 meses de seguimento, mostrou que houve remodelamento ventricular esquerdo e modificações da fração de ejeção ao longo do tempo emambos os grupos. Mostrou ainda, a presença de diferenças da mecânica dos dois ventrículos decorrentes da estimulação ventricular direita ou esquerda. 416
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