ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019

Artigo Original Vassalo et al Mercúrio aumenta a atividade da ECA e o estresse oxidativo Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):374-380 Tabela 2 – Valores de pressão arterial sistólica (PAS em mmHg) medidos por pletismógrafo de cauda em ratos Wistar e ratos espontaneamente hipertensos (SHRs: spontaneously hypertensive rats) antes e após tratamento om HgCl 2 por 30 dias Wistar CT n = 5 Wistar Hg n = 5 SHR CT n = 5 SHR Hg n = 5 PAS – Dia 0 (mmHg) 123 ± 13 131 ± 15 205 ± 15 198 ± 22 PAS – Dia 7 (mmHg) 119 ± 4 132 ± 9 221 ± 18 197 ± 18 PAS – Dia 14 (mmHg) 115 ± 10 135 ± 9 219 ± 9 199 ± 29 PAS – Dia 21 (mmHg) 132 ± 17 142 ± 14 200 ± 13 199 ± 9 PAS – Dia 30 (mmHg) 117 ± 6 143 ± 11 220 ± 21 232 ± 19 # Resultados representam média ± DP; n: número de animais usados. One-way ANOVA, teste post hoc de Tukey para todos os grupos. # p < 0,05 vs. SHR tratado com mercúrio no dia 0 Uma vez que a angiotensina II parece aumentar os níveis de EROs, e que o mercúrio aumenta a atividade da ECA, 32,33 investigamos se a atividade da ECA foi alterada após 30 dias de tratamento com mercúrio nos animais Wistar e SHRs. A Tabela 5 mostra que a atividade da ECA aumentou em ambos os grupos após o tratamento com mercúrio. Nos corações dos ratos Wistar, o mercúrio causou um pequeno aumento na atividade da ECA, mas não foram observadas mudanças na aorta, nos pulmões, no cérebro ou nos rins. No entanto, em SHRs tratados com mercúrio, a atividade da ECA foi reduzida no coração, aorta, pulmões, cérebro e rins. Um resultado interessante foi o fato de atividade da ECA ser maior no coração, aorta e rins, e mais baixa no plasma de SHRs controle em comparação a ratos Wistar controles. Discussão Os resultados aqui apresentados sugerem que os ratos Wistar e os SHRs, submetidos à exposição crônica ao mercúrio inorgânico por 30 dias apresentam concentrações sanguíneas similares a de seres humanos expostos ao metal. 1,2 Além disso, SHR, mas não ratos Wistar tratados com HgCl 2 , apresentaram pressão sanguínea aumentada no final do tratamento. A intervenção também teve influência sobre a atividade da ECA e o stress oxidativo, aumentando-os ou diminuindo-os, principalmente em SHRs. Estudos prévios relataram que mudanças resultantes da exposição crônica ao mercúrio abordaram seus efeitos tóxicos sobre o sistema cardiovascular e associações com hipertensão, aterosclerose carotídea, infarto do miocárdio e doença arterial coronariana. 9,10,34 A exposição ao mercúrio, tanto agudo como crômico, afeta o coração e a função endotelial, reduzindo a biodisponibilidade de NO e aumentando as atividades de ECA e NADPH. 15,18,19 Além disso, experimentos com ratos demonstraram que o ganho de peso corporal e a pressão arterial não foram afetados com a exposição crônica, 4,17 sugerindo que tal intervenção não foi suficiente, quanto à quantidade ou ao tempo, para produzir mudanças. Nossos resultados reproduziram esses achados, mostrando ausência de mudanças no peso corporal; ainda, comportamento similar foi observado para coração, cérebro, rins, e pulmão, reforçando a hipótese de que esse tratamento não seja suficiente para produzir tais mudanças, apesar de um início de alteração na função cardiovascular. Tabela 3 – Parâmetros hemodinâmicos de ratos Wistar e ratos espontaneamente hipertensos (SHRs, spontaneously hypertensive rats ) tratados com mercúrio (HgCl 2 ) Wistar Controles n = 6 Wistar tratados com HgCl 2 - n = 7 SHR Controles n = 6 SHRs tratados com HgCl 2 n = 7 PAS (mmHg) 105 ± 10 97 ± 11 105 ± 7 113 ± 8 PAD (mmHg) 71 ± 10 67 ± 11 58 ± 5 68 ± 11 FC (bpm) 324 ± 88 325 ± 58 343 ± 32 341 ± 34 PSVE (mmHg) 114 ± 20 107 ± 16 117 ± 22 112 ± 8 PDFVE (mmHg) 0,256 ± 1 3,31 ± 1* 1,11 ± 0,2 0,493 ± 0,5 +dP/dt VE (mmHg/s) 8627 ± 3378 8500 ± 2419 7360 ± 1854 7001 ± 1921 -dP/dt VE -6270 ± 1232 -6249 ± 1234 -7169 ± 1173 -6524 ± 1131 PSVD (mmHg) 32 ± 10 29 ± 5 29 ± 5 33 ± 5 PDFVD (mmHg) -1,080 ± 1 1,10 ± 2 -0,472 ± 1 0,459 ± 0,3 +dP/dt VD (mmHg/s) 3339 ± 2202 1758 ± 435 2776 ± 1056 2171 ± 405 – dP/dt VD (mmHg/s) -2560 ± 1553 -1387 ± 469 -1833 ± 478 -1695 ± 368 Mudanças na pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial diastólica (PAD), frequência cardíaca (FC), pressão sistólica do ventrículo direito e esquerdo (PSVD e PSVE, respectivamente), pressão diastólica final do ventrículo direito e esquerdo (PDFVD e PDFVE, respectivamente) , e primeiras derivadas temporais positiva e negativa (-dP/dt, respectivamente), do ventrículo direito e esquerdo de ratos controles e ratos tratados com mercúrio. Resultados representam média ± DP. N: número de ratos. One-way ANOVA, teste post hoc de Tukey. *p < 0,05 vs. Wistar controles. 377

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