ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019
Posicionamento da FSCLP Oliveira et al 2019: Recomendações para a redução do consumo de tabaco nos países de Língua Portuguesa Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):477-486 situações, o ex-tabagista precisa desenvolver habilidades e traçar estratégias para evitar os gatilhos que levam ao lapso e, deste, à recaída. 15 A farmacoterapia deve ser utilizada com o objetivo de complementar a TCC e aliviar os sintomas de abstinência. Recomenda-se o uso dos medicamentos por 3 meses, estendendo para 6 meses nos casos commaior dificuldade de cessação do tabagismo. 13 Estima-se que com o uso de terapia farmacológica, uma pessoa deixe de fumar com sucesso (abstinência de 6 meses) a cada 6 a 23 pessoas tratadas. 11 Tabela 5 – Teste de Fagerström para dependência de nicotina 22 1. Quanto tempo após acordar você fuma o primeiro cigarro? [3] Dentro de 5 minutos [2] Entre 6-30 minutos [1] Entre 31-60 minutos [0] Após 60 minutos 2. Para você, é difícil não fumar em lugares proibidos? [1] Sim [0] Não 3. Qual dos cigarros que você fuma durante o dia lhe dá mais satisfação? [1] O primeiro da manhã [0] os outros 4. Quantos cigarros você fuma por dia? [0] Menos de 10 [1] de 11-20 [2] de 21-30 [3] Mais de 31 5. Você fuma mais frequentemente pela manhã? [1] Sim [0] Não 6. Você fuma mesmo doente, quando precisa ficar acamado a maior parte do tempo? [1] Sim [0] Não →Total: [0-2] Muito baixa; [3-4] Baixa; [5] Moderada; [6-7] Elevada; [8-10] Muito elevada Tabela 6 – Estágios de motivação e técnicas de aconselhamento 23 • Pré-contemplativo: ainda não se preocupa; não está pronto para a mudança de comportamento → informar brevemente sobre os riscos de continuar fumando e encorajar o paciente a pensar ↓ • Contemplativo: reconhece que precisa e quer mudar, porém ainda deseja fumar (ambivalência) → ponderar sobre os prós e contras da cessação e manter-se disponível para conversar ↓ • Determinado: quer parar de fumar e está pronto para tomar as medidas necessárias → escolher uma data para parar de fumar ↓ • Ação: empenhar-se em atitudes com a intenção de promover mudanças e entrar em abstinência → seguimento para previnir a recaída e aliviar os sintomas de abstinência ↓ • Manutenção: mantém a mudança de comportamento conquistada e permanece em abstinência → reforçar os benefícios obtidos ao deixar de fumar, identificar as situações de risco para recaída e as habilidades para enfrentá-los ↓ • Recaída: não consegue manter a abstinência conquistada e retorna ao comportamento de fumante → oferecer apoio, rever e retomar todo o processo Tabela 7 – Acompanhamento para interrupção do tabagismo • Marcar data para parar de fumar. • Conhecer o ambiente social do fumante de tal forma que seus familiares, amigos e colegas de trabalho possam ajudá-lo. • Caso haja familiares fumantes, será importante encorajá-los a parar de fumar ou a fumar fora do domicílio. • Elaborar o plano de ação com estratégias não farmacológicas e farmacológicas. • Acompanhamento das tentativas de cessação do tabagismo. • Informar sobre possível síndrome de abstinência e fissura à interrupção do fumo. • O paciente, junto com o médico, deve escolher o método de cessação a ser utilizado: – Cessação abrupta: é geralmente o método de escolha entre os fumantes, sendo a síndrome de abstinência seu maior obstáculo. – Cessação gradual: o fumante pode continuar a fumar uma pequena quantidade de cigarros indefinidamente e acabar por retornar ao padrão anterior de consumo A Tabela 10 resume os critérios para o início da terapia farmacológica, para a qual devem ser sempre considerados o conforto, a segurança e a preferência do paciente, bem como a ausência de contraindicações para a utilização de determinado medicamento. Os medicamentos são divididos em duas categorias básicas: • Terapias com reposição de nicotina (TRN); • Terapias não nicotínicas (TNN). A TRN é considerada o tratamento de primeira linha na abordagem do fumante e está indicada em pacientes com 482
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