ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019

Posicionamento da FSCLP Oliveira et al 2019: Recomendações para a redução do consumo de tabaco nos países de Língua Portuguesa Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):477-486 Tabela 2 – Percentual de mortes e de risco atribuído ao consumo de tabaco nos diversos países de língua portuguesa 3 Ano de 2017 Doença isquêmica do coração Acidente vascular encefálico Câncer de pulmão traqueia, brônquio Doença pulmonar obstrutiva crônica Alzheimer e outras demências MORTES RISCO ATRIBUÍDO TABAGISMO % (IC95%) MORTES RISCO ATRIBUÍDO TABAGISMO % (IC95%) MORTES RISCO ATRIBUÍDO TABAGISMO % (IC95%) MORTES RISCO ATRIBUÍDO TABAGISMO % (IC95%) MORTES RISCO ATRIBUÍDO TABAGISMO % (IC95%) Angola 4,79 (4,06 -5,60) 3,99 (3,43-4,59) 0,62 (0,50-0,74) 1,24 (1,01-1,67) 0,90 (0,78-1,03) 22,51 (19,74-25,50) 42,00 (13,13-17,78) 56,32 (51,09 -61,04) 32,93 (26,55-38,62) 13,26 (8,21-18,66) Brasil 13,03 (12,7-13,27) 9,10 (8,88 -9,29) 2,40 (2,35-2,46) 4,83 (4,71-4,96) 5,44 (5,37-5,50) 24,41 (22,31-26,56) 16,60 (14,77-18,51) 64,01 (61,19-66,66) 46,63 (41,89-51,37) 13,29 (7,94-19,28) Cabo Verde 15,39 (14,47-16,41) 7,28 (6,43-8,07) 1,65 (1,51-1,79) 2,11 (1,85-2,63) 5,49 (5,16-5,81) 8,78 (7,34-10,32) 7,35 (5,99-8,71) 32,99 (28,26-37,79) 19,03 (14,88-22,74) 2,93 (1,37-4,84) Guiné Equatorial 3,80 (3,24-4,40) 2,95 (2,52-3,40) 0,65 (0,46-0,84) 1,30 (0,96-1,89) 1,35 (1,12 -1,60) 11,38 (9,12-13,65) 7,65 (6,09-9,26) 36,74 (28,63-45,08) 19,91 (15,15-24,66) 6,77 (3,43- 10,67) Guiné-Bissau 6,22 (5,36-7,04) 5,59 (4,87-6,31) 0,44 (0,33-0,55) 1,30 (1,07-1,53) 0,90 (0,75-1,14) 11,6 (9,60-13,87) 8,16 (6,45-10,09) 32,58 (26,63-38,67) 19,19 (14,65-23,83) 2,99 (1,43-5,07) Moçambique 3,77 (3,31-4,26) 5,58 (4,86-6,35) 0,39 (0,33-0,45) 0,91 (0,77-1,08) 0,88 (0,71-1,01) 18,74 (15,5-22,23) 14,00 (11,2616,60) 48,74 (43,34-54,23) 32,06 (26,60-37,33) 8,56 (4,20-13,38) Portugal 12,1 (11,53-12,70) 13,91 (13,31-14,53) 3,87 (3,61-4,11) 5,11 (4,81-5,42) 9,49 (9,07-9,86) 12,69 (11,61-13,74) 7,72 (6,92-8,54) 64,32 (61,42-66,93) 31,71 (27,32-36,26) 7,29 (4,37-10,45) São Tomé e Príncipe 9,77 (8,63-10,92) 8,61 (7,60-9,93) 1,39 (1,06-1,73) 5,19 (4,23-6,07) 2,28 (2,07-2,48) 8,59 (6,9-10,34) 5,51 (4,36-6,79) 33,33 (26,09-40,32) 18,26 (14,46-22,25) 3,26 (1,62-5,33) Timor-Leste 13,00 (10,30-15,20) 15,26 (13,18-17,24) 2,03 (1,65-2,68) 4,34 (3,59-5,08) 2,66 (2,22-3,07) 24,67 (20,66-28,66) 17,21 (14,23-20,33) 59,83 (53,01-66,64) 47,43 (38,34-54,27) 12,18 (6,20-18,91) IC: intervalo de confiança. Epidemiologia e mecanismos fisiopatológicos O Tabela 2 mostra o risco atribuível ao cigarro para algumas doenças nos PLPs, apresentado como percentual de mortes e percentual de risco atribuído ao consumo de tabaco. Quando fumantes são comparados a indivíduos que nunca fumaram, fumantes apresentam aumentos de 2 a 3 vezes no risco de AVE, doença isquêmica do coração e doença vascular periférica; de 23 e 13 vezes no risco de neoplasia em homens e mulheres, respectivamente; e de 12 a 13 vezes no risco de doença pulmonar obstrutiva crônica. Há também aumento de 2,87 vezes no risco de morte por infarto em fumantes quando comparados a não fumantes. 3 O tabagismo está ainda relacionado comaumento da pressão arterial e suas complicações, como morte e declínio da função renal. O mesmo se aplica aos aneurismas de aorta abdominal, comaumento do risco atribuível ao tabaco, bemcomo o referido aumento da taxa de crescimento dos aneurismas em fumantes comparados a não fumantes. Oconsumo de tabaco foi associado com distúrbios de ritmo cardíaco, como aumento da frequência de fibrilação atrial e taquicardia ventricular, e também com o aumento do risco de insuficiência cardíaca, bem como da mortalidade e morbidade relacionada com essa patologia. 13,14 Ressalta-se que o percentual relativo das principais doenças relacionadas ao tabaco (em parênteses) incluem as doenças coronarianas e infarto do miocárdio (25%), doenças pulmonares obstrutivas crônicas (85%), neoplasias pulmonares (90%), neoplasias de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero e mama (30%) e doenças cerebrovasculares (25%). 1,15 O risco de doença isquêmica do coração e a mortalidade relacionada a ela aumentam com o tempo de fumo (em anos) e o número de cigarros fumados por dia; o risco de doença ocorre em todos os níveis de consumo de cigarro, mesmo para consumo abaixo de cinco cigarros por dia, e entre fumantes passivos. Além disso, o paciente que deixa de fumar após uma cirurgia de revascularização coronariana reduz o risco de hospitalização por doença cardíaca. Parar de fumar é o único tratamento eficaz para evitar que haja progressão da tromboangeíte obliterante, melhorando os sintomas e reduzindo o risco de amputação ao longo da vida. 15,16 Os benefícios após a cessação do tabagismo são muitos e devem ser mencionados nas consultas de pacientes tabagistas (Tabela 3). Os cigarros contêm mais de 7.000 substâncias tóxicas, que contribuem de formas diversas para a ocorrência das DCVs, destacando-se efeitos hemodinâmicos adversos, como aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, desequilíbrio entre a oferta e consumo de oxigênio, alteração do fluxo sanguíneo coronariano, disfunção e dano endotelial, hipercoagulabilidade e trombose, inflamação crônica e alterações dos lipídeos, além contribuírem para a ocorrência de arritmias e eventos cardiovasculares. Esses efeitos podem ser observados mesmo em fumantes passivos. 13,17 479

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