ABC | Volume 111, Nº5, Novembro 2018

Artigo Original Lopes et al Mortalidade para cardiopatias congênitas em recém-nascidos Arq Bras Cardiol. 2018; 111(5):666-673 Tabela 2 – Causas do óbito, segundo tipo de cardiopatia Tipo de cardiopatia Causa do óbito n (%) APV, CIVa, DAVP, VEH, TGA, IAO e TrA Choque cardiogênico 7 (41,1) Anomalia de Ebstein Taquicardia supraventricular 1 (5,9) DVSVD Sepse 3 (17,6) SCEH, pentalogia de Cantrell Pela CCG (causa base/cuidados paliativos) 3 (17,6) DAVP, TGA Causas mal definidas 3 (17,6) APV: Atresia pulmonar crítica; CIVa: comunicação interventricular ampla com aceleração do fluxo pulmonar; DAVP: drenagem anômalas de veias pulmonares; SCHE/VEH: Hipoplasia do VE; TGA: Transposição de grande artérias; IAO: Interrupção do arco aórtico; TrA: Truncus; DVSVD: Dupla via de saída do ventrículo direito; CCG: cardiopatia congênita. Figura 2 – Curvas de Kaplan-Meier e de função de risco acumulado para a mortalidade global para cardiopatias congênitas. 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0 5 15 25 35 45 55 65 75 85 95 105 115 125 135 145 155 165 175 185 195 205 215 225 0,0 0,2 0,6 0,8 0,4 Sobrevida Dias Hazard Mediana de sobrevida global = 74 dias Sobrevida Risco cumulativo de morte Em países desenvolvidos, espera-se que a letalidade por CCG no período neonatal só ultrapasse a casa de 60% para os diagnósticos tardios de SCHE ; para os demais tipos de CCG, a taxa de letalidade esperada não ultrapassa 40%, quando o diagnóstico de CCG é feito antes da alta hospitalar. 22 Países com classificação socioeconômica semelhante à do Brasil, embora também convivam com diferenças regionais gritantes em relação à assistência neonatal, apresentam taxa global de incidência de óbitos por CCG na casa de 20 a 30/100 mil nascimentos. 2 Fixler et al., 3 mediram a taxa de mortalidade segundo o momento de referenciamento, considerando primeiro dia, até 5 dias, 4 a 27 dias e nenhum referenciamento após 27 dias, e encontraram mortalidade próxima de 38% quando o recém-nascido não era referenciado antes dos 27 dias de vida. Além disto, a mortalidade aumentava consideravelmente aos 3 meses, ficando próxima de 80% para SCEH. 3 A literatura tem apontado melhora significativa na qualidade assistencial, o que culmina com diminuição da morbidade e da mortalidade em países desenvolvidos, 3,4 mas esta não é uma realidade para países em desenvolvimento, como se pode ver na alta taxa de mortalidade e letalidade a despeito de igual incidência de CCG aqui descrito. Os óbitos neonatais por defeitos congênitos são classificados por alguns autores 23 e pelo Ministério de Saúde do Brasil como evitáveis, por serem passíveis de redução para algumas 670

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