ABC | Volume 111, Nº5, Novembro 2018
Artigo Original Lopes et al Mortalidade para cardiopatias congênitas em recém-nascidos Arq Bras Cardiol. 2018; 111(5):666-673 Figura 3 – Curvas de Kaplan-Meier, segundo óbitos relacionados ou não à cardiopatia. *Teste log-rank para diferença entre as curvas de sobrevida. CCG: cardiopatias congênitas. 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 Sobrevida 0 5 15 25 35 45 55 65 75 85 95 105 115 125 135 145 155 165 175 185 195 205 215 225 Dias p = 0,0789* Mediana de sobrevida Óbito relacionado à CCG Sim Não condições, se assistência adequada e pronta forem ofertadas à gestante e ao recém-nascido, visando ao diagnóstico e ao tratamento, associados ao suporte adequado por outras esferas do governo − que não só os serviços de saúde. 24 Ainda, patologias com esta classificação têm possibilidade de redução da mortalidade por tais ações, a depender da condição considerada. 25,26 O Ministério da Saúde lançou recentemente projeto para ampliação da assistência à criança com CCG, 27 com o intuito de diminuir a demanda pela redução da mortalidade por estes defeitos que vêm ao encontro dos achados neste estudo. Esta mobilização se fez necessária por se estimar, dentro da realidade nacional, que até 80% dos recém‑nascidos com CCG demandam algum procedimento cirúrgico em algum momento de seu desenvolvimento. Não raramente, ocorre alguma demanda de abordagem cirúrgica até o final da adolescência e início da vida adulta. 28 Por outro lado, até metade destes casos deveria, não raramente, ser diagnosticada e operada ainda no primeiro ano de vida. Tais dados, embora possam estar subestimados, 29 devem ser monitorados por investigações científicas independentes e validados de forma prospectiva, a medida que a política em questão esteja sendo implementada. Limitações do estudo Embora tenha sido feito cálculo do tamanho mínimo de amostra, considerando a prevalência local de CCG em estudo‑piloto, algumas variáveis não puderam ser incluídas no modelo de regressão, devido à insuficiência numérica, consequente da abordagem multivariada. A ausência de diferença estatística para as taxas de sobrevida, quando se comparou o evento óbito entre aqueles quemorrerampor CCG e por outras causas (p = 0,076) possivelmente está relacionada à insuficiência numérica deste subgrupo. Alémdisso, no período de setembro de 2015 a janeiro de 2016, houve redução substancial no número de ocorrências de CCG de causa ainda não bem especificada (dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde − DATASUS e observação direta na coleta de dados), o que resultou em tempo maior de coleta. Conclusão A alta taxa de letalidade da doença em questão demanda atenção crítica para estruturação de rede de assistência especializada, que possa atender adequadamente o volume de neonatos com cardiopatia congênita, além de prover investimentos reais em treinamento e tecnologia assistencial, 671
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