ABC | Volume 111, Nº5, Novembro 2018
Artigo Original Lopes et al Mortalidade para cardiopatias congênitas em recém-nascidos Arq Bras Cardiol. 2018; 111(5):666-673 Tabela 1 – Associação entre cardiopatias congênitas e fatores relacionados ao recém-nascido Variável Fator RR* IC95% Valor de p † AIC Sexo Feminino 1 - Masculino 0,92 0,66-1,27 0,6 301,2 Peso > 2.500 g 1 - < 2.500 g 2,33 1,26-4,29 0,0068 170,5 Idade gestacional > 37 semanas 1 - < 37 semanas 2,89 1,49-5,56 0,0015 157,9 Apgar 1º minuto ≥ 7 1 - < 7 2,35 1,25-4,45 0,0084 163,1 Apgar 5º minuto ≥ 7 1 - < 7 9,49 1,09-82,85 0,042 43,9 Gemelaridade Não 1 - Sim 11,96 1,43-99,85 0,022 48,8 Alteração ausculta cardíaca Normal 1 - Alterado 84 11,83-596,21 < 0,0001 112,6 Comorbidades Não 1 - Sim 2,27 1,58-3,26 < 0,0001 215,5 * RR bruto por regressão de Poisson; ‡ valor de p – estatística Z. RR: riscos relativos; IC95%: intervalo de confiança de 95%; AIC: Critério de informação de Akaike. ao pressuposto de igualdade entre média e variância da distribuição de Poisson e consequente estimativa mais adequada dos valores de p do modelo e nível de significância de 5%. 14 Para o cálculo dos Intervalos de Confiança de 95% (IC95%), acresceu-se o emprego do método Delta 2. A bondade de ajuste do modelo foi avaliada mediante a análise dos desvios residuais ( deviance residual ) e do Critério de Informação de Akaike (AIC). 15 Na análise das curvas de sobrevida de Kaplan-Meier, usou‑se a modelagem por regressão de Cox, com censura à direita, para a obtenção das probabilidades de sobrevivência e taxa de risco ( Hazard Ratio −HR), assumindo o pressuposto de proporcionalidade dos riscos. Para a comparação das curvas de sobrevida, usou-se o teste Log-rank. O banco de dados foi criado no EpiData, 16 versão 3.1, e as análises estatísticas foram efetuadas no pacote estatístico R, versão 3.2.3. 17 Resultados Foram identificados e acompanhados 52 casos de recém‑nascidos com CCG críticas e complexas, e seus respectivos grupos de comparação, nas maternidades estudadas. As cardiopatias mais incidentes foram os defeitos de formação do arco aórtico, que dependiam do canal arterial (62 casos/100 mil nascidos vivos), seguidos por atresia pulmonar com ou sem hipoplasia do ventrículo direito (53 casos/100 mil nascimentos) e a transposição das grandes artérias (38 casos/100 mil nascidos vivos). Como consequência do pareamento por sexo, a distribuição foi igual entre os grupos (OR: 0,92; IC95% 0,67‑1,27). Nos dados iniciais, havia um caso como genitália ambígua, entretanto, durante seguimento foi confirmado tratar-se de um recém-nascido do sexo feminino. O risco de óbito entre os recém-nascidos com CCG foi duas vezes maior entre prematuros (RR: 2,14; IC95% 1,22‑3,75; p = 0,003), com baixo peso ao nascer (RR: 2,14; IC95% 1,22-3,75; p < 0,0001) e Apgar < 7 no primeiro minuto de vida (RR: 2,08; IC95% 1,13-3,82; p = 0,017). A presença de alguma comorbidade, além da CCG, foi associada ao desfecho e aumentou o risco em quase três vezes (p < 0,0001). Houve proporção maior de gêmeos entre os casos (9,9%) (RR: 13,1; IC95% 1,59-109,1; p = 0,018) que os recém-nascidos sem cardiopatia (2,2%) e, para esta condição, o risco de óbito foi 12 vezes maior entre recém‑nascidos com CCG gemelares (Tabela 1). Os dados clínicos de ausculta cardíaca alterada foram encontrados em 72% dos casos e em apenas 1% dos recém‑nascidos sem CCG. A diferença desse achado foi relacionada ao maior risco para CCG (p < 0,0001). A saturimetria de pulso foi registrada, mesmo para casos de CCG com diagnóstico intraútero ou naqueles em que outro achado foi a suspeita clínica e que o diagnóstico tivesse sido feito antes de 24 horas de vida. A figura 1 ilustra a densidade diferencial de distribuição das medidas da saturimetria de pulso entre recém-nascidos com e sem CCG. Notam-se alguns registros abaixo do nível de corte para recém-nascidos sem CCG, para os quais foram necessários fazer o ecocardiograma e afastar a possibilidade de CCG. A incidência de óbito nos casos de CCG foi de 81/100 mil nascidos vivos. A taxa de letalidade atribuída às CCG foi de 64,7%, com mortalidade proporcional de 12,0% (17/142). A principal causa de óbito foi o choque cardiogênico em 41,1% dos casos, seguido por sepse (17,6%) em três recém‑nascidos comDupla Via de Saída do Ventrículo Direito (DVSVD) e impossibilidade terapêutica pela cardiopatia (17,6%) − a anatomia da CCG não era compatível com 668
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=