ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018
Artigo Original Pinotti et al Ciclos de jejum/realimentação e remodelamento miocárdico Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):400-409 ausência de miofibrilas, algumas mitocôndrias polimórficas com número reduzido de cristas e áreas de dilatação do retículo sarcoplasmático (Figuras 4C, D e E). Nos ratos do grupo RF, a única alteração observada foi a perda das cristas mitocondriais em algumas organelas. A maioria das fibras apresentou morfologia normal (Figuras 4F e G). Discussão Há pouca informação disponível sobre a relação entre função e morfologia cardíacas durante jejum/realimentação em corações hipertrofiados de SHR. Nesse contexto, esse regime alimentar tornou-se assunto de considerável interesse científico para perda de peso e melhora da saúde cardiometabólica. Assim, o principal achado deste estudo foi que ciclos de jejum/ realimentação atenuam o dano causado pela RC. Os resultados revelam que o ciclo jejum/realimentação apresentou elevação dos parâmetros isotônicos e isométricos na condição basal, assim como melhorou a resposta inotrópica miocárdica ao cálcio e isoproterenol. Além disso, o ciclo jejum/realimentação reduziu a atrofia cardíaca e as injúrias morfológicas. Observou-se menor ganho de peso corporal no grupo RF do que no grupo C (Tabela 1, Figura 1), porémmaior ganho de peso corporal do que no grupo R 50 . De acordo com a literatura, ocorre redução de cerca de 13% do peso corporal quando os animais são submetidos a 48 horas de jejum. 25 Esse resultado parece ser mediado por hormônios, como leptina que regula o apetite e o ganho de corporal. Uma rápida inibição da expressão do gene ob no tecido adiposo branco ocorre no jejum, e tal efeito pode ser revertido pela realimentação. 25,26 Hipertrofia cardíaca, um importante processo patológico envolvido no remodelamento cardíaco, serve inicialmente como um mecanismo compensatório para preservar o débito cardíaco. 27 O remodelamento cardíaco pode ser considerado o primeiro passo na sequência de respostas adaptativas do coração ao estresse causado por um grande número de condições fisiológicas e patológicas, como alterações de cargas de volume e pressão e/ou alterações metabólicas. 28 Um estudo recente revelou que o ciclo jejum/realimentação induziu atrofia cardíaca visualizada como uma redução do coração como um todo e do ventrículo esquerdo, assim como da relação VE/PCF. A diminuição do peso do ventrículo esquerdo em relação ao peso corporal é muito comum em pequenos animais submetidos a restrição alimentar 22 e jejum/realimentação. 29 Inibição da síntese proteica miocárdica Tabela 3 – Contração isotônica dos grupos na condição basal Grupos C R 50 RF PS (%) 19 ± 3 18 ± 3 20 ± 2 -dL/dt (ML/s) 1,89 ± 0,40 1,60 ± 0,36 2,19 ± 0,45 † TPS (ms) 168 ± 26 205 ± 14 * 161 ± 14 † +dL/dT (ML/s) 4,28 ± 1,26 4,13 ± 1,11 4,79 ± 0,86 TR 50 (ms) 58 ± 10 76 ± 12 * 53 ± 9 † AS (mm 2 ) 0,95 ± 0,22 0,85 ± 0,17 0,91 ± 0,18 C: grupo controle; R 50: animais com restrição alimentar de 50%; RF: animais com alternância entre restrição alimentar de 50% e realimentação; OS: porcentagem de encurtamento; -dL/dt: velocidade máxima de encurtamento; TPS: tempo para encurtamento máximo; +dL/dt: velocidade máxima de relaxamento; TR 50: tempo para tensão desenvolvida decrescer 50% de seu valor máximo; AS: área seccional do músculo. Valores expressos como média ± DP (n = 7) na concentração basal de cálcio (1,25 mM); * significativo para p < 0,05 vs. C; † p < 0,05 vs. R 50 . ANOVA de uma via e teste de Tukey post hoc. Tabela 4 – Contração isométrica dos grupos na condição basal Grupos C R 50 RF DT (g/mm 2 ) 6,17 ± 1,24 6,37 ± 1,14 7,18 ± 1,20 TR (g/mm 2 ) 1,06 ± 0,12 1,12 ± 0,31 1,07 ± 0,17 +dT/dt (g/mm 2 /s) 77 ± 17 63 ± 13 93 ± 18 † TPT (ms) 146 ± 27 184 ± 19 * 128 ± 25 † -dT/dt (g/mm 2 /s) 29 ± 5 22 ± 4 33 ± 9 † TR 50 (ms) 174 ± 40 224 ± 32 * 171 ± 21 † AS (mm 2 ) 0,95 ± 0,22 0,85 ± 0,17 0,91 ± 0,18 C: grupo controle; R 50: animais com restrição alimentar de 50%; RF: animais com alternância entre restrição alimentar de 50% e realimentação; TD: tensão desenvolvida; TR: tensão de repouso; TPT: tempo para atingir o pico de tensão; +dT/dt: velocidade máxima de variação da tensão desenvolvida; -dT/dt: velocidade máxima de variação de decréscimo da tensão desenvolvida; TR 50: tempo para tensão desenvolvida decrescer 50% de seu valor máximo; AS: área seccional do músculo. Valores expressos como média ± DP (n = 7) na concentração basal de cálcio (1.25 mM); * significativo para p<0,05 vs. C; † p < 0,05 vs. R 50 . ANOVA de uma via e teste de Tukey post hoc. 404
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