ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018
Artigo Original Marino et al Adiponectina e VH-IVUS com as características da placa aterosclerótica Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):345-353 que deveria ter, pelo menos, 40 mm de comprimento e não apresentar estreitamento luminal significativo (< 50% de estenose), como avaliado pela angiografia on-line . A seleção do vaso não culpado foi predefinida no protocolo do estudo. A ordem de preferência para a seleção do vaso não culpado foi: (1) artéria descendente anterior esquerda (DAE); (2) artéria coronária direita (ACD); (3) artéria circunflexa esquerda (CXE). Todos os dados de IVUS foram adquiridos com o sistema de imagens Volcano s5/s5i Imaging System (Volcano Corp., San Diego, Califórnia) usando o cateter Volcano Eagle Eye Gold IVUS (20 MHz). Um sistema de recuo automático foi usado com uma velocidade de recuo padrão de 0,5 mm por segundo. As imagens IVUS foram analisadas offline por um laboratório independente (Cardialysis BV, Rotterdam, Holanda) cego para dados clínicos e biomarcadores. As análises de IVUS em escala de cinza e por radiofrequência, também conhecidas como VH-IVUS, foram realizadas usando os softwares pcVH 2.1 e qVH (Volcano Corp., San Diego, Califórnia). A membrana elástica externa e as bordas luminais foram contornadas para cada quadro (distância mediana entrecortes, 0,40 mm). A extensão e o fenótipo da placa aterosclerótica foram avaliados. O volume de placa foi definido como o volume total da membrana elástica externa ocupada pelo ateroma. 13 A carga da placa foi definida como área transversal da placa e do meio, dividida por área seccional externa da membrana elástica e é apresentada como uma porcentagem. A composição da placa aterosclerótica foi classificada em quatro tipos diferentes de tecido: fibroso, fibroadiposo, cálcio denso a núcleo necrótico. 14 A lesão coronária foi definida como um segmento com placa de carga superior a 40% em pelo menos três quadros consecutivos. Foram identificados os seguintes tipos de lesões de alto risco para VH-IVUS: (1) lesões de fibroateroma de capa fina (FCF): lesões com núcleo necrótico confluente >10% em contato direto com o lúmen ; 15,16 (2) lesões de FCF com carga de placa de pelo menos 70%; (3) lesões com carga de placa de pelo menos 70%; (4) lesões com área luminal mínima (ALM) de ≤4,0 mm 2 . 11 O acompanhamento começou na etapa de inclusão e durou 1 ano. O status de sobrevivência pós-alta foi obtido dos registros civis municipais e as reospitalizações foram prospectivamente avaliadas durante o seguimento. Questionários com foco na ocorrência de MACE foram enviados a todos os pacientes vivos. Em seguida, foram obtidas cartas de alta hospitalar e os médicos e instituições foram contatados para a obtenção de informações adicionais sempre que necessário. SCA foi definida como o diagnóstico clínico de infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST), infarto sem elevação do segmento ST ou angina instável, de acordo com as diretrizes da European Society of Cardiology. 17-19 A revascularização coronária não planejada foi definida como ICP repetida não planejada ou enxerto de bypass de artéria coronária ( coronary artery bypass grafting – CABG). O desfecho clínico primário foi o MACE, definido como mortalidade por todas as causas, SCA ou revascularização coronária não planejada. Desfechos secundários incluíram MACE agudo (definido como a combinação de mortalidade por todas as causas ou SCA) e mortalidade por todas as causas. Os desfechos foram julgados por um comitê de evento clínico cego para dados de biomarcadores e IVUS. Análise estatística As distribuições das variáveis contínuas, incluindo os níveis de adiponectina e parâmetros IVUS foram avaliadas quanto à normalidade por exame visual do histograma. As variáveis distribuídas normalmente são apresentadas como média ± desvio padrão (DP), enquanto as não distribuídas normalmente são apresentadas como mediana e intervalo interquartil (IIQ). A concentração de adiponectina não foi distribuída normalmente e, portanto, transformada em ln para posterior análise. Variáveis categóricas são apresentadas em porcentagens. Analisamos as associações das concentrações de adiponectina com carga de placa, volume de placa, fração de núcleo necrótico, fração de cálcio densa, fração fibro-gordurosa e fração de tecido fibroso na imagem do segmento coronariano por regressão linear, com concentração de adiponectina transformada em ln como variável independente. Além disso, examinamos a relação entre concentrações de adiponectina e a presença de lesões de alto risco usando análises de regressão logística, com concentração contínua de adiponectina transformada em ln como variável independente. As análises de regressão de risco proporcionais de Cox foram realizadas para avaliar a relação entre a concentração de adiponectina e MACE. As variáveis clínicas idade, sexo, diabetes mellitus, hipertensão e indicação de angiografia coronariana foram consideradas potenciais confundidoras e foram inseridas no modelo completo. Essa covariáveis foram escolhidas a priori com base na literatura existente, a levando em conta a quantidade de eventos disponíveis. A PCR também foi inserida no modelo completo, uma vez que é o marcador inflamatório mais amplamente investigado da DAC e tem se mostrado (inversamente) associada aos níveis plasmáticos de adiponectina. 10 Durante a análise da associação de adiponectina aos desfecho secundário, composto por morte e SCA, e apenas morte, apenas foram ajustados a idade e o sexo, devido ao limitado número de desfechos. Primeiramente, análises estatísticas foram realizadas na coorte completa. Em seguida, incluímos os termos de interação (adiponectina multiplicada pela indicação da angiografia) nos modelos para investigar possível modificação do efeito por indicação. Posteriormente, repetimos as análises separadamente em pacientes com APE e pacientes com SCA. Todos os dados foram analisados com o software SPSS (SPSS 20.0, IBM corp., Armonk, Nova Iorque). Todos os testes estatísticos foram bicaudais e os valores de p < 0,05 foram considerados estatisticamente significantes. Resultados A idade média dos pacientes foi 61,5 ± 11,4 anos, 75,4% eram homens, 17,4% tinham diabetes mellitus, e a mediana da concentração de adiponectina foi 2,8 (1,9-4,0) μg/mL (Tabela 1). A angiografia coronariana ou ICP foi realizada para SCA em 309 (54,2%) pacientes e para APE nos pacientes restantes 261 (45,8%). A mediana da concentração de adiponectina foi 2,9 (1,8-4,1) μg/mL em pacientes com SCA 347
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