ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018
Artigo Original Marino et al Adiponectina e VH-IVUS com as características da placa aterosclerótica Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):345-353 Introdução A ruptura da placa aterosclerótica tem sido descrita como o principal mecanismo pelo qual a aterosclerose coronariana levemente estenótica pode levar à trombose coronariana aguda e ao infarto do miocárdio. 1 As placas de alto risco vulneráveis a essa ruptura demonstram características morfológicas distintas. 2 Elas podem ser diferenciadas das lesões responsáveis por doença arterial coronariana (DAC) estável devido aos seus grandes núcleos necróticos, suas capas fibrosas finas inflamadas e seu remodelamento positivo. 2 Uma vez que a vulnerabilidade da placa está relacionada à inflamação, à neovascularização e à formação do núcleo necrótico, os mediadores circulantes desses processos podem auxiliar na detecção de pacientes de alto risco e, portanto, merecem ser investigados. 3 Um importante mediador inflamatório de DAC é a adiponectina. A adiponectina é uma proteína produzida principalmente no tecido adiposo branco, envolvida em vários processos antioxidantes, anti-inflamatórios e antiateroscleróticos. 4-6 Diversos estudos demonstraram associações entre a adiponectina e eventos adversos coronarianos. 7-10 No entanto, atualmente observa-se falta de dados prospectivos sobre as associações de adiponectina a medidas in vivo de grau, fenótipo e vulnerabilidade da aterosclerose coronariana. Para melhor elucidar a fisiopatologia da adiponectina em pacientes com DAC estabelecida, investigou-se a relação entre a adiponectina e as medidas de grau e composição de aterosclerose coronária derivadas de ultrassonografia virtual intravascular (VH-IVUS), e a eventos cardíacos adversos importantes (MACE), empacientes submetidos a angiografia coronária. Métodos O delineamento do Projeto Colaborativo Europeu sobre Inflamação e Remodelação da Parede Vascular em Abstract Background: Prospective data on the associations of adiponectin with in-vivo measurements of degree, phenotype and vulnerability of coronary atherosclerosis are currently lacking. Objective: To investigate the association of plasma adiponectin with virtual histology intravascular ultrasound (VH-IVUS)-derived measures of atherosclerosis and with major adverse cardiac events (MACE) in patients with established coronary artery disease. Methods: In 2008-2011, VH-IVUS of a non-culprit non-stenotic coronary segment was performed in 581 patients undergoing coronary angiography for acute coronary syndrome (ACS, n = 318) or stable angina pectoris (SAP, n = 263) from the atherosclerosis-intravascular ultrasound (ATHEROREMO-IVUS) study. Blood was sampled prior to coronary angiography. Coronary plaque burden, tissue composition, high-risk lesions, including VH-IVUS-derived thin-cap fibroatheroma (TCFA), were assessed. All-cause mortality, ACS, unplanned coronary revascularization were registered during a 1-year-follow-up. All statistical tests were two-tailed and p-values < 0.05 were considered statistically significant. Results: In the full cohort, adiponectin levels were not associated with plaque burden, nor with the various VH-tissue types. In SAP patients, adiponectin levels (median[IQR]: 2.9(1.9-3.9) μg/mL) were positively associatedwith VH-IVUS derived TCFA lesions, (OR[95%CI]: 1.78[1.06-3.00], p = 0.030), and inversely associated with lesions with minimal luminal area (MLA) ≤ 4.0 mm 2 (OR[95%CI]: 0.55[0.32-0.92], p = 0.025). In ACS patients, adiponectin levels (median[IQR]: 2.9 [1.8-4.1] μg/mL) were not associated with plaque burden, nor with tissue components. Positive association of adiponectin with death was present in the full cohort (HR[95%CI]: 2.52[1.02–6.23], p = 0.045) and (borderline) in SAP patients (HR[95%CI]: 8.48[0.92–78.0], p = 0.058). In ACS patients, this association lost statistical significance after multivariable adjustment (HR[95%CI]: 1.87[0.67-5.19], p = 0.23). Conclusion: In the full cohort, adiponectin levels were associated with death but not with VH-IVUS atherosclerosis measures. In SAP patients, adiponectin levels were associated with VH-IVUS-derived TCFA lesions. Altogether, substantial role for adiponectin in plaque vulnerability remains unconfirmed. (Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):345-353) Keywords: Adiponectin; Atherosclerosis; Plaque, Atherosclerotic; Ultrasonography, Interventional; Coronary Artery Disease / complications. Full texts in English - http://www.arquivosonline.com.br Aterosclerose – Ultrassom Intravascular ( The European Collaborative Project on Inflammation and Vascular Wall Remodeling in Atherosclerosis – Intravascular Ultrasound – ATHEROREMO-IVUS) foi descrito em detalhes em outros trabalhos. 11,12 Em resumo, foram incluídos 581 pacientes submetidos a angiografia coronária ou intervenção coronária percutânea (ICP) por síndrome coronariana aguda (SCA, n = 318) ou angina pectoris estável (APE, n = 263) entre 2008 e 2011 no Centro Médico da Erasmus University ( Erasmus University Medical Center – Erasmus MC), Rotterdam, Holanda. O estudo ATHEROREMO-IVUS foi aprovado pelo comitê de ética médica do Erasmus MC. O estudo foi conduzido de acordo com os critérios descritos na declaração de Helsinque. Foi obtido o Consentimento Livre e Esclarecido de todos os pacientes. Este trabalho está registrado em ClinicalTrials.gov, sob número NCT01789411. As amostras de sangue para medição de biomarcadores foram retiradas da bainha arterial antes da angiografia coronária e estavam disponíveis em 570 pacientes no presente estudo. As amostras de sangue foram armazenadas no laboratório clínico do Erasmus MC a uma temperatura de -80°C em até 2 horas após a coleta do sangue. A proteína C reativa (PCR) foi mensurada em amostras de soro usando um método imunoturbidimétrico de alta sensibilidade (Roche Diagnostics Ltd., Rotkreuz, Suíça) na plataforma de análise modular Roche Cobas 8000. Essas análises foram realizadas no laboratório clínico do Erasmus MC. Amostras congeladas de plasma EDTA foram transportadas sob condições controladas (a uma temperatura de -80°C) até Myriad RBM, Austin, Texas, EUA, onde a adiponectina foi medida pelo método multiplex validado ( Custom Human Map , Myriad RBM). Seguindo a angiografia coronária ou o procedimento ICP padrões, a ultrassonografia intravascular (IVUS) foi feita em um segmento alvo de uma artéria coronária não culpada 346
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