ABC | Volume 111, Nº2, Agosto 2018
Posicionamento 1º Posicionamento Brasileiro sobre o Impacto dos Distúrbios de Sono nas Doenças Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia Arq Bras Cardiol. 2018; 111(2):290-340 4.2.4. Insuficiência Cardíaca Os distúrbios de sono são comuns em pacientes com IC. No caso da AOS, a presença deste distúrbio do sono pode tanto aumentar a incidência na ocorrência da IC (especialmente em homens), 36 quanto piorar a evolução do paciente portador desta insuficiência. Por exemplo, em 164 pacientes com IC estável crônica, a presença da AOS foi associada ao aumento da mortalidade na análise multivariada. 214 Estudo ramdomizado mostrou que o tratamento da AOS com o CPAP promoveu melhora da classe funcional, bem como um aumento significante da fração da ejeção com apneas 1 mês de tratamento. 184 Como tanto a AOS quanto a IC per se aumentam a pós-carga e a demanda metabólica, parte desta melhora da função ventricular pelo tratamento da AOS é justificada pela diminuição do metabolismo oxidativo, pela melhora da energética miocárdica, e pela redução da atividade simpática e da pressão arterial. 215,216 A despeito destas evidências, faltam ainda estudos randomizados que avaliem se o tratatmento da AOS pode previnir o desenvolvimento da IC em pacientes com coração estruturalmente normal, e se o tratamento da AOS reduz a mortalidade em pacientes com IC. 4.2.5. Cardiomiopatia Hipertrófica A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é uma doença cardíaca genética transmitida por herança autossômica dominante, que acomete cerca de um em cada 500 habitantes da população geral. 217,218 Caracteriza-se por hipertrofia do VE, 219,220 decorrente de mutações nos genes que codificam proteínas do sarcômero e seus componentes de miofilamentos, os quais possuem funções contráteis, estruturais e regulatórias. 218,220,221 De forma geral, os casos de apresentação mais precoce apresentam pior prognóstico, sendo importante causa de morte súbita em jovens. 222 Estudos apontam que entre 32 e 71% dos pacientes com CMH apresentam AOS. 223-227 No entanto, os estudos apresentam algumas limitações, como o tamanho amostral ou o uso de oximetria de pulso noturna ou monitor portátil para o diagnóstico da AOS. Pacientes com CMH apresentam pior qualidade do sono quando comprados a controles sadios, e a má qualidade do sono associa-se, de forma independente, com pior qualidade de vida entre os portadores de CMH. 228 Porém, a AOS ainda é subdiagnosticada nesta população, pois existe uma carência de preditores clínicos específicos, que ajudem na suspeita de AOS em pacientes com CMH. Em recente estudo, Nerbass et al. 229 apontam que a ausência de sonolência diurna excessiva e o IMC relativamente reduzido em comparação a outras populações com AOS são possíveis explicações para a escassez de preditores clínicos. Nesse estudo, apenas idade ≥ 45 anos e FA foram associadas de forma independente com a AOS. Além da AOS ser comum e piorar a qualidade de vida nos pacientes comCMH, evidências crescentes sugerem que a AOS pode amplificar o risco cardiovascular dos pacientes com CMH. Pacientes com AOS sofrem de hiperestimulação do sistema nervoso simpático durante todo o dia, o que também é encontrado na CMH. O aumento do tônus simpático pode não ser apenas um marcador de gravidade da doença, 230 mas um fator de risco adicional. Isto porque elevados níveis de Recomendações para avaliação ecocardiográfica e tratamento na AOS em pacientes com alterações morfológicas ventriculares Grau de Recomendação Nível de Evidência Avaliação ecocardiográfica em pacientes com AOS Para pacientes com sinais clínicos de IC I B Para pacientes com diagnóstico de AOS especialmente nas formas graves Pacientes com arritmias supraventriculares Tratamento com CPAP da AOS em pacientes com alterações morfológicas das câmaras esquerdas Pacientes com IAH > 5 eventos por hora e disfunção ventricular esquerda sem causa definida I B Pacientes com IAH > 15 eventos por hora Avaliação ventricular direita em pacientes com AOS Para pacientes com clínica de IC ou sinais de hipertensão pulmonar I V Pacientes com diagnóstico de AOS de grau maior que leve IIA B O tratamento com o CPAP, em pacientes com AOS e IC, melhora a classe funcional e a fração de ejeção, independente de outros fatores IIA B 308
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