ABC | Volume 111, Nº2, Agosto 2018

Diretrizes 3ª Diretriz Brasileira de Transplante Cardíaco Arq Bras Cardiol. 2018; 111(2):230-289 uso de profilaxia. Alguns fatores podem aumentar o risco de infecção em outros períodos, devendo ser considerado o uso de profilaxia, com destaque para aumento de imunossupressão para tratamento de rejeição, infecção recorrente por CMV e neutropenia prolongada. Sulfametoxazol-trimetropim (160 a 800 mg) três vezes por semana é a droga de escolha para profilaxia (Tabela 4.15). 145 4.2.3. Profilaxia Contra Estrongiloidíase Estrongiloidíase pode ser uma doença devastadora no paciente transplantado, com mortalidade de até 50% na síndrome de hiperinfecção e 70% na infecção disseminada. Avaliação pré-transplante com pesquisa nas fezes deve ser realizada para avaliar necessidade de tratamento. Quando não disponível, o tratamento empírico com ivermectina 200 mcg/kg/dia por 2 dias deve ser considerado. 146 4.2.4. Imunização Pacientes transplantados são de maior risco para complicações por infecções que podem ser prevenidas por vacina. Candidatos a transplante e seus cuidadores devem ser vacinados sempre que possível antes do transplante. Após o transplante, vacinas com agente inativado são seguras, enquanto as com agente vivo atenuado, em geral, não devem ser utilizadas. A maior parte dos centros reinicia vacinação 3 a 6 meses após o transplante, com a imunossupressão de base já reduzida. A tabela 4.16 resume as indicações de vacina para receptores adultos. 147,148 4.3. Seguimento No seguimento após TxC, além da vigilância infecciosa e das profilaxias, é preciso monitorar a ocorrência de rejeição celular e humoral, mais frequente no primeiro ano, e buscar ativamente complicações tardias, como DVE. A tabela 4.17 sugere uma rotina para acompanhamento do paciente no período pós-transplante, devendo-se sempre levar em consideração as particularidades de cada serviço. 4.3.1. Monitorização de Rejeição A Biópsia Endomiocárdica (BEM) é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de rejeição celular e humoral após o transplante de coração (Tabela 4.18). A BEM pode ser realizada por punção de veia jugular ou femoral. Por ser um método invasivo, não é isenta de complicações, as quais incluem perfuração, tamponamento cardíaco, arritmias, pneumotórax, dano à valva tricúspide, dentre outros. Os riscos da BEM estão relacionados ao operador, estado clínico do paciente, tipo de biótomo e local de acesso. Deve ser realizada retirando- se cinco a sete fragmentos do septo interventricular direito, pois alguns fragmentos podem não conter tecido miocárdico. Um estudo retrospectivo, que englobou 24.137 pacientes transplantados de coração no período de 1993 a 2002, Tabela 4.15 – Recomendações para profilaxia contra pneumocistose Classe de Recomendação Indicação Nível de Evidência I Profilaxia com sulfametoxazol-trimetropim para todos os pacientes por 6 meses B IIa Profilaxia com sulfametoxazol-trimetropim após aumento de imunossupressão para tratamento de rejeição, infecção recorrente por citomegalovírus ou neutropenia prolongada por 3 a 6 meses C Tabela 4.16 – Vacinas recomendadas antes e após o transplante cardíaco Vacina I/VA Recomendado antes do transplante Recomendado depois do transplante Influenza I Sim Sim Hepatite B I Sim Sim Hepatite A I Sim Sim Tétano I Sim Sim Pertussis I Sim Sim Polio (inativado) I Sim Sim Streptococcus pneumoniae I Sim Sim Neisseria meningitidis I Sim Sim HPV I Sim Sim Varicela VA Sim Não Sarampo-caxumba-rubéola (MMR) VA Sim Não BCG VA Sim Não I: inativado; VA: vivo atenuado. Fonte: Adaptado de Danzinger-Isakov L ,et al. 147 259

RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=