ABC | Volume 110, Nº1, Janeiro 2018

Artigo Original Cerqueira Junior et al Escore GRACE em muito idosos Arq Bras Cardiol. 2018; 110(1):24-29 Tabela 1 – Comparação das características clínicas, das características laboratoriais, do Escore GRACE e da mortalidade entre muito idosos versus não muito idosos Idade ≥ 80 Idade < 80 Valor de p Tamanho amostral 173 (17%) 821 (83%) – Idade (anos) 85 ± 3,7 61 ± 11 < 0,001 ‡ Sexo masculino 82 (47,0%) 487 (59,0%) 0,004 § SCA com supradesnível ST 23 (13,0%) 205 (25,0%) 0,001 § Diabetes 60 (35,0%) 300 (37,0%) 0,613 § Infradesnível do ST 55 (32,0%) 308 (37,5%) 0,155 § Troponina positiva 123 (71,0%) 557 (68,0%) 0,403 § Classificação de Killip < 0,001 Killip I 127 (73,0%) 724 (88,0%) Killip II 21 (12,0%) 49 (6,0%) Killip III 23 (13,0%) 41 (5,0%) Killip IV 2 (1,2%) 7 (0,9%) Pressão sistólica (mmHg) 151 ± 32 155 ± 30 0,098 ‡ Frequência cardíaca 80 ± 17 80 ± 18 0,519 ‡ Creatinina sérica (mg/dl) 1,1 ± 0,5 1,1 ± 0,9 0,669 ‡ Hemoglobina da admissão 13 ± 1,8 14 ± 1,9 < 0,001 ‡ Triarterial ou TCE* 38 (30,0%) 126 (18,0%) < 0,001 § Intervenção coronária percutânea † 66 (39,0%) 368 (45,0%) 0,129 § Cirurgia de revascularização † 4 (2,0%) 92 (11,0%) < 0,001 § Escore GRACE 162 ± 34 115 ± 35 <0,001 ‡ Óbito hospitalar 28 (16,0%) 30 (4,0%) < 0,001 § SCA: síndrome coronariana aguda; *Coronariografia realizada durante o internamento; TCE: tronco de coronária esquerda; † Tratamentos de revascularização miocárdica durante o internamento; ‡ Comparadas pelo teste T de Student; § Comparadas pelo teste χ 2 . à diferença não apenas da idade, mas também das variáveis troponina, infradesnível do ST, Killip e pressão arterial. Revascularização percutânea durante o internamento foi semelhante nos dois grupos, enquanto revascularização cirúrgica foi menos frequente no grupo de muito idosos. Durante a hospitalização, a mortalidade hospitalar foi de 5,8% na amostra total, sendo significativamente maior no grupo de muito idosos em relação aos pacientes commenos de 80 anos (16% versus 3,7%; p < 0,001) (Tabela 1). Capacidade discriminatória do Escore GRACE Na amostra total, o Escore GRACE apresentou estatística-C de 0,87 (95% IC = 0,82 – 0,92) na predição de óbito hospitalar. A estatística-C do GRACE nos muito idosos foi de 0,86 (95% IC = 0,78 – 0,93), sem diferença em relação ao valor encontrado nos pacientes com menos de 80 anos (estatística-C = 0,83; 95% IC = 0,75 – 0,91), com p = 0,69 na comparação das duas curvas (Figura 1). Em análise de regressão logística em que GRACE e muito idosos foram inseridos simultaneamente no modelo preditor, não houve interação (modificação de feito) entre essas duas variáveis (p = 0,25). Além disso, o GRACE permaneceu preditor independente da idade (p < 0,001). De acordo com a curva ROC, o ponto de corte do Escore GRACE de melhor desempenho no grupo de não muito idosos foi 134, com sensibilidade de 83% e especificidade de 76%. Nos muito idosos, o ponto de corte é deslocado para cima, com valor de 184, correspondendo à sensibilidade de 77% e especificidade de 87%. Calibração do Escore GRACE Na predição da incidência de óbito durante a hospitalização, o teste de Hosmer-Lemeshow mostrou calibração satisfatória em ambos os grupos, muito idosos ( χ 2 = 2,2; p = 0,98) e não muito idosos ( χ 2 = 9,0; p = 0,35). A Figura 2 apresenta uma análise estratificada por quartis de probabilidade prevista pelo GRACE para óbito hospitalar, comparando-se previsto e observado nos dois grupos etários. Percebe-se que a incidência observada acompanhou a prevista de forma proporcional nos dois grupos etários. Apenas no quarto quartil houve subestimativa da mortalidade prevista em relação à observada, em ambos os grupos. 26

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