ABC | Volume 110, Nº1, Janeiro 2018
Artigo Original Stephan et al Saúde móvel e fibrilação atrial Arq Bras Cardiol. 2018; 110(1):7-15 Ainda como desfecho secundário, foi analisada a percepção de risco de AVC e de sangramento com o uso de ACO. Os pacientes foram questionados se acreditavam ter um risco baixo, moderado ou alto de cada evento. Essa pergunta foi repetida após a interação com o aplicativo e os resultados foram comparados o risco “real”, calculado pelos escores de CHA 2 DS 2 -VASc e HAS-BLED. Análise de dados Os dados foram analisados no programa SPSS versão 20.0. Foram elaboradas tabelas de frequências absolutas e percentuais para caracterização da amostra. A normalidade dos dados foi testada por meio do teste de Shapiro-Wilk. As variáveis contínuas com distribuição normal foram descritas em médias e desvios-padrão e as com distribuição não normal em medianas e intervalos interquartis. As médias do escore de conhecimento sobre a doença antes e após a intervenção foram comparadas pelo teste t de Student pareado e a percepção de risco foi comparada pelo teste de Wilcoxon. O nível de significância adotado foi p < 0,05. Considerações éticas O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Fundação Universitária do Instituto de Cardiologia. Foram mantidos sigilo, privacidade e anonimato dos dados coletados e aplicado termo de consentimento livre e esclarecido aos pacientes. Resultados A idade média dos 20 pacientes estudados foi de 67,7 anos, a maioria era do sexo masculino (60,0%), de cor branca (83,3%) e residiam com familiares (53,3%). A escolaridade foi autorreportada como ensino fundamental incompleto em 73,3% dos casos, sendo que 33,3% estudaram menos de 4 anos. A renda familiar era menor do que 2 salários mínimos em 53,3% dos pacientes. A maioria dos pacientes usava anticoagulantes há pelo menos um ano (66,7%). A Tabela 1 resume as características socioeconômicas da população estudada e o tempo de anticoagulação. A Tabela 2 mostra as prevalências dos principais fatores de risco incluídos nos escores CHA2DS2-VASc, HAS-BLED e SAMe-TT2R2, bem como a pontuação média dos pacientes nesses escores. Entre as comorbidades, as mais prevalentes foram hipertensão arterial (80%), diabetes mellitus (30%) e insuficiência cardíaca (30%). Em relação aos outros fatores que interferem no risco de sangramento e na anticoagulação, os mais comuns foram o uso de medicamentos que interagem com cumarínicos (43,3%) e o uso de antiplaquetários ou anti-inflamatórios (26,7%). A maioria dos pacientes (86,6%) tinha um CHA 2 DS 2 -VASc maior ou igual a 2 e 76,6% tinham um escore de SAMe-TT2R2 também maior ou igual a dois. O número de acertos no questionário de conhecimento sobre a doença teve um aumento significativo após a interação com o aplicativo, de 4,7 (± 1,8) para 7,2 (± 1,0), p < 0,001. A Figura 2 ilustra os acertos de cada paciente antes e após a interação. A ECTDS aplicada após a escolha da terapia com o suporte do aplicativo resultou em uma média de 11 ± 16/100 pontos. Quanto à percepção de risco, antes da interação com o aplicativo, 20% dos pacientes tinham uma percepção adequada do seu risco de AVC e 75% acreditavam ter um risco menor do que o risco real. Após a interação, a percepção adequada aumentou para 30%, com p não significativo (0,608). No que concerne ao risco de sangramento, antes de receber as informações do app, 45% dos pacientes demonstravam uma percepção correta e 35% acreditavam ter um risco maior do que o real. Após o app, houve um aumento não significativo (p = 0,218) na percepção adequada, para 60%. A Figura 3 ilustra as variações nas percepções de risco. Discussão Odesenvolvimento de aplicativos em mHealth direcionados para populações e problemas de saúde específicos é viável e deve ser estimulado. Este estudo em pacientes de baixa renda e baixa escolaridade demonstrou aumento do conhecimento sobre FA e anticoagulação após o uso de um aplicativo, possibilitando ao paciente uma escolha compartilhada sobre anticoagulação com baixo conflito decisório. No entanto, a percepção de risco de AVC e sangramento não foi alterada pelo uso do aplicativo. A profilaxia tromboembólica na FA é um problema global, sendo subutilizada, de difícil manutenção e sabidamente propensa à má aderência. 23 Uma das estratégias propostas Tabela 1 – Características socioeconômicas da população e tempo de uso de anticoagulantes Características Idade (anos) 67,7 ± 9,4 Sexo masculino (%) 60 Cor branca (%) 83,3 Com quem moram Sozinhos (%) 16,7 Companheiro (a) (%) 26,7 Família (%) 53,3 Instituição (%) 3,3 Escolaridade 0-4 anos (%) 33,3 5-8 anos (%) 40 >8 anos (%) 26,7 Renda Familiar 4-10 salários mínimos (%) 26,7 2-4 salários mínimos (%) 20 < 2 salários mínimos (%) 53,3 Tempo de Anticoagulação < 1 mês (%) 13,3 1 – 11 meses (%) 13,3 1-5 anos (%) 33,3 > 5 anos (%) 33,4 Não faz uso atualmente 3,3 10
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=