ABC | Volume 110, Nº1, Janeiro 2018

Artigo Original Stephan et al Saúde móvel e fibrilação atrial Arq Bras Cardiol. 2018; 110(1):7-15 Figura 1 – Telas principais do aplicativo aFib, desenvolvido para auxiliar na decisão compartilhada sobre profilaxia tromboembólica na fibrilação atrial. e, após, recebem orientações sobre o ajuste da dose a cada 1 a 3 meses. Em 10 manhãs aleatórias de aplicação da intervenção, foram convidados a participar do estudo todos os pacientes com FA que compareceram para coleta, sem nenhuma recusa. Nenhum paciente apresentou deficiência visual, auditiva ou cognitiva graves que impedissem a interação com o aplicativo, que seriam critérios de exclusão. Projeto piloto e cálculo amostral No projeto piloto, a versão beta do aplicativo foi usada em consulta com 10 pacientes, que forneceram feedback sobre questões como usabilidade, linguagem escrita e visual, entendimento das informações, design e adequabilidade do tempo para percorrer as telas. Antes da consulta, foi aplicado um questionário desenvolvido pelos pesquisadores para verificar o nível de conhecimento médio dessa população sobre FA. Esse questionário procurou avaliar o mínimo de informações essenciais que o paciente precisaria ter para compreender sua condição e aderir ao tratamento. Eram feitas 8 afirmações e o paciente podia escolher entre “verdadeiro”, “falso” ou “não sei”. Todas as afirmações eram verdadeiras. O resultado foi de uma média de 5,9 acertos sobre um total de 8 (73% de acertos), com desvio padrão de 1,37. Em estudo prévio nesse mesmo ambulatório, a taxa de acertos em escore de conhecimento havia sido de 64%. 19 Estimando-se que, após a intervenção explanatória, esse número de acertos aumentasse para 8 pontos (100%de acertos), foramnecessários 18 pacientes para um erro alfa de 5% e um erro beta de 90%. Desfechos analisados Após ajustes realizados com o feedback dado pelos pacientes no projeto piloto, o aplicativo foi testado em uma amostra de 20 pacientes. Como desfecho primário, analisamos a pontuação dos pacientes no questionário de conhecimento sobre a doença, antes e após a interação com o aplicativo. Como desfecho secundário, foi avaliada a pontuação dos pacientes na Escala de Conflito em Tomadas de Decisão em Saúde (ECTDS) de O’Connor, 20 utilizada para a avaliação de estratégias de decisão compartilhada. 20,21 A ECTDS foi validada para a língua portuguesa em 2013 por Martinho et al., 22 e inclui questionamentos sobre incerteza, conhecimento, valores e suporte fornecido. O escore resultante das questões varia de 0 (nenhum conflito decisional) a 100 (conflito decisional extremamente alto). 9

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