ABC | Volume 115, Nº2, Agosto 2020

Artigo Original Basilio et al. Efeitos da dieta intermitente no coração Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):184-193 Results: Exercise training increased functional fitness in the ET and ETI groups and promoted cardiac fibrosis. The combination of intermittent fasting and exercise training resulted in a smaller area under the blood glucose curve and reduced cardiomyocyte cross-sectional area and interstitial collagen fraction in the ETI group compared to ET. ERK and JNK expression levels were similar among groups (p>0.05). Conclusion: Intermittent fasting is associated with improved glucose tolerance and attenuates cardiac remodeling induced by exercise training. (Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):184-193) Keywords: Diet; Calorie Restriction; Exercise; Running; Ventricular Remodeling; Glucose; Health Promotion. Full texts in English - http://www.arquivosonline.com.br Introdução Classicamente, a restrição calórica é popularmente adotada como intervenção para melhorar a saúde, visando a promoção de benefícios funcionais ao organismo e maior longevidade. 1-4 Entretanto, estudos experimentais têm mostrado respostas controversas no aspecto cardiovascular, pois a restrição calórica se mostrou associada com disfunção contrátil e danos morfológicos no miocárdio. 5-8 Alguns pesquisadores constataram que a restrição calórica resultou em lesões de ultraestrutura miofibrilar e mudanças no trânsito intracelular de cálcio, relacionadas com distúrbios do sistema β -adrenérgico, contribuindo, assim, para disfunção contrátil do miocárdio. 5,7,9 As modificações morfológicas envolveram também dilatação de câmaras ventriculares, degeneração dos cardiomiócitos, fibrose intersticial e edema mitocondrial. 10-12 Além disso, após 12 semanas de experimento, o modelo intermitente de restrição calórica esteve pouco associado com danos morfológicos e não promoveu disfunção miocárdica, em comparação à restrição calórica de 50%. 11 Na restrição calórica intermitente, o alimento é disponibilizado ad libitum em intervalos alternados com períodos de jejum, cada qual com duração de 12 a 24 horas. 3,4 São escassos os estudos sobre os efeitos desse tipo de intervenção sobre o coração. No aspecto molecular, inclusive, a participação de proteínas cinases ativadas do mitógeno (MAPK), importantes agentes do processo de remodelação cardíaca, 13 não foi ainda estudada em modelos de restrição calórica. As MAPKs incluem três subtipos principais, extracellular signal-regulated (ERK), c-Jun N-terminal (JNK) e p38 (p38K), que regulam a transcrição gênica de diversos mensageiros envolvidos na sobrevida, apoptose, diferenciação celular e remodelação cardíaca. 13,14 Por sua vez, a prática regular de exercício físico é amplamente difundida como medida de promoção de saúde e prevenção de diferentes condições cardiovasculares 15,16 Entretanto, diferentes estudos experimentais mostraram resultados controversos, evidenciando que o exercício físico não afetou e, inclusive, reduziu o desempenho miocárdico. 8,9,17-19 Além disso, não foram encontradas evidências em relação à influência de protocolos de exercício físico em esteira rolante sobre o processo de remodelação cardíaca na restrição calórica intermitente. Portanto, o objetivo do presente estudo foi analisar a influência da combinação entre restrição calórica intermitente e prática de exercício físico sobre o desempenho físico ao esforço e indicadores morfológicos e moleculares de remodelação miocárdica. Como hipótese inicial do presente estudo, admite-se que o exercício físico amplia o desempenho físico e atenua a remodelação miocárdica decorrente da restrição calórica intermitente. Métodos O projeto científico foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA/UFMS; Protocolo 615/2014), estando em conformidade com os regimentos do Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (COBEA). Animais e Protocolo Experimental Foram utilizados 60 ratos da linhagem Wistar (Rattus novergicus albinus) , machos, com 60 dias de idade, procedentes do Biotério Central da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A definição do tamanho amostral baseou-se em estudo prévio 16 e considerou a probabilidade de recusa ao exercício e/ou instinto de fuga durante o teste de esforço. 20,21 Utilizando-se de amostragem casual simples, os animais foram distribuídos em quatro grupos: Controle (C), Dieta Intermitente (DI), Exercício Físico (EF) e Exercício Físico e Dieta Intermitente (EDI). Enquanto CT e EF foram tratados diariamente com ração ad libitum (Nuvilab ® , Brasil), os grupos DI e EDI receberam tratamento similar, administrado em dias alternados com dias de jejum. Além do suporte nutricional, os animais dos grupos EF e EDI foram submetidos a um protocolo de corrida em esteira rolante (Tabela 1) elaborado de acordo com estudos prévios. 16,20 Foram realizadas cinco sessões semanais de exercício físico e o período experimental perdurou por 12 semanas. Os animais forammantidos em gaiolas coletivas com duas a três unidades por caixa, sob temperatura ambiente de 22±2 º C, umidade de 55±5%, ciclos de iluminação claro/ escuro de 12 horas e água sob livre acesso. Teste de Esforço Para analisar a capacidade funcional, ao término do experimento, realizou-se teste incremental de estágios múltiplos conforme estudos prévios. 21,22 O teste foi iniciado com aquecimento de 5 minutos à velocidade de 5 m/min. Após 1 min de intervalo, cada animal foi submetido a um esforço progressivo, com velocidade inicial de 6 m/min, Tabela 1 – Protocolo de exercício físico em esteira rolante, segundo período, velocidade média e duração das sessões Período Velocidade (m/min) Duração (min) 1ª – 3ª semana 10 40– 60 4ª – 6ª semana 15 40 7ª – 9ª semana 18 35 10ª – 12ª semana 19 15– 25 185

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