ABC | Volume 115, Nº2, Agosto 2020

Comunicação Breve Martins-Filho et al. Biomarcadores cardíacos em pacientes com COVID-19 Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):273-277 Omanejodepacientes combiomarcadores de lesãomiocárdica edescompensaçãocardiovascular agudaéprincipalmentebaseado emcuidados de suporte e abordagem individualizada paramelhor orientar o tratamento. Infelizmente, não temos evidências para orientar o uso adequado de agentes antiplaquetários, anticoagulantes, betabloqueadores, inibidores da ECA e estatinas neste cenário crítico, e devemos adaptar o conhecimento atual. 17 Por exemplo, foi recentemente sugerido que os inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona possam ser deletérios ou benéficos para pacientes comCOVID-19, 18 mas ainda não temos as evidências definitivas para esta decisão. Os achados deste estudo devemser tratados comcautela. Suas limitações principais são as seguintes: (1) Os estudos são limitados a uma única região e isto reduziu a nossa capacidade de verificar possível variabilidade populacional; (2) houve heterogeneidade moderada a alta entre os estudos e (3) os estudos não realizaram análise para ajuste de fatores confundidores e seus resultados foram baseados em modelos univariados padrões. Conclusões Esta metanálise confirma que as condições cardiovasculares subjacentes, a elevação dos biomarcadores da lesão miocárdica durante a infecção por COVID-19 e a descompensação cardiovascular aguda são preditores de mortalidade na infecção por SARS-CoV-2. Estudos futuros são necessários para esclarecer os possíveis mecanismos de lesão cardiovascular e testar tratamentos adequados. Tabela 2 - Comparação de dados clínicos, biomarcadores da lesão miocárdica e complicações cardíacas entre não sobreviventes e sobreviventes da COVID-19 Parâmetro DM (IC 95%) entre sobreviventes e não sobreviventes DMP (IC 95%) entre sobreviventes e não sobreviventes RR (IC 95%) Valor de p I 2 Clínicos Idade, anos 14,3 (9,2 a 19,4) - - < 0,001 88% Masculino - - 1,3 (1,2 a 1,4) < 0,001 0% Comorbidades Hipertensão - - 1,7 (1,2 a 2,4) 0,001 74% Doença cardiovascular - - 3,3 (1,4 a 7,7) 0,005 70% Biomarcadores de lesão miocárdica TnI-as - 1,0 (0,8 a 1,2) - < 0,001 42% TnI-as (> percentil 99) - - 8,0 (2,2 a 28,5) 0,001 93% NT-proBNP - 1,1 (0,7 a 1,4) - < 0,001 50% CK-MB - 1,0 (0,2 a 1,8) - 0,010 81% Complicações cardíacas Lesão cardíaca aguda - - 8,9 (4,2 a 19,1) < 0,001 79% Insuficiência cardíaca - - 5,1 (2,5 a 10,7) < 0,001 75% Arritmias - - 4,9 (1,2 a 19,0) 0,020 85% DM: diferença média; DMP: diferença média padronizada; RR: razão de risco; IC: intervalo de confiança. Resultados positivos para DMP indicam níveis aumentados de biomarcadores em pacientes não sobreviventes. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa: Martins-Filho PR, Santos VS; Obtenção de dados e Análise estatística: Martins- Filho PR; Análise e interpretação dos dados, Redação do manuscrito e Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Martins-Filho PR, Barreto- Filho JAS, Santos VS. Potencial conflito de interesses Os autores declaram não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento O presente estudo não contou com fontes de financiamento externas. Vinculação acadêmica Não há vinculação deste estudo a programas de pós- graduação. Aprovação ética e consentimento informado Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores. 276

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