ABC | Volume 114, Nº5, Maio 2020
Relato de Caso Rente Coronavírus e o Coração Arq Bras Cardiol. 2020; 114(5):839-842 A equipe do pronto atendimento solicitou vaga em enfermaria para elucidação diagnóstica e tratamento. Em 16 de março de 2020, o paciente foi recebido na enfermaria do hospital de emergências, sendo realizada anamnese de paciente (descrita a seguir). Paciente admitido em enfermaria com quadro de tosse produtiva, febre há 4 dias, tendo usado amoxicilina + clavulanato por 2 dias sem melhoras; nega viagem para exterior ou contato com pessoa com sintomas de COVID-19. Tem diabetes de antecedentes pessoais, porém não faz tratamento regular. Em admissão em enfermaria, paciente apresentava-se em, Glasgow 15, eupneico em cateter de O 2 , acianótico. Ritmo cardíaco regular em 2 tempos; frequência cardíaca: 90 bpm; pressão arterial: 120 x 70mmHg. Murmúrio vesicular presente com roncos difusos esparsos e diminuído globalmente. Radiografia de tórax, radiopacidade pronunciada nos campos pulmonares bilateralmente. Exames laboratoriais em 16 de março de 2020: Hb: 15,5; leucócitos: 16.150 mil; bastões: 323; Vhs: 23; Na: 135; K: 4,3; ureia: 2; creatinina: 0,6; PCR: 23,6; glicemia: 344. Aventada hipótese diagnóstica de pneumonia e diabetes descompensada. Solicitação de tomografia de tórax, isolamento respiratório, pesquisa COVID-19 ( swab e PCR). Optou-se por iniciar piperacilina + tazobactan 4,5 mg, 6/6 horas, correção de dextro. Em 17 de março de 2020, paciente evoluiu com mal‑estar geral, quadro de febre (38,3°C), refratária à medicação; dessaturação 85% em O 2 3L/min; taquicardíaco, 104 bpm; taquipneico; 84 ipm; pressão arterial: 120x70mmHg. Ritmo cardíaco taquicardíaco com abafamento de bulhas, dor torácica, turgência jugular com sinais de disfunção diastólica. Murmúrio vesicular presente com estertores crepitantes por todo hemitórax direito. Em 17 de março de 2020, eletrocardiograma não apresentou sinais de isquemia. Exames laboratoriais em 17 de março de 2020: Hb: 14,2; hT: 41%; leucocitose: 15.030; plaquetas: 143 mil; PCR: 25; ureia: 36; creatinina: 0,60; Na: 135; K: 4,2. Formulada hipótese de sepse de foco pulmonar; etiologia viral, equipe optou por obtenção de via aérea definitiva com intubação orotraqueal. Pressão arterial: 154x91 mmHg; FC: 48; bpm sat O 2 : 82%; FiO 2 : 100%; Peep: 12; pressão controlada. Devido à instabilidade hemodinâmica, o paciente foi mantido em sala de emergência à espera de vaga na unidade de terapia intensiva (UTI). Foi realizada tomografia computadorizada (TC) de tórax (Figuras 3 a 6), que apresentava intubação seletiva de brônquio fonte direito; opacidades em vidro fosco extensas em ambos os pulmões, comprometendo todos os lobos com predomínio em lobos inferiores, em que se notam consolidações com broncogramas aéreos, o que sugere processo inflamatório/ infeccioso. Não é possível afastar etiologia viral. Há presença de edema miocárdico secundário a processo inflamatório associado a espessamento de parede miocárdica com discreto aumento de área cardíaca. Realizada nova intubação orotraqueal com sucesso, mantidas antibioticoterapia e medidas para insuficiência respiratória aguda. Em 18 de março de 2020, o paciente evoluiu para mal-estar geral – apresentou-se taquicardíaco, taquidispneico sedado (Ramsey 6) em ventilação mecânica. Ritmo cardíaco taquicardíaco, com hipofonese de b1 e b3 em esboço, presença de turgência jugular, edema MMII 1/4+. Murmúrio vesicular com roncos difusos. Iniciada observação para miocardite aguda + sepse de foco pulmonar. Mantida antibioticoterapia associada a monitoramento hemodinâmico; início de fármaco vasoativo caso necessário. Vaga de UTI para paciente disponibilizada em hospital das clínicas (HC) de São Paulo, porém paciente evoluiu para óbito no momento de admissão devido a quadro de insuficiência respiratória aguda – COVID-19. Resultados relevantes: Em 17 de março de 2020, foram realizados testes complementares que apresentaram os seguintes resultados: • Troponina quantitativa: 0,49 ng/dL • Dímero D: 0,1 mg/L • Lactato venoso: 2,0 mmol/L • Teste rápido HIV: negativo Foi realizado swab orofaríngeo (teste rápido para COVID-19) em 17 de março de 2020, com resultado negativo; no entanto, é notório que a especificidade de swab nasal gira em torno de 63%, sendo utilizado em primeira triagem. O exame padrão-ouro para detecção de COVID-19 consiste em coleta de amostra in vivo ou post mortem de PCR (PCR 2019-nCoV), em que foi obtido o resultado positivado da amostra (coleta em 19 de março de 2020 – post mortem ). Os exames realizados no estado de São Paulo – obtidos por Figura 2 – Radiografia de tórax referente ao segundo atendimento 840
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