ABC | Volume 114, Nº5, Maio 2020

Posicionamento Posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia para Gravidez e Planejamento Familiar na Mulher Portadora de Cardiopatia – 2020 Arq Bras Cardiol. 2020; 114(5):849-942 Recém-nascidos demães que utilizaramamiodarona, sotalol, inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) e outros medicamentos durante a gestação devem ter uma avaliação específica das anormalidades relacionadas a esses fármacos durante o período neonatal. Empacientes que já foramoperadas e sofreram transfusão sanguínea anterior, é essencial a pesquisa de infecções por hepatite B e pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), já que a utilização de medicamentos para essas condições pode diminuir a transmissão vertical. A avaliação fetal deve ter periodicidade decidida pelo obstetra de acordo com a gravidade dos casos e os parâmetros a serem avaliados. Pacientes graves que incluem classe funcional (CF) III/IV (New York Heart Association – NYHA), doença valvar obstrutiva grave, cardiopatias cianogênicas, CC complexas e HP podem necessitar de reavaliação fetal, por ultrassom, até mesmo semanal. O doppler fetal das artérias uterinas durante o segundo trimestre tem a finalidade de prever pré-eclâmpsia. Ele inclui a avaliação das artérias umbilical, cerebral média e uterina, e da relação cérebro‑placentária e ducto venoso (Tabela 5). Na avaliação fetal por ultrassonografia (US), é importante estimar a idade gestacional, a vitalidade, a morfologia, o volume de líquido amniótico e o perfil de crescimento fetal. Se for detectada alguma anormalidade, a avaliação deve ser complementada por exames mais específicos, como doppler fetal, perfil biofísico fetal e ecocardiograma (ECO) fetal. 24 Este último deve ser realizado de rotina e sempre após as 20 semanas, por indicação materna ou fetal. As indicações maternas são: diabetes melito, cardiopatia congênita de umdos pais, infecçãomaterna relacionada à teratogenicidade (rubéola, citomegalovírus, HIV), doença de Chagas e toxoplasmose (relacionadas a miocardiopatias ou miocardites fetais), idade materna > 35 anos, fenilcetonúria, doenças do tecido conjuntivo (mais associadas a bloqueio atrioventricular fetal) e exposição a agentes teratogênicos. A avaliação complementar por indicações fetais são o achado de outras anormalidades em estudo morfológico, doenças cromossômicas e arritmias fetais. 2.2.2.1. Pontos-chaves • A morbimortalidade perinatal é maior em recém- nascidos de mães cardiopatas, quando comparada à população em geral; • Múltiplos fatores maternos associam-se amaior incidência de perdas fetais, malformações, RCIU e prematuridade; • Obstetras e neonatologistas devem atentar-se para as intercorrências neonatais relacionadas com a cardiopatia materna. 2.3. Exames Subsidiários Isentos de Radiação 2.3.1. Eletrocardiograma O eletrocardiograma (ECG) é o primeiro método utilizado para confirmação diagnóstica na prática clínica cardiológica. Os critérios para a sua realização em gestantes seguem aqueles definidos para a população geral; contudo, ele não deve fazer parte da rotina pré-natal para triagem de doença cardíaca. O ECG deve servir para avaliação e acompanhamento de gestantes com uma cardiopatia prévia e para investigação de arritmias. 25 As alterações fisiológicas da gestação devem ser consideradas na interpretação do registro eletrocardiográfico, destacando-se: discreto desvio do eixo elétrico para a esquerda; inversão da onda T nas derivações DIII, V1, V2 e, Tabela 3 – Preditores de eventos neonatais em gestantes portadoras de cardiopatias Classe funcional III/IV (NYHA) Cianose Lesões cardíacas obstrutivas Tabagismo Hipoxemia – saturação de oxigênio < 90% Necessidade de anticoagulação permanente Dopplerfluxometria uteroplacentária anormal Infecções maternas (por Trypanosoma cruzi, vírus da imunodeficiência humana e toxoplasmose) Pais portadores de cardiopatias congênitas Uso de fármacos durante a gravidez (IECA, BRA, betabloqueadores) Complicações obstétricas – hipertensão arterial, diabetes gestacional BRA: bloqueadores dos receptores da angiotensina; IECA: inibidores da enzima de conversão da angiotensina; NYHA: New York Heart Association. Tabela 4 – Síndrome varfarínica fetal 23 Acometimento ósseo/cartilagem (condrodisplasia punctata) Hipoplasia de extremidades (nanismo e distrofia óssea) Defeito óptico: cegueira, atrofia óptica, microftalmia Sistema nervoso central: retardo mental, surdez Restrição de crescimento intrauterine Escoliose Cardiopatia congênita Morte 860

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