ABC | Volume 114, Nº4, Abril 2020

Artigo Original Güneş et al. Tecido adiposo epicárdico e resistência à insulina Arq Bras Cardiol. 2020; 114(4):675-682 Tabela 4 – Análise univariada e multivariada de predição da resistência à insulina Análise univariada Análise multivariada B EP Wald P OR IC 95% B E.P. Wald P OR IC 95% Tecido adiposo epicárdico 0,275 0,098 7,886 0,005 1,317 1,087–1,596 0,228 0.108 4.423 0,035 1.256 1,016–1,553 Pressão arterial sistólica 0,044 0,015 8.384 0,004 1.045 1,014–1,077 0,038 0,016 5.896 0,015 1.039 1,007–1,072 Pressão arterial diastólica 0,049 0,019 6.959 0,008 1.050 1,013–1,089 PA Lateral 0,078 0,027 8.661 0,003 1.081 1,026–1,139 PA Septal 0,095 0,038 6.386 0.012 1.100 1,022–1,184 AEA interatrial 0,066 0,029 5,123 0,024 1,068 1,009-1,130 AEA intra-atrial 0.149 0,065 5.352 0,021 1.161 1,023–1,318 Altura 3.845 1.671 5.292 0.021 46.737 1.767-1236.369 Peso 0.032 0.011 8.804 0.003 1.033 1.011-1.055 Todas as variáveis da Tabela 1 e da Tabela 2 foram examinadas e somente aquelas com valores significativos de p < 0,05 são mostradas na análise univariada.Análises de regressão logística multivariada incluindo todas as variáveis da análise univariada com o método enter. Valor de p < 0.05 foram considerados estatisticamente significativos. As variáveis não significativas da análise de regressão logística multivariada não foram indicadas na tabela. B: Coeficientes Beta; IC: Intervalo de confiança; AEA: atraso eletromecânico. OR: odds ratio; PA: intervalo de tempo entre o início da onda P no ECG de superfície e o início do intervalo da onda Am com ecocardiografia por Doppler tecidual; E.P.: erro-padrão; Wald: teste Wald. A gordura epicárdica é um acúmulo visceral de gordura que apresenta a maioria das propriedades fisiopatológicas de outros tecidos adiposos viscerais, como deposição lipídica e liberação de hormônios, citocinas e quimiocinas, causando também inflamação local. 32-35 Demonstrou-se que a distribuição de gordura corporal, particularmente a distribuição de gordura abdominal, está correlacionada com o tecido adiposo epicárdico. 33 Portanto, a relação entre a espessura do tecido adiposo epicárdico obtida na ecocardiografia e diversas condições patológicas, como a síndrome metabólica, doença arterial coronariana, hiperlipidemia, elevação da pressão arterial e RI foram estudados em pacientes obesos adultos e pediátricos. O tecido adiposo epicárdico causa o desenvolvimento e/ou agravamento da RI, aumentando os ácidos graxos livres, TNF, IL1, IL6, causando liberação de resistina e diminuição dos níveis de adiponectina. 36 Diversos estudos examinaram a relação entre o tecido adiposo epicárdico e a RI, demonstrando uma correlação entre tecido adiposo epicárdico e a IMC em adultos obesos. 37-39 Abacı et al. 40 mostraram correlação significativa com o tecido adiposo epicárdico em crianças obesas. 40 De acordo com a literatura disponível, nosso estudo demonstrou uma correlação entre o IMC e o tecido adiposo epicárdico. Ishorbagy et al. 41 relataram tecido adiposo epicárdico maior em pacientes obesos em comparação com controles saudáveis, embora não tenham apresentado predição da síndrome metabólica. 41 Da mesma forma, Abacı et al. 40 sugeriram que o tecido adiposo epicárdico não conseguiu prever a RI em crianças obesas. 40 Por outro lado, descobrimos que o tecido adiposo epicárdico era preditor independente de RI. A causa dessa discrepância é que nosso estudo foi um estudo de caso‑controle aninhado que incluiu apenas pacientes em vez de controles saudáveis. Outro motivo importante foi que, em nosso estudo, a RI foi medida utilizando-se percentis determinados de acordo com idade e sexo. A relação entre pressão arterial e RI foi demonstrada emmuitos estudos. 42,43 Emnosso estudo, descobrimos que a pressão arterial sistólica é preditor independente de RI. Isso pode ser devido ao aumento do tecido adiposo no corpo, que desempenha um papel importante na RI e na inflamação subclínica causada por citocinas inflamatórias, como IL-6, IL-1 e TFN-alfa, secretadas nesse tecido adiposo. A inflamação subclínica pode prejudicar a função endotelial e aumentar a pressão sanguínea, diminuindo a liberação de NO. Outromecanismo possível é que pode haver ativação simpática do processo inflamatório da obesidade e relacionado à obesidade. 36,44-46 Nosso estudo teve algumas limitações: sua principal limitação foi o tamanho relativamente pequeno da amostra. O TAE ecocardiográfico é uma medida linear e, portanto, pode não avaliar o volume total de gordura epicárdica que varia em vários locais do miocárdio. Como o TAE é um tecido metabolicamente ativo, citocinas inflamatórias e marcadores inflamatórios podem ser investigados em estudos futuros. A ausência de medição da circunferência abdominal foi outra limitação, impedindo a determinação de uma relação entre a circunferência abdominal e gordura epicárdica. Conclusão Em conclusão, o tecido adiposo epicárdico é um parâmetro barato e de fácil acesso, que pode ser facilmente medido pela ecocardiografia, e usado para identificar a resistência à insulina em crianças. Como o atraso eletromecânico atrial mostrou-se elevado em crianças obesas com resistência à insulina, ele deve ser acompanhado de perto para avaliar a fibrilação atrial. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa: Güneş H; Obtenção de dados e Análise estatística: Güneş, H, Temiz F; Análise e interpretação dos dados, Redação do manuscrito e Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Güneş H, Güneş, H, Temiz F. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. 680

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