ABC | Volume 114, Nº4, Abril 2020
Artigo Original Güneş et al. Tecido adiposo epicárdico e resistência à insulina Arq Bras Cardiol. 2020; 114(4):675-682 Tabela 3 – Parâmetros ecocardiográficos que se correlacionam com o HOMA-IR Variáveis que se correlacionam com o HOMA-IR R P Tecido adiposo epicárdico 0,422 < 0,001 AEA interatrial 0,360 < 0,001 AEA intra-atrial 0,345 0,001 PA Lateral 0,451 < 0,001 PA Septal 0,305 0,001 HOMA-IR: modelo de avaliação da homeostase da resistência à insulina; PA: intervalo de tempo entre o início da onda P no ECG de superfície e o início do intervalo da onda Am com ecocardiografia por Doppler tecidual; AEA: atraso eletromecânico. Tabela 2 – Comparação dos Parâmetros de Atraso Eletromecânico Atrial Medidos por Doppler Tecidual Pacientes obesos com resistência à insulina (n = 40) Pacientes obesos sem resistência à insulina (n = 54) p PA Lateral, média ± DP, ms 62,2 ± 8,3 56,6 ± 8,4 0,002 PA septal, média ± DP, ms 46,1 ± 6,1 42,7 ± 5,9 0,019 PA tricúspide, média ± DP, ms 38,0 ± 5,8 36,1 ± 4,7 0,088 AEA interatrial, mediana (IIQ), ms 23 (18–30) 19,5 (15–23,5) 0,010 AEA intra-atrial, mediana (IIQ), ms 9,5 (6,2–10,0) 6 (4–9,2) 0,032 PA: intervalo de tempo desde o início da onda P no ECG de superfície até o início do intervalo da onda Am com ecocardiografia por Doppler tecidual; AEA: atraso eletromecânico; IIQ: intervalos interquartis. Figura 1 – Curva característica operador-receptor (ROC) do TAE para predizer a resistência à insulina. Tecido Adiposo Epicárdico 100 – Especificidade Sensibilidade 100 100 80 80 60 60 40 40 20 20 0 0 AUC = 0,672 P = 0,002 medidas de RI e FA incidente. 28 Muitos estudos mostraram que a RI está intimamente relacionada às funções atriais. 29,30 Em nosso estudo, observou-se que os valores de HOMA-IR se correlacionaram positivamente com os parâmetros do Doppler tecidual atrial, indicando função atrial em crianças obesas e elevação da condução atrial tecidual no grupo com RI. A obesidade causa prolongamento do tempo de condução eletromecânica por diversos mecanismos, como inflamação adiposa na parede atrial, aumento da atividade do sistema nervoso simpático, aumento do processo inflamatório, desregulação da adipocinina e ativação de vias de sinalização pró-fibrótica. Demonstrou-se que o prolongamento da condução eletromecânica é propenso a fibrilação atrial. 31 A RI, frequentemente associada à obesidade, afeta as funções atriais devido à inflamação subclínica existente. Em nosso estudo, tanto o tempo de condução intra-atrial quanto o tempo de condução interatrial estiverammaiores em crianças obesas com resistência à insulina, de acordo com a literatura, em comparação com o grupo sem RI. Isso pode ser explicado pelo processo inflamatório associado à resistência à insulina e pelo atraso na transmissão desse processo inflamatório no tecido atrial. À luz dessas informações, pode-se dizer que crianças obesas com resistência à insulina podem ser mais propensas a fibrilação atrial. 679
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