ABC | Volume 114, Nº4, Abril 2020

Artigo Original Güneş et al. Tecido adiposo epicárdico e resistência à insulina Arq Bras Cardiol. 2020; 114(4):675-682 Introdução A obesidade é um grande problema de saúde em todo o mundo devido à sua crescente prevalência e desenvolvimento precoce na vida da população. 1-3 O número de pessoas com sobrepeso tende a aumentar progressivamente nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, e a proporção de pessoas obesas é de cerca de um terço da população de adolescentes. 4-6 Como resultado, as complicações da obesidade, como a síndrome metabólica, diabetes mellitus tipo 2 (DM), distúrbios cardiovasculares, distúrbios respiratórios e problemas psicossociais tendem a aumentar. 7,8 A obesidade está tipicamente associada à resistência à insulina (RI) e distúrbios do metabolismo da glicose. O tecido adiposo armazenado nos tecidos subcutâneo e visceral desempenha umpapel importante no desenvolvimento da RI pelas proteínas ativas que secreta. 9 A distribuição desse tecido adiposo é igualmente importante, com o acúmulo de gordura intra-abdominal intimamente ligado à IR. 10 Além disso, já se sabe que o tecido adiposo subcutâneo está correlacionado à RI, com a DM estando ou não presente. 11,12 Estudos recentes demonstraram que depósitos de gordura visceral extra-abdominal, como tecido adiposo mediastinal e tecido adiposo epicárdico (TAE), também estão relacionados à RI. 9,13,14 A associação entre resistência à insulina dependente da obesidade e TAE não foi totalmente explicada. A obesidade infantil é um importante fator de risco para fibrilação atrial, enquanto a remodelação estrutural é muito importante. 15 Em muitos estudos, essa estreita relação foi investigada com o atraso eletromecânico atrial (AEA), sendo um dos marcadores ecocardiográficos, definido como o atraso temporal entre o início da atividade elétrica detectada e a realização da força no miocárdio. O AEA é um indicador de heterogeneidade da condução atrial e também pode ser obtido facilmente por imagem com Doppler tecidual (TDI). 16 Além disso, demonstrou-se que o AEA é prolongado em doenças associadas à resistência à insulina. 17,18 No entanto, a relação entre atraso eletromecânico e resistência à insulina em pacientes obesos não foi estudada. O objetivo do nosso estudo foi determinar a relação entre TAE e resistência à insulina. Além disso, investigou-se a relação entre a resistência à insulina e o atraso eletromecânico. Métodos População de estudo Para este estudo prospectivo e transversal, foram incluídos 94 pacientes obesos com idades entre 8 e 18 anos, admitidos no ambulatório de Endocrinologia Pediátrica da Universidade Kahramanmaraş Sütçüimam entre agosto de 2018 e fevereiro de 2019. A equipe de enfermagem do ambulatório realizou todas as medidas antropométricas, como peso e altura, com os pacientes vestindo apenas roupas íntimas. O índice de massa corporal (IMC) foi calculado dividindo-se o peso em quilogramas pela altura ao quadrado em metros. A obesidade foi definida como IMC maior que o percentil 95 em uma curva de percentil específica para idade e sexo. Valores acima do percentil 99 foram definidos como obesidade mórbida. 19 A resistência à insulina de todos os pacientes foi calculada e categorizada com base na resistência à insulina. A resistência à insulina foi calculada usando o Modelo de Avaliação da Homeostase da Resistência à Insulina (HOMA-IR) (glicose plasmática em jejum (mmol/L) × insulina plasmática em jejum (mU/L)/22,5) e definida como HOMA-IR maior que o percentil 90 em curva percentil específica para idade e sexo. 20 Pacientes com DM, Síndrome de Cushing, resistência à insulina conhecida; os que usam medicamentos para resistência à insulina; os que apresentam hipoglicemia; com distúrbios metabólicos cardiovasculares e hepáticos conhecidos; e aqueles com janelas acústicas ruins para ecocardiografia foram excluídos. Os dados demográficos e laboratoriais dos pacientes foram registrados. Todos os pacientes foram submetidos a ecocardiografia transtorácica padrão, incluindoDoppler tecidual e exames ecocardiográficos realizados por um cardiologista especializado. O mesmo cardiologista avaliou os resultados de ETT pré-alta de 20 pacientes selecionados aleatoriamente para avaliar a reprodutibilidade da espessura do TAE e dos parâmetros do Doppler tecidual para o atraso eletromecânico atrial. Utilizando o método de Bland-Altman, a diferença média em termos de intraobservação foi de 3,8% (0,23 ± 0,54%), indicando boa reprodutibilidade. Ecocardiograma Os exames ecocardiográficos transtorácicos foram realizados por ecocardiografistas especializados, cegos às informações clínicas dos pacientes, com o sistema de ultrassonografia cardíaca Vivid 7® (GE VingMed Ultrasound AS; Horten, Noruega) usando sondas de 2,5 a 5 MHz. As imagens ecocardiográficas foram realizadas nas posições lateral e supina esquerda. Os exames ecocardiográficos Doppler 2D, modo M, pulsado e fluxo colorido foram feitos em todos os pacientes. Eixos paraesternais longos e curtos, janelas apicais e subcostais foram utilizadas para obter traçados Doppler e imagens bidimensionais. Foram quantificados os diâmetros atriais esquerdo e direito, os diâmetros sistólico final e diastólico final do ventrículo esquerdo, bem como as espessuras das paredes posterior e septal do ventrículo esquerdo na diástole. Os volumes do átrio esquerdo foram quantificados com a fração de ejeção (FE) do VE pelo método disco com a regra de Simpson. A função diastólica VE foi quantificada pelas velocidades do fluxo transmitral, ou seja, E de pico (diastólica inicial), A de pico (diastólica final), razão E/A, bem como o tempo de desaceleração da onda E (TD) e tempo de relaxamento isovolumétrico (TRIV). A avaliação ecocardiográfica e a quantificação da gordura epicárdica foram realizadas através da identificação do espaço livre de eco entre o revestimento externo do miocárdio e a camada visceral do pericárdio. Sua mensuração foi realizada perpendicularmente à parede livre do ventrículo direito na janela paraesternal do eixo longo. O nível da medida foi no ventrículo médio e o tempo foi ajustado para a diástole final, com uma média de três ciclos cardíacos. Para alinhar o feixe de ultrassom perpendicularmente à parede livre do ventrículo direito, o anel aórtico foi aceito como marco anatômico. 21 676

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